Adolescentes são a faixa etária que mais lê por prazer

O hábito de leitura é comprovadamente benéfico para adultos, mas tem efeito ainda maior em crianças. São inúmeros os ganhos infantis, pois proporciona desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutíveis. E mesmo que a criança ainda não saiba ler, é importante que adultos contem histórias para elas, como porta de entrada para esse universo.
Segundo a pedagoga, arte-educadora e escritora Fanny Abramovich quando crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara sentimentos que têm em relação ao mundo. “As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, além de ensinarem infinitos assuntos”, afirma.
Thaynã Porto, psicopedagoga e profissional da educação e escritora, afirma ser inegável a importância da leitura na vida de qualquer pessoa e quando se começa na infância ela é ainda maior. Thaynã acredita que a educação se dá muito mais por exemplo do que apenas estímulo. Ver a conduta familiar ajuda a criar laços com o universo literário.

Amante de livros
“Eu sempre fui amante dos livros e minha filha Lara Sophie, hoje com 8 anos, sempre me observou ler. Lemos juntas todas as noites e os estímulos da escola também foram essenciais. Além de ler ela investe na criação das próprias obras”, comenta.
A psicopedagoga acrescenta que percebe que a filha entendeu que ler não é só saber a história de alguém: é conhecer atitudes e uma maneira de ver o mundo.
Analogamente, um estudo da Universidade de Nova York, em colaboração com o IDados e o Instituto Alfa e Beto, mostrou um aumento de 14% no vocabulário e de 27% na memória de trabalho de crianças cujos pais leem para elas pelo menos dois livros por semana.
A pesquisa ainda revelou que essa leitura frequente leva à maior estimulação fonológica, importante para a alfabetização, e à maior estimulação cognitiva.

Leitores mirins
De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a mais completa do segmento no país, o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano. Mas um dos pontos que mais chamam a atenção é o fato de que os maiores leitores não são os adultos: Adolescentes entre 11 e 13 anos são os que mais leem por prazer – 42% dos entrevistados -, seguidos bem de perto por crianças de 5 a 10 anos – 40%.
Apesar de campanhas de incentivo, o estudo também revela que 67% da população não contou com alguém que motivasse o hábito de ler, enquanto 33% tiveram influência da mãe ou de algum representante do sexo feminino (11%), seguida pelo professor (7%).

Incentivo
A administradora Bruna Gallas Schwab é uma grande leitora, assim sendo, já incentiva sua filha Luísa, de apenas um ano, a ler. “Acredito que a leitura é uma ferramenta que nos permite ensinar muito.
Sobre culturas, sentimentos, valores, situações cotidianas. Dessa forma é possível fantasiar e trabalhar objetivamente as habilidades de comunicação do bebê”, afirma.
Além disso, ela acrescenta que é um momento de qualidade em família, onde genuinamente aproveitam juntas todos os detalhes de cada historinha. “É encantador vê-la já escolher seus livros favoritos, ‘decorar’ as partes que mais gosta e ir ampliando seu repertório de objetos, bichos e plantas”, acrescenta.