Vídeo: O segundo entrevistado da série “Ituverava e os próximos 70 anos…” é o empresário César Luiz Mendonça

César Luiz Mendonça, diretor da Coram, vê necessidade de a população se unir e trabalhar em conjunto

Nesta semana, a Tribuna de Ituverava dá continuidade à série de entrevistas com personalidades sobre o que é preciso para a cidade retomar o crescimento, e manter o desenvolvimento sustentável nos próximos anos.
A iniciativa é inspirada no aniversário de 70 anos da Tribuna de Ituverava e é uma parceria entre o jornal e a Fundação Educacional de Ituverava.
O entrevistado dessa semana é o empresário César Luiz Mendonça, diretor da Coram – Comércio e Representações Agrícolas. Confira na íntegra:

O início
“Nasci em Ituverava dia 15 de outubro de 1950, tenho 68 anos. Fiz o meu primeiro grau na Escola ‘Fabiano Alves de Freitas’, depois estudei na Escola ‘Capitão Antônio Justino Falleiros’, e me formei em Matemática, em 1972, pela Barão de Mauá, em Ribeirão Preto,
Fui bancário do Banespa de 1970 a 1986, e lecionei até 1980. Lutei muito para ter o meu próprio negócio, que sempre foi o meu sonho, e, em 1973, montei a Coram – Comércio e Representações Agrícolas. Trabalhava das 7h às 13h, no Banespa, das 13h às 18h na Coram, e das 19h às 23h30, lecionava matemática”.

Atuação na sociedade
“Tudo foi possível porque tenho uma família abençoada, três filhas, seis netos, vindo mais um agora para novembro, três genros considerados filhos, e convivemos muito bem. Fui presidente da Fundação Educacional de Ituverava por duas vezes, membro do Conselho da Santa Casa, membro do Conselho da Fundação e membro do Sindicato Rural. Também sou membro da Loja Maçônica União Ituveravense há 43 anos, local em que desempenhei vários cargos, pois meu lazer foi sempre o trabalho, que é a minha maior paixão.
Faço parte do Sindicato Rural de Ituverava e na época em que fui funcionário do Banespa, construí a sede do Banespinha. Sou membro fundador do Ituverava Tênis Clube, onde fui membro do conselho por mais de 20 anos, sempre procurando dar a minha contribuição à comunidade, para retribuir um pouco do que tive aqui na cidade e do bastante que Deus me deu”.

Valores
“Nunca almejei cargo nenhum, mas sempre me deram, inclusive o de presidente de entidades, e nunca me neguei a dar a minha contribuição quando convidado, desde que eu não tivesse salário, pois acredito que é uma devolutiva que eu faço para a comunidade um jeito de contribuir com aqueles que às vezes precisam.
Então eu tenho esse espírito comigo: retribuir o que eu tenho e não querer conseguir, através de cargos, coisas pessoais para mim. Eu me preocupo muito com a coletividade e com a segurança, que são coisas que precisamos, então minha vida é pautada sobre isso”.

Família
“Nós somos em 7 irmãos, todos vivos graças a Deus, todos unidos. A união entre família é algo que nós valorizamos muito, no mais, estamos aqui para contribuir realmente com a comunidade”.

