Clássico absoluto do terror, filme “A Profecia” completa 50 anos em 2026

Cena do filme A Profecia

Considerado um dos melhores filmes de terror da história, “A Profecia” completa 50 anos em 2026, embora o longa dirigido por Richard Donner só tenha chegado ao Brasil em fevereiro de 1977, oito meses após ter sido lançado no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Na história, Damien Thorn (Harvey Spencer Stephens) é trocado na maternidade pelo filho natimorto do embaixador Robert Thorn (Gregory Peck) após sugestão de um padre.
Com o passar dos anos, a criança passa a demonstrar um comportamento perturbador, ao mesmo tempo em que pessoas ao seu redor começam a morrer misteriosamente.
Pouco a pouco, fica evidente que Damien é o próprio Anticristo e que todos ao seu redor correm grande perigo.
O filme rapidamente se tornou sucesso de público e de crítica e alcançou o status de cult. Além disso, está ligado a curiosidades incríveis e a histórias aterrorizantes.

Adaptação de obra literária
O filme de 1976 adapta livro do mesmo ano, escrito por David Seltzer, que também assina o roteiro do longa.
0A versão cinematográfica é bastante fiel à obra literária, como também acontece com outros clássicos do terror lançados nas décadas de 1960 e 1970, em especial “O Exorcista” e “O Bebê de Rosemary”.
No Brasil, a primeira edição do livro foi lançada ainda em 1976, pela Record.
Em 2020, após o livro ficar anos à venda apenas em sebos, a Pipoca e Nanquim publicou uma nova edição, com capa dura e materiais extras.

Continuações
Embora o filme de 1976 seja o mais lembrado, “A Profecia” recebeu três continuações: “Damien – A Profecia 2” (1978), “A Profecia III – O Conflito Final” (1981) e “A Profecia 4 – O Despertar” (1991).
Enquanto o segundo e o terceiro filme focam na adolescência e na vida adulta de Damien, o quarto acompanha uma nova protagonista, Délia (Asia Vieira), que é adotada por um casal de advogados (vividos por Michael Woods e Faye Grant).
As continuações não convenceram público e crítica, especialmente pelas tramas pouco atrativas e pela qualidade técnica bem aquém do filme original.
Como resultado, as três produções passaram longe do sucesso e amargam notas baixas em sites como IMDb, Rotten Tomatoes e Metacritic.

Prelúdio
No ano passado, no entanto, a saga ganhou um novo capítulo, dessa vez bem avaliado pelo público e pela crítica: “A Primeira Profecia”, prelúdio do clássico do terror lançado em 1976.
A história do novo filme acompanha uma jovem estadunidense enviada a Roma para se dedicar à Igreja.
No entanto, o que ela encontra é um grupo conspiratório que se dedica ao objetivo de trazer ao mundo o Anticristo.
O longa é dirigido e roteirizado por Arkasha Stevenson e protagonizado por Nell Tiger Free. O elenco ainda conta com a brasileira Sônia Braga, que interpreta Irmã Silva, a Madre Superiora de um orfanato.

Maldições
Porém, provavelmente o que há de mais comentado em relação ao “A Profecia” é a quantidade de ocorrências bizarras relacionadas à equipe do filme.
Antes mesmo do início das gravações, veio o primeiro acontecimento: o suicídio do filho de Gregory Peck, ocorrido logo depois de o ator aceitar interpretar o embaixador Robert Thorn.
Durante as filmagens, Peck teve o avião em que viajava para a Inglaterra atingido por um raio, assim como ocorreu com o produtor Mace Neufeld.
Um dublê ainda foi internado após ser atacado por cães rottweilers durante as gravações e outro membro da equipe morreu ao ser atacado por um tigre.
O acontecimento mais conhecido, no entanto, também é o mais assustador: John Richardson, designer de efeitos especiais, sofreu um acidente em uma rodovia na Holanda.
Liz Moore, sua acompanhante, morreu decapitada, como acontece com o fotógrafo Keith Jennings (David Warner) no filme.
Em seguida, ao sair do carro, o designer percebeu uma placa que indicava a cidade de Ommen (o título original do filme é “The Omen”) a 66,6 km.

BRUNO ÍNACIO

Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.