
Brasil vive momento de grande propagação de notícias falsas, sobretudo por meio das redes sociais
Todos os políticos corruptos do Brasil foram presos, e o Supremo Tribunal Federal manteve as prisões. Sem dúvida seria uma manchete que abalaria o brasileiro. Que bom que fosse verdade, mas vamos nos conformar, pois amanhã é 1º de Abril, Dia da Mentira.
Historicamente esta data sempre foi marcada por brincadeiras inofensivas, mas atualmente o Dia da Mentira pode ser encarado como um momento de reflexão sobre a nossa realidade. Isso porque as Fake News – notícias falsas, em tradução literal – nunca estiveram tão presentes em nosso dia a dia.
Elas estão por todas as partes e, comprovadamente, se espalham com mais facilidade do que as notícias verdadeiras. Geralmente se propagam através da internet, sobretudo em redes sociais como o Facebook e WhatsApp, e falam sobre política.
Recentemente isso ficou bastante visível no país. Com a execução da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, circularam diversas informações falsas a respeito dela, inclusive uma foto em que se afirmava que ela tinha sido casada com um dos maiores traficantes do Rio. Na foto – extraída de um banco de dados da internet – havia um casal, que na verdade não eram nem Marielle e nem o traficante.
Veracidade
Contudo, foram poucas as pessoas que buscaram se informar sobre a veracidade da foto. A maioria apenas a compartilhou e passou a reproduzir o discurso de que Marielle era casada com um traficante.
Investigações sobre Fake News relacionadas ao caso apontam que elas passaram a ser difundidas pelo MBL (Movimento Brasil Livre), grupo que, inclusive, de acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), é um dos maiores propagadores de notícias falsas do Brasil.
No caso, o MBL demonstrou ser capaz de colocar interesses políticos/partidários acima de qualquer tipo de ética e denegriu a imagem de Marielle ao invés de demonstrar solidariedade à família.
Eficiência
E o pior de tudo isso é que as Fake News, infelizmente, são eficientes no que se propõem (serem espalhadas e convencerem as pessoas de que algo falso é real).
Sem checar a veracidade do que recebem, milhares de pessoas compartilham mentiras em suas redes sociais, que, devido à grande repetição, acabam sendo vistas como verdade.
Este tipo de comportamento, cada vez mais comum entre a população mundial, acontece porque, com a urgência de como as notícias são transmitidas, fica difícil discernir entre o verdadeiro e o falso.
De acordo com a neuropsicóloga Samara Ribeiro, ao receber uma nova informação, várias áreas do cérebro são ativadas através do córtex pré-frontal, o responsável pelas funções executivas como tomada de decisão, controle inibitório, planejamento, memória e atenção, o que possibilita uma melhor assimilação e acomodação da nova notícia.
“Frente ao contexto social que vivemos, notícias absurdas chamam mais atenção do que as corriqueiras, tanto pela forma de divulgação, quanto pelo comportamento da pessoa ao receber a notícia, que pode ser emotivo ou frustrante”, afirma a especialista em transtornos neurocognitivos.
Prejuízos ao jornalismo
As Fake News também prejudicam o trabalho dos veículos de comunicação realmente comprometidos com a verdade. Isso porque cabe ao jornalista buscar informações para verificar a veracidade dos fatos e ouvir especialistas no assunto em questão. Isso, evidentemente, leva um tempo, ao passo que o mesmo procedimento é feito rapidamente por propagadores de Fake News.
Compartilhamento
Samara ainda alerta para o fato de, muitas vezes, as Fake News serem compartilhadas por pessoas de confiança, o que dificulta o questionamento. “Quem recebeu, automaticamente, irá compartilhar acreditando na veracidade do fato”, diz.
A neuropsicóloga Liane Orsi lembra que toda vez que somos expostos a novas informações, o cérebro vai atrás de memórias que ajudem a decodificar aquela mensagem. Mas, o sentido dado à novidade será baseado no que acreditamos.
“As Fake News exploram o nosso sistema de crenças. Elas são formuladas de uma maneira que chamem a atenção e ativem nossas emoções. Além disso, são intrusivas: entram na mente contra a nossa vontade, e o cérebro não sabe, imediatamente, se é verdade ou mentira”, destaca.
“A notícia gera ansiedade que desencadeia o estado de alerta, aciona mecanismos instintivos e o rebaixamento da consciência, o que justifica o comportamento impulsivo de passar à frente”, completa.

Confira dez dicas para não compartilhar notícias falsas
Busque a fonte
Toda notícia tem uma origem. Recebeu algo em um grupo de WhatsApp ou viu a informação em outra mídia social? Procure saber de onde ela vem antes de compartilhar. Uma rápida pesquisa no Google pode ajudar.
Questione quem te enviou
Uma das maneiras de saber a origem da informação é questionar quem te enviou. Se essa pessoa recebeu de outra ou de um grupo de WhatsApp, desconfie.
Cheque em fontes oficiais
Se você descobriu a fonte da sua notícia, avalie se ela é oficial. Existem muitos sites que compartilham notícias falsas. Procure as notícias em sites jornalísticos de credibilidade ou nos canais oficiais de comunicação de órgãos do governo.
Desconfie dos adjetivos
Adjetivos são palavras que qualificam ou caracterizam um substantivo (pessoa, coisa ou lugar). Desconfie de textos que abusam deste recurso, pois os textos jornalísticos possuem poucos adjetivos.
Evite o “mande para todos os seus contatos”
Muitas mensagens recebidas por meio das mídias sociais contém este pedido/ordem no final. Não compartilhe sem antes checar a veracidade da informação.
Confira a data
Muitas vezes, a notícia é verdadeira, mas aconteceu muitos anos atrás. Confira a data antes de compartilhar uma informação que parece nova.
Leia a notícia inteira
Muitas pessoas compartilham uma notícia após ter lido apenas o título. Antes de passar a informação para frente, tenha conhecido do conteúdo.
Não se deixe levar pela emoção
Às vezes, estamos muito irritados ou muito comovidos com determinada situação, que compartilhamos algo sem pensar direito. Isso pode ajudar a propagar notícias falsas. Controle suas emoções e busque a fonte da informação.
Tenha responsabilidade
Ao compartilhar uma informação no WhatsApp ou em outra mídia social você está se tornando o responsável por ela. Só compartilhe aquilo que for verdade, a não ser que você queira ser conhecido entre seus amigos como a pessoa que só publica mentiras.
Se tiver dúvida, não compartilhe
Se mesmo tendo procurado a fonte, você não tiver certeza daquela informação, não compartilhe. É melhor esperar até ter certeza do que ajudar a propagar uma mentira cujo alcance pode ser enorme.
