Falta de água evidencia ausência de planejamento na administração

Sede do SAAE em Ituverava

Prefeitura tem apresentado projetos polêmicos e falta de planejamento para atacar o problema

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) comunicou, nesta semana, que, “em decorrência das altas temperaturas a da falta de chuvas, seria iniciado racionamento de água no último dia 6 de outubro, das 12h às 18h”.
A medida é válida para os bairros Paulinho Lopes, Nosso Teto, Vila São Jorge, Parque das Nações, Vila são Francisco, Benedito Trajano Borges, Marajoara, Cohab, Cecap, CDHU, Jardim Primavera e Vila Celina. No comunicado, o órgão também alertou que a interrupção do fornecimento poderia ou não ocorrer em virtude da capacidade de recuperação dos reservatórios.
Na verdade, a falta de água já estava acontecendo em alguns setores da cidade, o que mostra a total falta de planejamento, pois, ao invés de procurar minimizar o problema, como a perfuração de poços e construção de reservatórios pela cidade, criou-se foi polêmica em 2019 no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), quando foi sancionada a Lei nº 4.561/2019, de autoria da administração municipal e sancionada pela prefeita Adriana Quireza Jacob Lima Machado.
Na prática, a lei pode inviabilizar o SAAE, como já alertava a Tribuna de Ituverava na época, já que poderia descapitalizar a autarquia e dava um “cheque em branco” para a administração, podendo fazer com que o SAAE entrasse em colapso financeiro.
Faltou à administração municipal transparência e planejamento, já que todos os projetos enviados à Câmara Municipal – inclusive esse que veio a se tornar a Lei nº 4.561/2019 – não apresentaram informações claras e precisas.
Na época, a Tribuna de Ituverava chegou a consultar advogados que comprovaram a suspeita de que poderia haver irregularidades na lei em questão.
O jornal também enviou uma série de perguntas ao SAAE sobre todas essas questões, no entanto, em mais um momento de falta de transparência, não obteve respostas.
Claro que, legalidade ou erros cometidos na Lei sancionada, quem deve analisar é o Ministério Público, que é soberano. Contudo, na questão da moralidade, é válido reforçar novamente sobre como desviar recursos de uma autarquia que estava superavitária, como se alegou na ocasião, para outras finalidades, senão pelas quais foi criada é, no mínimo, mostrar falta de visão administrativa.
Na época, em alguns locais da cidade já havia falta pontual de água que, e com o crescimento da cidade, a situação poderia se agravar ainda mais e exigir investimentos e recursos que poderiam faltar em um futuro muito próximo.
Diante do atual cenário, as consequências de todas essas ações já começaram a ser sentidas, e o exemplo é a constante falta de água em vários bairros. É claro que a seca contribui para isso, bem como o maior consumo quando as temperaturas estão elevadas, mas também demonstra falta de planejamento da administração municipal, que nestes quatros anos não se preparou para enfrentar o problema, que é um claro desrespeito ao contribuinte.

Superintendente do SAAE tenta justificar o problema na cidade

O Jornal da Clube, da Band, fez uma reportagem em Ituverava relatando os sérios problemas enfrentados pelos moradores decorrentes da falta de água. Conforme a reportagem, segundo um comunicado do SAAE, a interrupção da água nos bairros da cidade acontece das 12h às 18h. Mas “quando a água chega, está cheia de cloro”, reclama uma moradora.
Na reportagem, a superintendente do SAAE, Regina Cristina Silva Spirlandelli, disse que “foi preciso interromper o fornecimento por causa do consumo elevado, devido à pandemia e elevadas temperaturas, e fazia com que, em períodos do dia, os reservatórios baixassem de tal forma a ter de desligar as bombas para não danificar os equipamentos”, explica.
Mas na verdade, durante esta gestão, ou seja, há quase quatro anos, os moradores de Ituverava sofrem com a falta pontuais de água em suas casas. E porque a administração municipal levou tanto tempo para tomar as medidas para amenizar o sofrimento da população com o problema. Porque somente agora, faltando três meses para acabar mandato é que vai tomar providências? Todos os meses as contas de água chegam aos moradores, que pagam para terem água, mas, a realizada é bem diferente.
Para a população de Ituverava, resta apenas aguardar a boa vontade da administração municipal, que já deveria, há muito tempo, ter tomado providências em relação a questão, que é de sua atribuição, mas o que se vê é um mal planejamento diante de um problema tão sério.
E, para a superintendente do SAAE, em entrevista ao Jornal da Clube, resta justificar e pedi mais paciência à população, pois já não aguenta mais tanto descaso por parte da administração municipal. “Agora eu peço para a população a compreensão e paciência de que até a próxima semana vai ter um melhor resultado, pois a empresa que está perfurando já prometeu a entrega até o final da próxima semana”, pede a superintendente Regina.

Má administração
Essa situação demonstra as consequências da falta de planejamento de uma autarquia que é extremamente importante para a cidade, pois administra a água e o tratamento do esgoto, que são fundamentais para a saúde da população.
Devido às altas temperaturas registradas em Ituverava nas últimas semanas e falta de chuvas, é lamentável que os moradores da cidade sofram com a falta de água, algo tão básico e essencial à vida, mas, o fato mostra o desinteresse da administração municipal, que prefere tomar decisões que podem inviabilizar o SAAE, ao invés de investir na saúde e o bem-estar da população ituveravense, com projetos que possam beneficiar a autarquia.
A Tribuna de Ituverava, mais uma vez, reitera a importância de um planejamento bem feito, transparente e eficiente no SAAE, para que a autarquia funcione bem, realize obras necessárias e mantenha o abastecimento da cidade de maneira eficaz. Afinal, água é saúde.
Além da falta de água na cidade, que é motivo de reclamação da polução, outra questão relevante, e que evidencia a má gestão, é que existem vários loteamentos aprovados e outros para serem aprovados, que são fundamentais para o crescimento da cidade, mas, em nenhum momento foi divulgado um planejamento para levar água e estender a malha de esgoto para estes locais.

Estação de Tratamento de Esgoto

Outra fato preocupante é a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), uma das importantes obras do prefeito Mário Matsubara, que, com os novos loteamentos e crescimento da população também pode entrar em colapso.