O AVC (derrame cerebral) é uma lesão cerebral causada por problemas na circulação. Geralmente ocorre por entupimento de uma artéria (AVC isquêmico), impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro; mais raramente, por rompimento de um vaso (AVC hemorrágico), com sangramento. Como o cérebro controla fala, força, visão e equilíbrio, o AVC pode causar fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar e alterações na visão, exigindo atendimento imediato. Para reconhecer os sinais, lembre-se da sigla SAMU: “sorria” (paralisia facial), “abrace” (fraqueza nos braços), “música” (dificuldade na fala) e “urgência” (busque ajuda rapidamente).
A prevenção é mais importante que o tratamento precoce. Embora muitos pensem no AVC como um problema “só do cérebro”, frequentemente sua origem está no coração. Principais fatores de risco: pressão alta, colesterol elevado, doenças cardíacas e a arritmia chamada fibrilação atrial.
A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia onde os átrios (câmaras superiores do coração) param de bater de forma coordenada e passam a “tremer”. Isso faz o sangue ficar parado, formar coágulos que podem viajar para o cérebro e causar AVC isquêmico. Pode ser silenciosa ou apresentar sinais como palpitações (“batedeira”) ou sensação de “coração descompassado”, falta de ar, cansaço excessivo e tontura.
A fibrilação atrial pode ser detectada pelo eletrocardiograma (ECG) e pelo Holter de 24 horas. Porém, como essa arritmia pode sumir e reaparecer sem aviso, exames pontuais podem não identificá-la. A melhor estratégia é buscar avaliação médica se sentir batedeira no peito, coração descompassado e mesmo sem sintomas, como rotina se apresentar fatores de risco como pressão alta ou diabetes. Atualmente, smartwatches também ajudam a monitorar o ritmo cardíaco por longos períodos e podem alertar caso identifiquem fibrilação atrial.
Após seu diagnóstico, avalia-se a necessidade, além da relação risco-benefício, do uso de medicações para evitar a formação de coágulos — os anticoagulantes — a fim de reduzir o risco de AVC. Além disso, podem ser necessárias medicações para controlar a frequência cardíaca e/ou para evitar que a arritmia retorne (antiarrítmicos). Em casos mais específicos, podem ser indicados procedimentos mais invasivos para reverter a arritmia.
A prevenção no dia a dia pesa muito: controlar a pressão, tratar diabetes e colesterol, manter peso saudável, fazer atividade física regular, reduzir álcool, não fumar e investigar ronco/apneia do sono quando houver suspeita. São medidas simples que protegem o coração, ajudam a prevenir a fibrilação atrial — e, por tabela, o cérebro. Se você teve palpitações frequentes ou já teve um AVC sem causa clara, vale procurar um médico: às vezes, dar atenção ao ritmo do coração é o que falta para mais saúde e bem-estar.
Dr. Bruno Maeda Fuzissima
CRM-SP: 200.701
Clínico Geral – RQE 119021
Cardiologista – RQE 119020
Santa Casa de Misericórdia de Ituverava
(16) 3830-1200

