Considerada uma das maiores poetisas e contistas da literatura brasileira, a goiana Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, traçou uma singular carreira como escritora. Isso porque o seu primeiro livro foi publicado somente em 1965, quando ela estava prestes a completar 76 anos de idade.
Cora Coralina teve o seu primeiro contato com a produção literária ainda na adolescência, quando, aos 14 anos, passou a escrever contos – alguns deles posteriormente publicados em jornais da cidade de Goiânia.
Apesar de ter estudado apenas até a quarta série, a escritora já apresentava senso crítico, intelecto avançado e sensibilidade lírica. Prova disso é que em 1907 passou a escrever para o jornal literário “A Rosa”, veículo em que publicou, em 1910, o famoso conto “Tragédia na Roça”.
Em 1911, mudou-se para Jaboticabal, no estado de São Paulo, com o marido Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, na época chefe de Polícia. Também residiu nas cidades de São Paulo (onde seu marido faleceu), Penápolis e Andradina.
Em 1956, retornou a Goiás e, ao completar 50 anos, afirma ter vivenciado uma verdadeira epifania, momento em que se autoconheceu de maneira profunda e deixou de sentir medo. Foi a partir dessa experiência que a escritora abandonou o nome de batismo e passou a usar o pseudônimo de Cora Coralina.
Esse momento também marcou uma nova fase da produção literária da autora. Ela passou a escrever muitos poemas, sempre com uma leveza bastante característica de suas obras.
Primeiro livro
Em 1965, saiu o seu primeiro livro: “Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais”, que ganhou bastante visibilidade, sobretudo, a partir de 1980, ano em que a obra foi elogiada pelo renomado poeta Carlos Drummond de Andrade, em texto publicado no Jornal do Brasil, em 27 de dezembro daquele ano.
Em 1976, 11 anos após a publicação de seu primeiro livro, Cora Coralina lança “Meu Livro de Cordel”. Em 1983, sai “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha”, apontado por muitos críticos literários como uma das maiores obras-primas dos anos 80.
Dois anos depois, a escritora publicou o seu primeiro livro de contos: “Estórias da Casa Velha da Ponte”. No mesmo ano, no dia 10 de abril, Cora Coralina faleceu, vítima de pneumonia.
Postumamente, foram lançados outros cinco livros da autora, sendo três infantis (“Meninos Verdes”, “A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu” e “O Prato Azul-Pombinho”) e dois de poesia (“Tesouro da Casa Velha” e “Vila Boa de Goiás”).
Cora Coralina deixou, na literatura brasileira, um imenso legado, tendo se tornado inspiração para muitos autores consagrados que surgiram depois. Ela enxergou o cotidiano de maneira poética e o transformou em arte, com muita força, sensibilidade e a experiência de quem observou o mundo por mais de sete décadas antes de colocar num livro aquilo que pensa e sente sobre
Ele Cursa pós-graduação em Filosofia e Direitos Humanos e em Política e Sociedade. É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto”, “Coincidências Arquitetadas” e “Devaneios e alucinações”, além de ter participado de diversas obras impressas e digitais.
É colaborador dos sites Obvious e Superela e responsável pela página “O mundo na minha xícara de café”.
