Doria e Skaf empatados em nova pesquisa

João Doria e Paulo Skaf dividem a liderança na corrida para o governo de São Paulo. Ambos estão tecnicamente empatados. O emedebista tem 24% das intenções de voto, enquanto o tucano aparece com 23%. É o que mostra um levantamento da RealTime Big Data/ Record, realizado nos dias 10 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Na comparação com a pesquisa feita em agosto, Skaf perdeu um ponto percentual e Doria manteve o mesmo número.
Márcio França foi o candidato que mais cresceu de um mês para o outro. Ele passou de 4% em agosto para 8% agora, mas ainda está longe dos dois primeiros colocados. O petista Luiz Marinho manteve os mesmos 6% do levantamento anterior.
A pesquisa também mostrou que, à medida que o dia da eleição se aproxima, cai o número de indecisos. Eles eram 17% em agosto e agora são 12%.
Foram ouvidas 2 500 pessoas. O número da pesquisa no TSE é SP-08400-2018.

Toffoli começa a dar as cartas no STF
O ministro Dias Toffoli, novo presidente do STF, pediu para ir ao Plenário da Corte uma matéria importante em ano eleitoral, que definirá se os Diretórios Nacionais dos partidos são responsáveis por dívidas contraídas pelos Diretórios Regionais.
O artigo 15-A da Lei 9096/95 define que não é possível terceirizar os débitos, já que órgãos estaduais tem autonomia administrativa e financeira. Mas a aplicação não é bem essa: não há homogeneidade nas decisões de juízes e tribunais. Toffoli mandou para votação a ADC 31, do qual é relator, um dia antes de sua posse.

A hora dos extremos
Entre as muitas dúvidas a pairar nestas eleições de contornos inéditos, há pelo menos duas certezas neste momento. A primeira é que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, é o único com vaga assegurada no segundo turno. A outra é que o volume da campanha subiu de tom desde a saída de cena do ex-presidente e atual presidiário Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro da candidatura do petista, o congestionamento de candidatos à Presidência da República se dava entre as vozes mais comedidas do espectro ideológico — o Datafolha de 22 de agosto mostrava Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) empatados tecnicamente atrás de Bolsonaro e seguidos por Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo), todos com desempenho de um dígito.
Agora, o cenário passou a ser de polarização. Bolsonaro, Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), donos dos discursos mais extremados da campanha, hoje acumulam juntos quase 50% das intenções de voto, o equivalente a 60% dos votos válidos. Já os cinco candidatos mais próximos do centro têm apenas 30% das intenções, ou 40% dos votos válidos. Tecnicamente, porém, Haddad, Ciro, Alckmin e Marina estão empatados .
ESTRIDÊNCIA – Ciro: “cana” para o comandante do Exército
Desses últimos, Haddad é o que tem hoje mais chances de crescer. E não apenas porque registra um baixo índice de rejeição entre os candidatos mais bem posicionados, mas sobretudo pelo imenso potencial de votos que pode vir a colher no Nordeste, reduto de seu padrinho. Caso o poste de Lula consiga 45% dos votos na região — meta considerada modesta diante do histórico petista, acima de 50% nas duas últimas eleições —, isso significará que aos atuais 9 pontos que detém, segundo o Datafolha, Haddad acrescerá 10 pontos, chegando a 19% — um capital e tanto quando se leva em conta a fragmentação da atual disputa eleitoral.

Palocci diz que Lula atuou ‘diretamente’ em pedidos de propina
Ex-ministro da Fazenda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff, Antônio Palocci afirmou em depoimento ao Ministério Público que o ex-presidente petista cuidou, em alguns casos diretamente, de pedidos de propinas. A informação é do Jornal Nacional, da TV Globo. Palocci foi ouvido em 26 de junho deste ano por investigadores da Operação Greenfield, que apura irregularidades em fundos de pensão. Ele disse em depoimento gravado que Lula interferia nos fundos.
“Antes de ele ser candidato a presidente naquela campanha gloriosa de 2002 e quando pela primeira vez o PT elege um representante na Previ, portanto o PT não era governo, quem procura o presidente para procurar [sic] uma interferência nesse fundo é Emilio Odebrecht, em nome da Braskem, que tinha sociedade com os fundos e estaria tendo por parte desse representante do PT muitas dificuldades. Ele nos pede para interferir nisso. Foi o evento mais antigo de atuação [de Lula] que eu conheça”, afirmou o ex-ministro.
Já durante o governo, Palocci afirma que o ex-presidente teve atuações diretas em pedidos de propina após a descoberta do pré-sal, que causou, em suas palavras, um “clima de delírio político”.
“No governo federal, o pré-sal apareceu como passaporte para o futuro, como ele chamava. Ao final de seu governo, ele recebe um senhor bilhete premiado. O pré-sal se torna quase um motivo de delírio político no ambiente governamental. O presidente Lula começa a se desligar da parte legal de sua atuação como presidente e atuar diretamente no pedido de propina”, disse aos investigadores.
O ex-ministro diz ainda que Lula “sempre soube que tinha ilícitos e sempre apoiou financiamento ilícito de campanha”. “No caso do pré-sal ele começou a ter uma atuação pessoal”. Palocci também envolve o ex-presidente no caso da compra de caças pelo governo brasileiro. “O presidente chegou a assinar um protocolo com o presidente Nicolas Sarkozy [ex-presidente da França], no dia 7 de setembro, uma iniciativa completamente inadequada”, diz, por ter atropelado negociações técnicas. “Isso gerou todo o tipo de propina”, afirma. Posteriormente, o governo brasileiro acabou fechando a compra de caças com a Suécia.

Monitoramento de bancos continua a registrar crescimento de Bolsonaro
É muito cedo para avaliar que a facada em Jair Bolsonaro não lhe trouxe dividendos eleitorais. Apesar do Datafolha ter registrado apenas um leve crescimento na margem de erro, o que vem motivando as análises de que o atendado não favoreceu o candidato do PSL, o monitoramento de bancos indica o contrário. De acordo com os trackings realizados por instituições financeiras, a exemplo de BTG e XP, o ex-capitão está, sim, aumentando nas intenções de voto dos eleitores.
Nestes monitoramentos, Bolsonaro cresceu de quatro a cinco pontos (portanto, acima da margem de erro). Existem diferenças metodológicas entre estes levantamentos, mas seria mais cauteloso aguardar as novas pesquisas de Datafolha e Ibope antes de vaticinar o não crescimento de Bolsonaro.