Abril Azul chama a atenção para a conscientização do autismo

Pessoas com autismo são caracterizadas principalmente por suas interações sociais peculiares

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi lembrado na última quarta-feira, 2 de abril

Abril tem um significado especial para quem trava batalhas diárias em busca de diagnóstico precoce, tratamento e, por que não dizer, aceitação do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Ao longo do mês, é realizada a campanha Abril Azul, que foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de conscientizar a população sobre o autismo, envolver a comunidade, trazer visibilidade e buscar uma sociedade consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva.
A pessoa com autismo é caracterizada principalmente por suas interações sociais peculiares, formas de aprendizado fora do padrão, interesse intenso por assuntos específicos, inclinação para rotinas, desafios com comunicação típica e formas particulares de processar informação sensorial.

Dados
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas são autistas no mundo todo.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é apontado como um problema de saúde pública internacional pela OMS, pois é uma condição que altera o neurodesenvolvimento da pessoa.
Assim, prejudica a organização de pensamentos, sentimentos e emoções, o que compromete a comunicação e a interação social do indivíduo.
O termo “espectro” foi inserido ao nome do transtorno autista em 2013, devido a diversidade de sintomas e níveis que as pessoas apresentam.
Cada paciente com autismo tem seu próprio conjunto de manifestações, tornando-o único dentro do espectro.
Uma a cada 36 crianças é diagnosticada com TEA nos Estados Unidos, de acordo com o CDC (Center of Deseases Control and Prevention – Centro de Controle e Prevenção de Doenças).

AUTISMO NO BRASIL

No Brasil, não existem dados oficiais, mas estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas tenham autismo, muitos sem diagnóstico e tratamento adequados.
Segundo dados da OMS, hoje essa condição atinge 1 em cada 160 crianças do planeta. Conforme levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), há cerca de 70 milhões de pessoas com autismo no mundo.
A classificação do transtorno evoluiu na última década, com os diagnósticos acontecendo de forma cada vez mais autamente precoce.
No entanto, mais estudos são necessários para ampliar o conhecimento sobre os diferentes graus do distúrbio e permitir tratamentos mais individualizados e efetivos.
A condição ocorre em todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos, e é 4 vezes mais comum entre meninos do que entre meninas.
A dificuldade no diagnóstico e a falta de conhecimento mais aprofundado sobre os sintomas do autismo ainda são desafios muito presentes que precisam ser combatidos em todo o globo.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo: 2 de abril
A ONU instituiu em 2007 a data de 2 de abril como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, ou apenas Dia do Autismo, com objetivo de alertar e ampliar o debate sobre o preconceito.
Desde o primeiro evento, a mobilização vem provando ser uma excelente ferramenta de quebra de discriminação e de falta de informação.

A importância de se identificar os sinais de autismo em bebês e crianças

É muito difícil a identificação de sinais de autismo em bebês. Nos primeiros meses de vida, a linguagem e socialização do lactente é muito restrita.
É mais fácil identificar sinais das comorbidades – a hipotonia, o atraso motor, convulsões, outros problemas de saúde.
Alguns sinais precoces da comunicação podem ser percebidos, como: não atender quando é chamado pelo nome, de forma persistente; não conseguir demonstrar com as reações quando está feliz, triste ou zangado.
Outra questão é não manter o contato ocular; não buscar comunicar ou mostrar aos pais aquilo que o interessa; não conseguir dar tchau com a mão, entre outros sinais.
Geralmente, a partir do segundo ano de vida, é mais fácil perceber sinais de que a evolução social da criança não está adequada, sendo esperado que boa parte das crianças possa ser diagnosticada entre 18 e 24 meses.
Algumas crianças apresentam um período continuado de desenvolvimento adequado, no qual não é possível o diagnóstico e, após algum tempo, apresentam uma regressão do desenvolvimento e perda de habilidade, iniciando o quadro do autismo.
Nesses casos, o diagnóstico pode ser mais tardio.

