“A Colheita” chama atenção por originalidade e qualidade técnica

Lançado recentemente no Brasil, “A Colheita”, primeiro longa-metragem do cineasta Ivan Kraljevic (diretor assistente de “Caça aos Gângsteres”, “Livrai-nos do Mal” e “Annabelle”), surpreende pela produção, pela estrutura narrativa e, principalmente, por fugir de alguns clichês dos filmes mais recentes de terror, como o uso excessivo da técnica de jumpscare.

A história é focada em uma família, que, na tentativa de fugir de alguns problemas, viaja da cidade para um vilarejo Amish, local que tem uma forte presença maligna, capaz de exercer forte influência em cada um dos membros – pai, mãe, filho e filha.

Embora a narrativa seja lugar-comum do terror, ela traz alguns elementos bem interessantes, como uma sociedade que, mesmo estando nos dias atuais, vive como se estivesse a alguns séculos no passado – algo já explorado em filmes como “A Vila” (M. Night Shyamalan) e “O Homem de Palha” (Robin Hardy).

Há também algumas surpresas e reviravoltas interessantes na trama, sem apelar para o nonsense, além de uma boa construção dos personagens, mesmo que o filme seja relativamente curto.

O que mais chama a atenção, no entanto, é a boa produção. O longa-metragem tem uma qualidade técnica surpreendente, com direito a bons planos-sequência e um ótimo uso da iluminação. As atuações também se destacam, especialmente dos atores e atrizes que dão vida aos quatro personagens centrais.

Também vale destacar a trilha sonora original, composta por Joel Douek, que dá ritmo ao filme e constrói sensações que vão da ansiedade à claustrofobia.

O filme – disponível no NOW, Looke, Vivo Play, Google Play, Microsoft e iTunes – é uma ótima indicação para quem busca um terror que se preocupa em construir uma atmosfera de suspense ao invés de simplesmente utilizar o jumpscare como único recurso possível para assustar e causar desconforto.

Bruno Inácio assistiu “A Colheita” a convite da A2 Filmes, antes do lançamento do filme no Brasil

Bruno da Silva Inácio é jornalista, mestre em Comunicação e pós-graduado em Literatura Contemporânea, Política e Sociedade e Cultura e Literatura. Atualmente cursa quatro especializações (Cinema, Teoria Psicanalítica, Antropologia e Gestão da Comunicação) e reside em Uberlândia, onde trabalha como assessor de imprensa da Prefeitura.
É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto” e “Devaneios e alucinações”, participante de outras quinze obras literárias e colaborador da Tribuna de Ituverava e dos sites Obvious, Provocações Filosóficas e Tenho Mais Discos que Amigos. Também manteve, entre 2015 e 2019, a página “O mundo na minha xícara de café”, que chegou a contar com 250 mil seguidores no Facebook.