Violência choros e lágrimas

Adolfo Medina Bucker

Prezado leitor, vamos refletir sobre os acontecimentos: Brumadinho e Escola de Suzano. A humanidade chora e lágrimas são derramadas mundo afora. É preciso buscar as causas dessas violências! O que leva o ser humano a se tornar um “homens bomba”? O que levam “estudantes e operários” a queimarem seus próprios ônibus? O que levam “empresários e engenheiros” a economizar nas construções que causam tragédias e ceifam vidas? O que levam “estudantes e fanáticos religiosos” a matarem seus próprios colegas ou pessoas indefesas em Escolas e Igrejas? Psicólogos e Psiquiatras tem-se debruçado no estudo da “mente humana” e apontam várias causas e muitos caminhos. Tudo indica, que a causa primeira é: A convivência familiar: PAIS e FILHOS!
Os casais na busca da realização pessoal transferiram quase que totalmente, as suas responsabilidades para terceiros, na missão de formar “o caráter, o respeito, a solidariedade, a honestidade, a verdade, a religiosidade e a responsabilidade” de seus filhos. No berçário, o bebê começa a perder o cheiro da mãe e passa a ser acalentada em seus choros, por alguém que ela não identifica. Na creche, a criança começa a praticar atos, sem ter que assumir responsabilidades. As cuidadoras não conseguem corrigir ensinando valores. Por exemplo: Quando pegou e quebrou o brinquedo do outro, quando bateu ou cuspiu no outro. Que ainda responde dizendo: Você não é a minha mãe, nem meu pai. Tudo indica que em casa faz o que bem entende. Com a ausência dos pais, ela cresce decidindo, sem ter que assumir a responsabilidade de seus atos. Qual será o futuro desse cidadão…? A escola não forma o “caráter, o respeito, a responsabilidade”, ela aprimora a educação, dá conhecimento e desperta na criança, no jovem e no adolescente a arte da sensibilidade, para ir à busca de seus sonhos e realizações. A presença dos pais na família é fundamental, traduzida em saber ouvir, dialogar, ser amigo, ser ouvinte, abraçar, elogiar, rir, chorar e sonhar.
IMAGINE UM DE SEUS FILHOS ESCREVENDO-LHE ESSA CARTA!
Queridos pais, não deem tudo o que pedir. Às vezes só peço para ver o quanto consigo. Não gritem comigo, pois eu os respeito menos e vocês acabam me ensinando a gritar também. Só que eu não quero gritar! Não fiquem me dando ordens. Se vocês me pedirem com jeito, eu faço tudo o mais rápido possível. Cumpram suas promessas, boas ou más. Se me prometerem um prêmio, eu vou querer recebe-lo. Se for um castigo foi porque eu mereci.
Não me compare com ninguém, nem com amigos e nem com irmãos, pois se vocês falarem que eu sou melhor, alguém vai sofrer e, se eu for o pior, serei eu a sofrer. Não mudem de opinião tão facilmente sobre o que devo fazer. Decidam-se e mantenham essa decisão. Deixem-me experimentar. Se vocês fizerem tudo por mim, eu nunca poderei aprender. Tenham coragem de deixar-me tentar e, se eu errar, corrija-me com ternura.
Não digam mentiras na minha frente, nem me peçam que as diga por vocês, mesmo que seja para tirá-los de um apuro. Isso é mau, me faz sentir mal e eu vou começar a não acreditar mais em vocês. Quando eu fizer alguma coisa errada, não exijam que eu lhes diga por que fiz aquilo. Às vezes eu simplesmente não sei. Corrijam-me com firmeza e amor. Agora, se vocês também cometerem algum erro, admitam. Assim, se fortalece a opinião que tenho de vocês e eu vou aprender a admitir meus próprios erros. Também gostaria de ser tratado com a mesma amabilidade e cordialidade com que vocês tratam seus amigos. Por estarmos sempre juntos não significa que não devamos nos tratar assim.
Não me peçam para fazer algo que vocês não fariam e não cobrem de mim as suas próprias responsabilidades. Eu aprenderei a fazer tudo o que vocês fazem, mesmo se vocês não me pedirem. Não se esqueçam de que, para uma criança, o exemplo é tudo.
Quando eu lhes contar algum problema meu, mesmo que pareça muito pequeno para vocês, não me digam: “Isso não é nada” ou “Agora não temos tempo para essas bobagens”. Procurem me compreender, pois preciso muito da ajuda de vocês.
Para mim é muito importante que vocês me amem e que me digam isso. O que eu mais gosto de ouvir vocês dizendo é: “eu te amo” ou “nós te amamos”. Também quero que vocês me abracem. Preciso senti-los próximos de mim.
Não se esqueçam disso: sou seu filho e preciso muito de vocês, mais do que vocês imaginam. Eu ainda estou aprendendo a viver e não sei lidar com esse mundo maluco. Eu preciso de amor e de abraços, mas também de limites e correções.
Texto PEDIDO DOS FILHOS de: Cássio Abreu.
Adolfo Medina Bucker