Estudo afirma que adolescentes melhoraram alimentação na pandemia

Recente estudo sobre a alimentação de adolescentes do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha e Itália demonstraram que os hábitos alimentares dos jovens de 10 a 19 anos melhoraram consideravelmente durante o período de confinamento devido à pandemia da Covid-19.
O levantamento publicado no periódico científico Nutrients mostrou que a ingestão de legumes e frutas aumentou e o consumo de fast-foods caiu. No entanto, os doces também passaram a ser mais frequentes na alimentação dos adolescentes.
O Brasil foi o país que registrou mais destaque no consumo de legumes, e teve quase o dobro de ingestão da Espanha e Colômbia e aproximadamente o triplo do Chile; mas também o que mais mostrou o consumo de doces e carne processada. Se manteve baixa a ingestão de frituras, mas o fast-food, apesar de consideravelmente abaixo dos outros índices, foi mais consumido entre os jovens brasileiros, com níveis similares na Colômbia e Chile.
Dados
Os dados foram recolhidos de 820 jovens dos cinco países, onde, com relação ao padrão de consumo de hortaliças e frutas entre os adolescentes, a pesquisa mostra aumento de cerca de 8% – 43% deles consumiram vegetais todos os dias durante o confinamento, contra 35,2% que consumiam antes. Dentro de casa, consumiram pelo menos uma peça de fruta cerca de 33,2% deles, contra 25,5% antes da covid-19.
Quanto ao fast-food, o alimento pouco nutritivo foi consumido menos de uma vez por semana por 64% dos participantes durante o confinamento – anteriormente a porcentagem era de 44,6%.
O consumo diário de doces, porém, cresceu de 14% para 20,7% na pandemia. De acordo com a nutricionista Laís Monteiro, da Clínica Excellence, o estresse, a ansiedade e a mudança na rotina de sono foram fatores para o consumo de tais alimentos.

Descompensação do organismo
“A maioria passou a dormir e acordar mais tarde. O período encarado como ‘de férias’ no início da pandemia por muitos gerou uma descompensação do organismo. É como se fosse, muitas vezes, como uma válvula de escape para suprir uma questão emocional de insegurança e medo [gerada pela pandemia e confinamento]”, considerou. Por outro lado, o receio da contaminação também foi um dos fatores de motivação para a mudança dos hábitos dos adolescentes.
“Em primeiro lugar, estando os pais em casa, por mais que haja os aplicativos de entrega, o controle é maior e o desvio alimentar é mais limitado, já que agora podem cozinhar para a família.
Muitos filhos passavam grande parte do dia em escolas integrais, com a alimentação relaxada, o que contribuía para um mau hábito. Em segundo lugar, o medo [do vírus] também pode ser um dos fatores para buscar a melhora da imunidade, o que também incentivou a prática de atividades físicas”, afirmou.

Do refri para a água

Na casa da chef de cozinha Anna Caroline Lourenço Marra, 41 anos, mãe de Maria Luísa, 23 anos, e das gêmeas Maria Carolina e Mariana, 15 anos, a mudança apontada pelo estudo foi evidente. A mãe percebeu que, principalmente na alimentação das adolescentes, a mudança de hábitos foi “uma vitória”, segundo ela.
“Antes da pandemia era um hábito errado e desregulado, cheio de fast-food, mas agora passam a comer mais frutas, alimentos integrais e trocaram a comida errada pela certa. Trocaram até o refrigerante pela água”, relata.