Auxílio de R$ 600 e postura mais suave turbinam aprovação de Bolsonaro, mostra Datafolha

O pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 e a nova postura do presidente Jair Bolsonaro, menos beligerante do que vinha sendo desde o início do mandato, contribuíram substancialmente para a melhora da aprovação do presidente.

Na noite desta quinta-feira (13), o site do jornal “Folha de S. Paulo” publicou uma pesquisa do instituto Datafolha segundo a qual a aprovação de Bolsonaro subiu de 32% para 37%; 27% avaliam como “regular”; 34%, como “ruim/péssimo”; e 1%, “não sabe/não respondeu”.

Bolsonaro começa a conquistar apoio em eleitorado antes considerado cativo do PT.

Recursos

O resultado da pesquisa deve aumentar a pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, em duas frentes.

Na primeira, para que ele proponha um valor maior para o programa social em gestação no governo, o Renda Brasil, chegando a pelo menos R$ 300, metade do auxílio emergencial. Na outra frente, para que o governo destine recursos para a retomada de obras públicas, como vem sendo pedido por ministros da área de infraestrutura.

“O presidente Bolsonaro quer fazer as duas coisas: maior valor para o Renda Brasil e retomar obras públicas”, disse ao blog um importante interlocutor do presidente.

A ideia de Paulo Guedes é fazer uma transição entre o pagamento do auxílio emergencial até o fim do ano e, a partir de 2021, instituir o Renda Brasil. No lugar dos mais de 60 milhões de beneficiários, o novo valor seria pago a um contingente menor, cerca de 30 milhões, incluídos os cadastrados no atual Bolsa Família (pago a 14 milhões de famílias).https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Nas conversas preliminares com líderes do Congresso, Guedes tem proposto a unificação de programas sociais que acabam, segundo ele, por consumir recursos e não têm impacto na população mais pobre.

Para se chegar ao valor de R$ 300, ele chegou a sugerir a incorporação de programas como o Seguro Defeso, pago a pescadores no período da piracema, e a incorporação dos recursos usados para cobrir as despesas com o abono salarial.

Inicialmente, a reação no Congresso foi negativa porque, segundo líderes partidários, são dois programas consagrados. Porém, com o resultado dessa pesquisa Datafolha, lideranças do Centrão reavaliam a proposta.

“Os beneficiários do Seguro Desemprego e do Abono Salarial terão ganho. Portanto, a unificação será vantajosa para eles”, disse ao blog um líder.

Os resultados da pesquisa

A pesquisa Datafolha mostra que Bolsonaro conquistou apoiadores no Nordeste, sobretudo entre os beneficiários do auxílio emergencial.

Na região, onde estão 27% dos eleitores brasileiros, 45% consideram o governo “ótimo/bom”. Segundo o Datafolha, três pontos porcentuais de crescimento da aprovação do presidente vêm de beneficiários do auxílio emergencial. Mas, mesmo os que não recebem, apoiam o programa. Ao mesmo tempo, com a postura menos beligerante adotada nos últimos dias, o presidente também recuperou apoio na região Sudeste.

Mais do que o aumento do continente que o considera ótimo ou bom, a pesquisa mostra uma queda significativa da rejeição ao governo. A rejeição havia chegado em junho a 44%, ultrapassando a marca de 40% apontada por especialistas como a que compromete projetos de reeleição do governo. Agora, a rejeição de Bolsonaro está em 34%, segundo o Datafolha.

O estilo mais suave do presidente Bolsonaro agradou também parte da classe média e de empresários, que voltaram a considerar o governo ótimo ou bom. A pesquisa Datafolha mostra significativa recuperação entre jovens de 16 a 24 anos e também entre as mulheres mais pobres. Na campanha eleitoral, elas representavam grande resistência à candidatura de Bolsonaro e agora fazem uma inflexão como resultado do programa de socorro às famílias mais pobres no período da pandemia.

Viagens

Jair Bolsonaro tem manifestado a interlocutores enorme satisfação com as viagens que tem feito aos estados, onde tem sido recebido com aplausos da população. Por este retorno que observa por parte da população, ele está cobrando recursos para a retomada de obras, avançando, assim, sobre o eleitorado do PT.

Um líder petista, quando viu a conquista do eleitorado mais pobre pelo PT, comentou: “A gente pensava que o Nordeste era o eleitorado do DEM, mas vimos que é eleitor de quem é governo”.

Agora, o poder saiu das mãos da esquerda e foi para o comando de um governo de direita, mas que na pandemia adotou o auxílio emergencial e acabou por conseguir conquistar o eleitorado mais pobre. O que a população pobre precisa é de políticas públicas eficientes e a ela direcionada.

Fonte: www.g1.globo.com