Sinais de comportamentos restritivos
Entre os sinais de comportamentos restritivos estão movimentos repetitivos, incluindo as estereotipias, repetição das mesmas palavras; uso inadequado e repetitivo dos brinquedos e reações inadequadas a sons, cheiros, sabores ou texturas.
Vale lembrar que nenhum sinal sozinho deve ser utilizado para diagnosticar o autismo. Eles servem como sinais de alerta.
Quando ocorrem, o ideal é que a criança seja consultada por especialista, incluindo neuropediatra e terapeutas, para uma avaliação formal.

Sinais de autismo em adultos
Os adultos com deficiência do desenvolvimento ou doenças associadas podem apresentar muitos dos sintomas que as crianças apresentam.
Muitas vezes, já possuem esse diagnóstico da infância e são acompanhados por serviços de neurologia e terapias.
Porém, aqueles adultos que conseguiram desenvolver linguagem, participar da escolarização e aprender, mesmo quando persistem com prejuízos na vida adulta, muitas vezes não estão inseridos em nenhuma rede de cuidado, nem possuem diagnóstico prévio.
É consideravelmente mais difícil o diagnóstico destes pacientes e, muitas vezes, é confundido com outras condições psiquiátricas – ou complicado pela ocorrência destas, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de ansiedade, entre outros.
A dificuldade na inserção do mercado de trabalho, no convívio social e comunitário, na continuidade dos estudos, a restrição de interesses a assuntos muito específicos, com uma inadequação comportamental, são sinais de alerta, mas que, novamente, precisam ser avaliados por um profissional capacitado.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DO AUTISMO

Existe um conjunto de critérios bem estabelecido, para facilitar que diferentes pessoas, em diferentes lugares, façam o diagnóstico com maior uniformidade – os critérios do “Manual de Diagnósticos de Saúde Mental – 5ª Edição”, muitas vezes chamado de DSM 5.
O diagnóstico do autismo não é por exames – nem exames de imagem, exames de sangue, eletroencefalograma ou outros.
O diagnóstico é alcançado por avaliação clínica e funcional do desenvolvimento e comportamento por profissionais capacitados, preferencialmente avaliando este paciente em múltiplos ambientes – domicílio, escola, terapias, entre outros.
Alcançar o diagnóstico funcional do autismo é muito importante, como acesso para as terapias e, principalmente, por uma avaliação bem feita permitir direcionar o conjunto de terapias para as reais necessidades do paciente.

Exames complementares
Os exames complementares são úteis para a investigação de comorbidades e para determinar a causa do TEA em um paciente, permitindo a orientação da família sobre o risco de novos casos de autismo e de problemas a serem rastreados ou prevenidos.
Entendendo que as pessoas com TEA são acometidas por problemas muito diferentes entre si, não faz sentido ter uma lista de exames para realização por todos os pacientes – cada paciente, com sua história de saúde, familiar, desenvolvimento, pode ser beneficiado com avaliações específicas.

Autismo tem cura?
O autismo não é considerado uma doença, mas uma condição. Dessa forma, falar em cura não é adequado.
Porém, considerando os prejuízos que o TEA pode causar para a vida da pessoa e da família, busca-se reduzir os sintomas e dificuldades, principalmente com o apoio de atividades terapêuticas, conforme as necessidades de cada paciente.
Toda pessoa vivendo dentro do espectro autista deveria ter acesso ao suporte terapêutico adequado e individualizado.
O conjunto de terapias precisa ser adaptado para a necessidade de cada uma destas pessoas, e pode alcançar ainda atividades domiciliares e escolares.
Para aquelas pessoas com comorbidades clínicas, é importante a investigação, acompanhamento e tratamento específico, já que também impactam na qualidade de vida e na capacidade de aproveitar o suporte terapêutico.

QUALIDADE DE VIDA

Em geral, a legislação brasileira garante aos autistas o direito a uma vida digna, à integridade física e moral, ao livre desenvolvimento da personalidade, à segurança e ao lazer.
Também são garantidos a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração, e acesso a ações e serviços de saúde, educação e assistência social, entre outros direitos.
Além disso, a Constituição Federal de 1988 determina que a pessoa autista tem direito a um acompanhante especializado, e a Lei Federal 8.112/90 garante um percentual de cargos e empregos públicos para pessoas com deficiência.