Reler uma obra literária é sempre uma nova experiência. Um novo encontro com o texto pode proporcionar novas interpretações e trazer importantes detalhes que antes estavam escondidos.
Confira cinco livros que releio com frequência:
- Morangos Mofados (Caio Fernando Abreu)
Reler “Morangos Mofados” de tempos em tempos acabou se tornando um ritual para mim.
O livro de Caio Fernando Abreu é crítico, delicado e grita as angústias de toda uma geração. Indispensável. - Breve romance de sonho (Arthur Schnitzler)
A brilhante narrativa de Arthur Schnitzler, publicada em 1926, explora muito bem questões psicológicas do personagem central, um jovem médico que após sentir ciúmes de sua esposa, vive uma noite repleta de mistérios e fantasias.
Com uma roupagem moderna, a obra foi adaptada para o cinema pelo cineasta Stanley Kubrick, no filme “De olhos bem fechados”, lançado em 1999, com Tom Cruise e Nicole Kidman. - Água Viva(Clarice Lispector)
Em um dos seus textos mais introspectivos, Clarice Lispector explora a linguagem para falar, sobretudo, da ausência.
Sua personagem-narradora é uma pintora que estabelece, ainda que de forma dolorosa, uma relação muito intensa com a escrita após um rompimento amoroso.
A obra de Clarice Lispector é escrita em um intenso fluxo de consciência do início ao fim, com espaço para reflexões que vão desde o processo de sublimação alcançado por meio da arte até a complexidade das relações humanas. - Entre quatro paredes (Jean Paul Sartre)
Nessa obra clássica do filósofo existencialista, os personagens Joseph Garcin, Inês Serrano e Estelle Rigault acordam numa sala de espera após a morte e percebem, pouco a pouco, que o convívio forçado entre pessoas tão diferentes pode ser ainda mais assustador que as torturas físicas do inferno. - Bartleby, o escrivão (Herman Melville)
A narrativa escrita pelo mesmo autor de Moby Dick tem foco em Bartleby, um escrivão que de uma hora para a outra, sem motivo aparente, passa a se recusar a executar suas funções.
A cada pedido ou mesmo ordem, se limita a responder “preferia não” (I would prefer not to, no original), frase simples, mas com um significado tão instigante que o livro ainda hoje é bastante discutido em áreas como a filosofia e a psicanálise.
BRUNO ÍNACIO
Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.