Ituverava do passado
“Em Ituverava, acho que como toda cidade na época em que vivemos a juventude, tínhamos clubes que realmente faziam a união. Hoje me parece que cada um tem seu clube em casa, com sua piscina e tudo mais. A vida antigamente era diferente: a comunidade vivia bem entrelaçada por eventos sociais. Nós tínhamos em Ituverava empresas que levantaram o nome da cidade, pessoas que se tornaram empresárias e abriram o seu negócio, gerando muitos empregos. Vejam, por exemplo, quantas Algodoeiras tinham, como a Algodoeira Santo Antônio, a Algodoeira do Maeda e depois veio a do Paulo Lopes.
Mas, se formos lembrar, lá atrás tinha o Sr. Higino Contart e o Flávio Cavalari, que são pessoas que idealizaram alguma coisa para o comércio, fizeram a cidade crescer e, como cresceu, virou a capital do ‘ramal’.
Tínhamos um time de futebol que chegou a disputar na segunda divisão, então tinha uma vida social mais intensa e um relacionamento mais estreito com as pessoas”.
Mudanças
“Com o passar do tempo, a vida vai mudando, mas algumas coisas não poderiam mudar, como certos conceitos e princípios básicos de ética e de moral. E isso parece que teve sua importância deixada de lado, pois tínhamos prefeitos que dedicavam o seu tempo em administrar a cidade, corriam atrás para o bem comum. Os vereadores não tinham salário, eram pessoas de bem que iam lá para ajudar a comunidade, para dar a sua devolutiva à comunidade, gerando assim um bom viver, um bom convívio. Não havia um interesse particular, mas sim o interesse coletivo.
Hoje vemos na política as pessoas entrando e administrando para eles e não para o coletivo. Isso vai decrescendo, então, nós tivemos aqui empresários, empresas que deram sustentação a essa cidade por muito tempo.
Depois veio uma fase de fechar e de haver sucessão. Alguns não tiveram sucessão, mas surgiram novos líderes e empresários. Temos hoje empresas sólidas gerando empregos, mas isso poderia ser muito melhor.
Tivemos pessoas que fizeram essa cidade lá atrás e, hoje, a gente vê a cidade perdendo sede de órgãos governamentais, transferindo para fora, e a cidade parece que vai ficando estagnada”.
Política
“Falando a realidade pura, Ituverava estará em uma situação difícil se não fosse pelos setores de Educação e Saúde, que somos exemplos, e se não fosse pelas entidades que são administradas por pessoas comprometidas com o interesse coletivo antes do individual (como o Lions Clube, que mantém o Abrigo de Idosos; o Rotary Club, que mantém a Guarda Mirim; a Loja Maçônica 16 de Julho, que mantém a APAE; a Loja Maçônica União Ituveravense, que mantém a Fundação Educacional de Ituverava, dentre outros exemplos). Acho que são nesses exemplos que a sociedade precisa se espelhar, principalmente a parte política.
Acho que o vereador que vai na Câmara uma vez por semana não precisava de salário. Acredito que podia dar essa contribuição à comunidade, para ver a cidade crescer, para melhorar a qualidade de vida. Aí você me fala, ‘ah, mas o salário não é nada’. Realmente não é, pois temos pessoas idôneas que realmente representam a comunidade dentro da Câmara. Mas tivemos também, e sabemos disso, que há pessoas que entraram com interesse particular, e isso não pode.
Estamos vivendo essa crise nesse país, por quê? Parece que a moral e a ética são coisas do passado e eu vejo que não é por aí. Nós temos que realmente lutar para voltar o valor do ‘brio’. As pessoas hoje parecem que se sentem bem em falar que o deputado, o presidente, o governador, dentre outros, estão ligados às notícias envolvendo a corrupção, acabando com o país, e hoje estão querendo condenar um juiz que está aplicando a lei.
Então vejo que hoje estamos passando um momento muito perigoso em que ou fecha esse Congresso e o STJ ou vai ter que ir para rua mesmo. Do jeito que está, eu não vejo outra saída para as pessoas que querem o bem. Seria muito melhor que não acontecesse isso, desde que os mandatários tomassem um rumo de que ‘acabou o toma lá, dá cá’ e vamos fazer esse país ir para frente, e ai na área federal, estadual e municipal, nós temos prefeitos, governadores, deputados, senadores idôneos, mas sabemos que têm aqueles que estão travando”.
Ituverava do futuro
“Eu vejo Ituverava lá atrás, uma cidade que nós tivemos uma infância e uma juventude, como uma cidade tranquila, de um relacionamento familiar muito grande. Mas isso foi acabando e foi aumentando a distância entre as famílias.
Estamos nesse caminho de hoje em que, para traçar o futuro de Ituverava, devemos ter a preocupação de eleger um prefeito e uma Câmara que realmente queiram trabalhar pela cidade, e não fazer política.
O candidato entra hoje e quer fazer quatro anos para ser reeleito, isso eu acho que tinha que acabar, pois nós temos que pensar em eleger pessoas que têm capacidade administrativa para fazer, para acabar com isso de ‘Ah, não posso demitir o funcionário porque estou amarrado, porque tenho o rabo preso’. Isso tem que acabar, pois uma pessoa que chega a falar que não pode demitir um funcionário ou um assessor porque podem prejudicá-lo, acho que essa pessoa não está apta e não tem o direito de administrar uma comunidade. Ela está vivendo amarrada em seus problemas particulares, e precisamos pensar muito na eleição de 2020 para tomarmos uma atitude e achar um candidato que realmente queira o bem de nossa cidade e que tenha capacidade para isso”.
Exemplos na região
“Temos várias coisas para serem feitas. Vemos as cidades vizinhas crescendo, explorando a rodovia Anhanguera e nós não temos um distrito industrial, mesmo que várias indústrias queiram um local assim na cidade. Temos um ouro, um diamante, que é a Rodovia Anhanguera, para ser explorada e não cria um distrito industrial por quê? ‘Ah, não tem área para desapropriar’. Por que não tem? ‘Ah, porque é meu amigo e o outro vão ficar com a cara virada pra mim’. Acho que está na hora de chegar na pessoa e falar ‘Olha, eu tenho que fazer o que é para o bem da cidade. Isso tem que ser feito e acabou’.
Então, para o futuro, eu vejo que se devemos tomar uma medida para achar um candidato que esteja disposto a fazer isso. A classe política hoje está desmoralizada, pois há pessoas que querem entrar na política, mas têm vergonha de entrar e serem chamados de ladrões. A classe política ficou tão desmoralizada que às vezes as pessoas de bem não querem nem mexer com isso, porque o funcionário público é concursado, não pode ser demitido e às vezes vemos muitas coisas que realmente truncam a administração”.

