Diabulimia é transtorno alimentar comum entre os jovens diabéticos

Não é segredo que 2020 foi um ano marcado pela diminuição das atividades e aumento da ingestão de alimentos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) alertou para um transtorno alimentar relacionado à busca pelo emagrecimento – a diabulimia.
Esse transtorno é mais comum entre jovens com diabetes, sobretudo do gênero feminino, quando se pula ou deixa de tomar as doses de insulina com o objetivo de perder peso. A prática gera descompensação da glicose podendo acarretar risco de vida.
Os distúrbios alimentares são caracterizados por alterações no comportamento alimentar que são acompanhados de problemas físicos e psíquicos. Em jovens com diabetes tipo 1 são duas a três vezes mais frequentes, sendo a bulimia nervosa, o mais comum. No que se refere ao tipo 2, o transtorno alimentar mais frequente é o de compulsão alimentar.

Diabulimia
A Diabulimia é mais recorrente entre pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos que possuem diabetes tipo 1. Isso porque quando a pessoa começa a tomar a insulina, muitas vezes recupera parte do peso perdido inicialmente em decorrência da doença. Ao deixar de tomar as doses de insulina corretamente, provoca-se uma eliminação de calorias por meio da urina.
As pessoas com diabetes geralmente não conseguem basear suas escolhas apenas em sinais e desejos convencionais de fome, pois precisam de alimentos para ajudar a equilibrar os níveis de glicose no sangue. Isso tudo pode causar uma insatisfação com o peso e imagem corporal, levando a pessoa a querer manipular a dose de insulina na tentativa de perder peso.

Risco ao paciente
A endocrinologista Cláudia Pieper, membro do Departamento de Educação em Diabetes da SBD, explica que essa atitude pode ser um risco à saúde do paciente: “A diabulimia pode causar uma descompensação aguda da glicose, conhecida com o nome de cetoacidose diabética, levando a internações de emergência e, também, trazendo risco de vida”, afirma.
Cláudia Pieper explica sobre a importância de os familiares ficarem atentos a sinais como: sintomas depressivos, baixa de energia, falta de concentração, cansaço fácil, recusa a comer nos horários, resistência ao ato de aplicar insulina na frente de outras pessoas e diabetes sempre mal controlado.

Tratamento

O tratamento é feito por meio de equipe multidisciplinar treinada em transtornos alimentares e diabetes, composta por endocrinologista, psicoterapeuta especializado em terapia cognitiva comportamental, nutricionista e psiquiatra.
É necessário atendimento semanal do paciente e de seus responsáveis, tanto pelo psicólogo quanto pelo nutricionista, além do acompanhamento do endocrinologista para orientação do tratamento do diabetes.
“A educação em diabetes é uma das chaves para evitar o descontrole do peso e dos níveis de glicose no sangue”, enfatiza a Dra. Claudia, que completa: “A melhor forma é conversar com seu médico sobre suas ansiedades ou angústias em relação ao tratamento. O mais importante é não desistir e saber que diabulimia tem cura, mas é necessário acompanhamento e tratamento por profissionais treinados em transtorno alimentar”, observa.