
Mês de conscientização foca nas três doenças que têm como ponto em comum o fato de ainda não terem cura
O mês de fevereiro é alerta da campanha “Fevereiro Roxo”, voltada à conscientização, prevenção e disseminação de informações sobre o Lúpus, a Fibromialgia e o Mal de Alzheimer.
As três doenças são extremamente diferentes, mas têm algo em comum: todas comprometem a qualidade de vida do portador e dos familiares e cuidadores.
Elas também não possuem cura, até o momento, mas há tratamento especializado e os profissionais podem proporcionar um acompanhamento de forma a minimizar os danos e prevenir as perdas mantendo pelo maior tempo possível as capacidades funcionais.
A iniciativa tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre essas doenças, incentivar o diagnóstico precoce, fortalecer a garantia de direitos e estimular políticas públicas voltadas ao cuidado, à inclusão e à qualidade de vida das pessoas acometidas por essas condições.
Conheça mais sobre cada doença: Lúpus: quando o corpo ataca a si mesmo
O lúpus é uma doença autoimune, ou seja, ocorre quando o sistema de defesa passa a identificar células saudáveis como ameaças.
Esse processo pode gerar inflamações em diferentes partes do corpo, como pele, articulações, rins e pulmões.
Segundo o Ministério da Saúde, são reconhecidos dois tipos principais de lúpus: o cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele (geralmente avermelhadas ou eritematosas e daí o nome lúpus eritematoso), principalmente nas áreas que ficam expostas à luz solar (rosto, orelhas, colo ou a parte em “V” do decote e nos braços) e o sistêmico, que acomete um ou mais órgãos internos.
Principais sinais de alerta: manchas vermelhas no rosto (em formato de “asa de borboleta”); dores e rigidez nas articulações; densibilidade intensa ao sol; cansaço constante e febre baixa.
O tratamento precoce é fundamental para controlar crises e evitar complicações.
Na fase ativa da doença, são comuns queixas de febre sem ter infecção, emagrecimento e fraqueza, manifestações nos olhos, aumento do fígado, baço e gânglios.
O diagnóstico deve ser feito pelo conjunto de alterações clínicas e laboratoriais e não pela presença de apenas um exame ou uma manifestação clínica.
Já o tratamento do lúpus é individual, pois depende da manifestação apresentada por cada um dos pacientes
Seu objetivo é permitir o controle da atividade da doença, a minimização dos efeitos colaterais dos medicamentos e uma boa qualidade de vida aos seus portadores.
Fibromialgia: dor generalizada e impacto emocional
A fibromialgia é uma síndrome crônica marcada por dores no corpo inteiro, especialmente em músculos e tendões.
Ela também está associada a alterações no sono, fadiga e dificuldades cognitivas. A condição acontece porque o sistema nervoso passa a interpretar estímulos comuns como dor intensa.
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a enfermidade afeta 2,5% da população mundial, sem diferenças entre nacionalidades ou condições socioeconômicas.
A doença acomete mais mulheres do que homens entre 30 a 50 anos de idade, embora existam pacientes mais jovens e mais velhos. No Brasil, a doença atinge em torno de sete milhões de pessoas.
Sintomas mais comuns: dor persistente por mais de três meses; sono não reparador; exaustão física; dificuldade de concentração (“névoa mental”); ansiedade e depressão.
Embora não tenha cura, o tratamento multidisciplinar pode trazer grande melhora.
A fibromialgia não traz deformidades ou sequelas nas articulações e músculos, mas os pacientes apresentam uma má qualidade de vida. Dessa forma, o objetivo do acompanhamento é aliviar os sintomas.
Os autocuidados do paciente com fibromialgia são mais importantes do que as medicações, embora elas também tenham seu papel.
O principal tratamento é o exercício aeróbico, aquele que mexe o corpo todo e acelera os batimentos cardíacos, o que parece ser a melhor forma de reverter a sensibilidade à dor na fibromialgia.
As medicações são úteis para diminuir a dor, melhorar o sono e a disposição do paciente, a fim de permitir a prática de exercícios físicos.
Alzheimer: perda progressiva das funções cognitivas
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta o cérebro, provocando perda de memória e alterações no comportamento ao longo do tempo.
É a forma mais comum de demência e tende a surgir com mais frequência após os 60 anos.
Sinais iniciais incluem: esquecimento recente frequente; dificuldade em tarefas simples do dia a dia; desorientação no tempo e espaço; mudanças de humor sem motivo aparente.
A doença de Alzheimer evolui lenta e gradualmente, afetando cada vez mais regiões do cérebro e trazendo mais prejuízos para a vida do paciente, que, nos estágios finais, pode precisar de assistência para realizar funções básicas, como tomar banho.
Como as outras doenças combatidas no Fevereiro Roxo, o Alzheimer ainda não tem cura e o entendimento sobre o modo que afeta o organismo, apesar dos avanços dos últimos anos, continua sendo pouco.
É uma das doenças que mais cresce em diagnósticos no mundo. Um estudo da Universidade Johns Hopkins aponta que, até 2050, mais de 100 milhões de pessoas terão Alzheimer.
SUS – informação, acolhimento e cuidado
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento e tratamento para pacientes com Alzheimer, lúpus e fibromialgia, inclusive com a entrega de medicação.
Diante de suspeita das três doenças, as pessoas devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A partir daí, se for o caso, ele será encaminhado ao especialista.
Falar sobre lúpus, fibromialgia e Alzheimer é também combater o silêncio, o medo e a desinformação.
A campanha lembra que saúde é um compromisso coletivo e que buscar orientação médica diante de sintomas é sempre o melhor caminho.
Se perceber sinais ou tiver dúvidas, procure uma unidade de saúde e converse com um profissional.