Projetos

“Eu vejo aqui em Ituverava, por exemplo, temos uma CEAGESP se deteriorando, e acho que podia ser tomada uma providência de aproveitar isso. Eu costumo falar muito o seguinte: imagine Ituverava – uma cidade com as entidades que tem, e com uma população tão solidária, que sempre ajuda nos eventos e campanhas em prol das entidades – com pessoas honestas administrando, tomando conta realmente, sem desvios de verba, e com espírito de querer que a coisa vai para a frente.
Mas infelizmente, prefeitos e vereadores disseram que foram atrás da FEPASA, mas foram lá apenas uma vez, não voltaram mais e não têm interesse ou foco naquilo que fazem. A verdade é essa, e ficam administrando picuinhas.
Então vemos que perdemos muito. Poderíamos ter muitas coisas aqui em Ituverava, mas eu ainda vejo e nós temos que crer que Ituverava vai ter um futuro muito bom. Nós já temos empresas grandes, gente que creio que vai se dispor a fazer algo pra cidade, mas com essa transição política que estamos fazendo, acabando com esse ‘toma lá, dá cá’, colocar ladrão na cadeia, e ver que a coisa vai ficar séria. Assim, com certeza, vamos achar pessoas comprometidas que querem fazer de Ituverava uma grande cidade”.

Tribuna de Ituverava

“Um jornal do interior com 70 anos é uma vida, porque quem fundou, fundou com comprometimento. O Sr. Adhemar Cassiano fundou o jornal com tanta dificuldade. Algumas vezes, eu conversei com ele e ele me falava sobre o quanto foi difícil. Mas por que o jornal tem 70 anos e não pereceu com o falecimento dele? Porque ele tem sucessores, tem o José Luiz e tem a Cidinha, ou seja, ele deixou uma sucessão pronta.
E por que o jornal tem 70 anos? Porque é um jornal independente, sem lados partidários, com interesse coletivo, senão já tinha fechado também. Mas isso não aconteceu porque seu fundador e seus sucessores se comprometeram a fazer um trabalho limpo, que merece crédito de confiança de todos. Uma empresa chegar a 70 anos é algo incrível, pois tenho a minha com 48 anos e sei o quanto é difícil. Mas a Tribuna de Ituverava sempre contou com pessoas que respeitaram as opiniões de políticos, ouviu a opinião de todos, então criou uma credibilidade e que nós não podemos perder é a credibilidade, sempre falo aos meus colaboradores para nunca chegar a um cliente para vender, mas sim ir a um cliente para saber a necessidade dele e atender à necessidade dele A venda é consequência. E quando se trabalha dessa forma, adquiro confiança, seriedade e comprometimento, que é exatamente o que a Tribuna de Ituverava sempre fez. Por isso, parabenizo o Sr. Adhemar, a esposa Guiomar e os filhos José Luiz e Cidinha pelo belo trabalho feito nesses 70 anos e que deem sequência por muito mais tempo. Aqui em Ituverava, fecharam 36 revendas na minha área, um número muito triste, porque podiam ter as 36 funcionando, menos uma ou outra, mas às vezes não teve aquele comprometimento.
Talvez tenha faltado elo de confiança entre a gente e o consumidor, mas nisso a Tribuna também é um exemplo que devemos seguir. Eu já estou na fase de achar um sucessor, já estamos caminhando para isso e tudo tem um fim, mas a empresa continua. Eu peço a Deus que nos dê força, que nossa comunidade se una para fazer Ituverava uma cidade bem melhor.
Não podemos falar que ela está ruim, porque ruim é um termo pejorativo, mas ela poderia estar melhor. Então torço para que encontremos pessoas que façam com que volte a moral da classe política, pessoas que tenham a intenção de contribuir sem pensar no lado particular, sem pensar em receber, pessoas que queiram dar para a cidade uma contribuição, uma retribuição do que teve e tem. Parabéns ao Sr. Adhemar Cassiano, ao José Luiz [Alves Cassiano] e à Cidinha [Maria Aparecida Alves Cassiano]. Que Deus os abençoe sempre”.