
Ministério da Saúde registra avanços e desafios que persistem para enfrentar a doença, e também marca os 40 anos do início do enfrentamento ao vírus no Brasil
Apesar dos avanços científicos e sociais, quando se fala de HIV/aids, o tema ainda é cercado de tabus e receios. Muitas pessoas têm dúvidas, medos e carregam estigmas que já não condizem com a realidade atual.
Hoje se sabe que, para a infecção pelo HIV, existem prevenção combinada, teste rápido diagnóstico, tratamento eficaz e que, quando o paciente tem a adesão e manutenção correta do tratamento, pode viver de forma plena, saudável e com qualidade de vida.
Com a chegada do último mês do ano, a campanha Dezembro Vermelho surge justamente para reforçar essa conscientização, ampliar o acesso à informação e oferecer respostas seguras sobre o tema.
Novos números da epidemia de HIV e aids no Brasil
O Ministério da Saúde divulgou no dia 1º de dezembro, a edição 2025 do Boletim Epidemiológico HIV e Aids.
A publicação atualiza dados e marca os 40 anos do início do enfrentamento ao vírus no Brasil.
Com números relativos a 2024, o documento trouxe informações animadoras em relação à mortalidade, que atingiu a menor taxa da série histórica: foram 3,4 óbitos por 100 mil habitantes no ano passado, uma queda de 12,8% em relação ao ano anterior.
Ainda assim, os números também reforçam a importância de não baixar a guarda: esse índice ainda representa um total de 9.157 vidas perdidas para a aids apenas em 2024.
Mesmo com o avanço da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que ajudou a frear a circulação do HIV, e da terapia antirretroviral que foi capaz de deixar muitos pacientes soropositivos com carga viral indetectável e intransmissível, o último ano registrou um ligeiro aumento de infecções pelo vírus, chegando a 39,2 mil detecções de HIV, ou 18,4 casos por 100 mil habitantes.
Sobre a Campanha
O Dezembro Vermelho foi instituído como Mês de Prevenção ao HIV/Aids e Infecções Sexualmente Transmissíveis em 2017, com o objetivo de conscientizar sobre essas doenças, suas formas de prevenção, tratamento e combate aos estigmas.
O mês caminha lado a lado com a celebração do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, que desde o final dos anos 1980 é observado em 1º de dezembro.
Confira outros destaques do levantamento
Situação no último ano
- Mortes por aids em 2024: 9.157, o equivalente a 3,4 óbitos por 100 mil habitantes (queda de 12,8% em um ano)
- Novos casos de aids em 2024: 36.955, o equivalente a 17,4 casos por 100 mil habitantes (queda de 1,5% em um ano)
- Novas detecções de HIV em 2024: 39.216, o equivalente a 18,4 casos por 100 mil habitantes (aumento de 2,6% em um ano)
Vale lembrar que uma infecção por HIV não equivale a um caso de aids. O HIV é o vírus da imunodeficiência humana, que pode evoluir para a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids ou SIDA) sem o tratamento adequado.
Com as novas terapias, porém, é possível manter o vírus em níveis controlados que não produzem os sintomas graves e potencialmente fatais.
Números da epidemia desde 1980
O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025 trouxe uma estimativa inédita de infecções desde o início da epidemia, em 1980.
Segundo o estudo, o total de pessoas vivendo com o vírus (tendo evoluído ou não para a aids) equivale a 1.679.622 pessoas entre o primeiro caso conhecido, há 45 anos, e setembro de 2025.
Desse total de contágios, 1.165.533 tornaram-se casos registrados de aids, com uma estimativa de 402,3 mil pessoas mortas pela doença desde 1980.
O cálculo se baseou em um cruzamento de diferentes bases de dados para obter números mais precisos, inclusive com a possibilidade de uma classificação regional.
As infecções por HIV estiveram assim distribuídos no mapa ao longo do tempo: 47,3% no Sudeste; 19% no Sul; 18,5% no Nordeste; 8,3% no Norte e 6,8% no Centro-Oeste.
Uso da Profilaxia pré e também pós-exposição
Uma das formas de se prevenir contra o HIV é faze uso da PrEP, método que consiste em tomar comprimidos antes da relação sexual, que permitem ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV.
Como medida de prevenção de urgência para ser utilizada em situação de risco à infecção pelo HIV, também existe a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que consiste no uso de medicamentos ou imunobiológicos para reduzir o risco de adquirir a infecção.
A PEP deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, como violência sexual, relação sexual desprotegida ou acidente ocupacional.
Diagnóstico
O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue venoso ou digital (ponta do dedo), para realização de testes rápidos ou laboratoriais que detectam os anticorpos contra o HIV.
Com os testes rápidos é possível obter um resultado em cerca de 30 minutos.
Além disso, autotestes de HIV também são ofertados gratuitamente pelo SUS para que as pessoas possam se testar quando e onde quiserem.
