Estudo identifica tipo de alimentação preocupante durante a pandemia

Na pandemia de Covid-19, o isolamento e o distanciamento social viraram regra — e com razão, uma vez que são eficazes em diminuir a transmissão do vírus. Mas, apesar de necessárias, essas medidas também causaram uma interrupção na rotina e nos hábitos diários, gerando consequências que se refletiram, por exemplo, no comportamento alimentar das pessoas.
Para entender a relação entre estresse, sofrimento psicológico, dificuldades financeiras e mudanças no comportamento alimentar durante a pandemia, cientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, realizaram uma análise de dados qualitativos e quantitativos coletados entre abril e maio de 2020.
Publicada no periódico International Journal of Eating Disorders, a pesquisa registrou seis comportamentos considerados não saudáveis: comer e petiscar sem pensar, maior consumo de alimentos, diminuição generalizada do apetite ou consumo nutricional, comer para lidar com os acontecimentos, redução no consumo nutricional relacionada à pandemia e um ressurgimento ou aumento considerável dos sintomas de transtorno alimentar.
Cerca de 8% dos 720 participantes afirmaram ter comportamentos extremos de controle de peso prejudiciais à saúde. Em 53% essas atitudes foram menos significativas, e 14% relataram compulsão alimentar. O estudo também revelou que esses resultados estão associados a estresse, sintomas depressivos e dificuldades financeiras.

Transtorno alimentar

Dos comportamentos detectados pela pesquisa, o transtorno alimentar é o que mais preocupa os especialistas, porque mata aproximadamente 10.200 pessoas por ano nos Estados Unidos — o equivalente a 1 óbito a cada 52 minutos. “É essencial que intervenções preventivas contra o transtorno alimentar e esforços para tratamentos sejam acessíveis e amplamente divulgados”, defende, em nota, Melissa Simone, autora principal do estudo.
Os pesquisadores também chamam atenção para o fato de que a maioria dos jovens adultos participantes é formada por diferentes etnias e vem de contextos de baixa renda, o que faz com que não tenham acesso aos serviços dos quais eles precisam. “Para garantir que as desigualdades de saúde não aumentem, nós precisamos identificar as necessidades dessas populações”, afirma a coautora Dianne Neumark‐Sztainer.