Com safra recorde e exportações, produção agropecuária deve subir

Setor agropecuário deve atingir R$ 855 bilhões em 2020, alta de 15,3% em relação a 2019

Faturamento do setor deve atingir R$ 855 bilhões em 2020

O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor agropecuário deve atingir R$ 855 bilhões em 2020, alta de 15,3% em relação a 2019, segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgada quarta-feira, 14 de outubro.
As projeções levam em conta dados de produção e preço analisados até setembro de 2020. A safra recorde de grãos e fibras e a desvalorização do real em relação ao dólar são os principais fatores que vão impulsionar o resultado desse ano.
A projeção para o VBP agrícola deve chegar a R$ 549,8 bilhões, 19,7% a mais do que em 2019, enquanto a receita da pecuária deve crescer 8,1% em 2020 na comparação com o ano passado, ficando em R$ 305,7 bilhões.

Soja e milho
A soja é uma das principais culturas que devem impulsionar a produção, com previsão de faturamento de R$ 232,2 bilhões, expansão de 27,4% frente a 2019, puxada pelo incremento de 4,3% na produção e alta de 22,2% nos preços.
Já o VBP do milho também terá crescimento de 28,3%. Há ainda estimativas positivas para as culturas do arroz (42,9%), café arábica (50,8%), feijão (19,1%) e trigo (58,3%), resultado tanto do aumento de produção como de preços.

Carne bovina
Os preços da carne bovina, por sua vez, devem garantir o crescimento do ramo pecuário. “A baixa disponibilidade de boi gordo para o abate explica a expectativa de queda de 3,6% na produção de carne bovina esse ano”, diz o Comunicado Técnico da CNA. No entanto, o VBP da carne bovina deve chegar a R$ 151 bilhões, uma expansão de 14,6% frente a 2019.

Suínos e ovos
Os setores de suínos e ovos também devem ter incremento de receita, de 17,7% e 16,2%, respectivamente, enquanto frango e leite devem ter baixas no VBP.

Governo quer ampliar acesso do produtor rural à assistência técnica

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) quer usar meios remotos para aproximar os serviços de assistência técnica e extensão rural (Ater) dos produtores agrícolas.
A meta do Programa Ater Digital é que, até 2030, metade dos agricultores familiares tenham acesso a orientações para aumento da produtividade, melhoria dos produtos cultivados e otimização de recursos, por meio de tecnologias de informação e comunicação (TIC).
Outros objetivos do programa são fortalecer e ampliar o Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural, por meio de um modelo inovador de governança, e promover a ampla utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) nas ações das empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e do agro brasileiro.
“O atendimento presencial não consegue abranger todo o quantitativo de estabelecimentos. Ao utilizar a tecnologia, com o emprego de aplicativos para celular, por exemplo, as empresas de Ater podem ampliar o seu alcance, perpassando as barreiras geográficas, conseguindo chegar lá na ponta, no pequeno agricultor. Queremos dobrar o número de produtores atendidos nos próximos dez anos”, descreveu o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Fernando Schwanke, durante o lançamento do programa, em seminário transmitido pela internet.

Meta
Se o Programa Ater Digital conseguir atingir a meta, as ações de assistência e extensão terão um público 2,7 vezes maior do que atualmente. Dados do Censo Agropecuário de 2017 indicam que somente 18,2% do total de agricultores familiares em todo o país têm acesso a esses serviços.
Em termos regionais, apenas o Sul está próximo da meta, 48,9% dos agricultores da região contam com a assistência. No Nordeste, a proporção é de 7,3% no Nordeste. No Norte, 8,8%, no Centro-Oeste, 16,4%. E no Sudeste, 24,5%.
O Mapa considera que o atendimento presencial dos agricultores nos moldes tradicionais é inviável pelo custo e logística em todo o território nacional. Mas o acesso à tecnologia digital também é um desafio. Dados coletados pelo Mapa no IBGE indicam que 71% dos habitantes do meio rural têm acesso à internet em casa.
“Nós temos aqueles que têm acesso a essas tecnologias, mas temos muita gente que não tem acesso e que precisa de políticas públicas que cheguem até eles”, reconhece a ministra da Agricultura, Teresa Cristina.
Nos próximos dois anos, o Mapa deverá investir R$ 40 milhões no programa para criar um portal do Programa Ater Digital para compartilhamento de informações e conhecimento, viabilizar a modernização da infraestrutura tecnológica das instituições públicas estaduais de atendimento e extensão rural, financiar o desenvolvimento de aplicativos e a capacitação dos extensionistas (responsáveis por apresentar tecnologias aos agricultores).
Segundo o ministério, cerca de R$ 25 milhões já foram empenhados após chamadas públicas para desenvolvimento de projetos ligados ao programa Ater.
A ministra Teresa Cristina avalia que a pandemia da covid-19 deixou evidente a urgência do programa. “Achávamos antes da pandemia que isso demoraria muito a chegar. Esse tempo chegou abruptamente. Temos que correr e trabalhar mais para fazer as coisas acontecerem”, disse.

Primeira fase do programa
Na primeira fase do programa, que ocorrerá nos anos 2020 e 2022, serão desenvolvidos cinco projetos específicos, entre os quais está a elaboração de um portal para possibilitar o compartilhamento de informações e conhecimentos sobre pesquisa e extensão nas áreas agrícolas demandadas pelos produtores rurais. A primeira fase do projeto deverá atender 100 mil pequenos produtores rurais.
Outros dois projetos terão foco na modernização da infraestrutura de Tecnologia de Informação (TI) das instituições públicas estaduais de Ater e no desenvolvimento de sistemas/aplicativos que promovam a melhoria da produtividade, da qualidade dos produtos agrícolas e a otimização de recursos.
O Ater Digital atuará ainda na capacitação dos extensionistas das Entidades de Ater Públicas para utilização dos recursos móveis de TI e também na implementação de 10 Hubs Pilotos de Informação e Gestão Tecnológica para Agricultura Familiar com o propósito de melhorar a interação entre pesquisa e extensão rural/assistência técnica.

Agricultores familiares
Proporcionar aos agricultores familiares o acesso a serviços de Ater, de forma ampla, continuada e com qualidade, é essencial para o desenvolvimento desse seguimento, pois busca melhorar a qualidade de vida das famílias rurais, por meio do aperfeiçoamento dos sistemas de produção e de mecanismo de acesso a recursos, serviços e renda, de forma sustentável.