Conheça a vida e o trabalho de Glauber Rocha em quatro pontos

No ano marcado pelos 40 anos da morte de Glauber Rocha, um dos maiores cineastas do país, o cinema brasileiro sofreu uma de suas piores tragédias: o incêndio no acervo da Cinemateca, em São Paulo, que ocorreu no fim de julho de 2021. Ainda não há um levantamento oficial das perdas, mas acredita-se que o incidente pode ter destruído o arquivo documental Tempo Glauber.
Considerado o principal nome do Cinema Novo, movimento artístico de temáticas sociais que inovou na linguagem cinematográfica, o diretor baiano foi o autor da célebre frase “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.
Morto em 22 de agosto de 1981, Rocha deixou como legado filmes prestigiados e premiados no exterior, como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Conheça a vida e obra de Glauber Rocha em quatro pontos:

Vida e formação
Nascido em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, em 14 de março de 1939, o cineasta se mudou para a capital com a família em 1947. No colégio em Salvador, teve contato com o teatro, escrevendo e atuando em peças, nas quais se destacou como um artista performático. Em 1959, ingressou na Faculdade de Direito da Bahia, onde participou do movimento estudantil e teve contato mais direto com o cinema nos cineclubes universitários.
Sua primeira experiência na produção de um filme foi no curta-metragem Um dia na rampa, de Luiz Paulino dos Santos. Ainda em 1959, rodou seu primeiro filme, o também curta O Pátio, em que já mostrava a linguagem experimental.

Carreira
Em mais de duas décadas de trabalho, Rocha produziu 18 filmes. Seu primeiro longa-metragem foi Barravento, de 1962. No ano seguinte, causou impacto com Deus e o Diabo na Terra do Sol, pelo qual recebeu uma indicação no Festival de Cannes. Em 1967, veio Terra em Transe, sua obra-prima e, no ano seguinte, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, que lhe rendeu o prêmio de melhor diretor em Cannes.
O último projeto de Glauber Rocha foi A Idade da Terra, lançado em 1980, um ano antes de sua morte. O longa foi motivo de polêmica no Festival de Veneza: o cineasta brasileiro, julgando ter sido injustiçado ao perder o Leão de Ouro de Melhor Filme, brigou com o vencedor, o diretor francês Louis Malle, quase chegando às vias de fato.

Cinema Novo
Glauber Rocha é considerado o principal nome do Cinema Novo, movimento artístico das décadas de 1960 e 1970 voltado para temáticas sociais, como a luta de classes e as dificuldades da classe trabalhadora — o que, em 1965, foi mais bem definido por Rocha no ensaio Uma estética da fome.
Em linguagem e estética, o Cinema Novo foi influenciado pelas correntes do Neorrealismo Italiano (de Roberto Rossellini e Vittorio De Sicca) e da Nouvelle Vague francesa (François Truffaut, Jean-Luc Godard).

Exílio

Com o embrutecimento da Ditadura Militar a partir de 1968, Glauber Rocha saiu do país em 1970. A partir de então, viajou o mundo para fazer filmes, mantendo sempre suas escolhas temáticas. Os primeiros trabalhos no exílio foram O Leão de Sete Cabeças, rodado na República do Congo, e Cabeças Cortadas, filmado na Espanha e censurado no Brasil. Ambos foram lançados ainda em 1970.
O cineasta permaneceu no exílio praticamente até o fim de sua vida. Morava em Portugal quando, em 1981, sofreu de uma broncopneumonia que o levou ao hospital. Chegou a ser transferido para o Brasil, mas morreu no dia 22 de agosto, vítima de uma septicemia.