Funcionários dos Correios entram em greve

Agências de Ituverava e região aderem à paralisação; categoria quer impedir a redução dos salários e de benefícios

Funcionários dos Correios (posto da Estação), no início da greve

Os funcionários dos Correios Ituverava e da Região de Ribeirão Preto entraram em greve por tempo indeterminado. A greve foi decretada na noite de terça-feira, 11 de setembro, em assembleias realizadas em diferentes estados do país.
A categoria quer impedir a redução dos salários e de benefícios, e é contra a privatização da estatal, que foi incluída no mês passado no programa de privatizações do governo Bolsonaro.
O reajuste salarial de 0,8%, é um dos principais pontos reclamados pela categoria. No entanto, os trabalhadores querem também a reconsideração quanto a retirada de pais e mães do plano de saúde, melhores condições de trabalho e outros benefícios.
“A decisão foi uma exigência para defender os direitos conquistados em anos de lutas, os salários, os empregos, a estatal pública e o sustento da família”, afirmou em nota a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect).

Encontros
Em nota em sua página na internet, a o Findect informou que a greve foi decretada em São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Maranhão e na maioria dos estados do país. A direção dos Correios a firmou ter participado de 10 encontros com os representantes dos trabalhadores para apresentar propostas dentro das condições possíveis, “considerando o prejuízo acumulado na ordem de R$ 3 bilhões”.
“O principal compromisso da direção dos Correios é conferir à sociedade uma empresa sustentável. Por isso, a estatal conta com os empregados no trabalho de recuperação financeira da empresa e no atendimento à população”, informou a estatal.

Reivindicações
Este é o terceiro ano consecutivo que os funcionários de Ribeirão Preto aderem à greve. Segundo a diretora do Sintect, Fernanda Romano, os grevistas protestam contra a redução dos salários e a privatização da estatal, que foi incluída no programa de privatizações do governo Jair Bolsonaro.
“Estamos sem acordo coletivo, porque venceu, e a empresa quer aplicar CLT. Isso implica em uma redução de 50% do nosso salário”, diz Romano.
A diretora diz que a greve não tem previsão para acabar, mas reforça que o serviço continuará a ser feito. Segundo Fernanda, podem ocorrer atrasos nas entregas, mas elas não deixarão de ser realizadas.
“A paralisação é parcial em todas as unidades. Todas têm trabalhadores parados, mas nenhuma fechada. [O trabalho] vai ser feito um pouco mais devagar, mas está sendo feito. Estão sendo prestados todos os serviços”, afirma.

Ituverava
Em Ituverava, os carteiros também estão em greve por tempo indeterminado, caso as negociações não avancem. No entanto, a Central de Postagem continua funcionando normalmente.

Procon orienta usuários sobre a greve dos Correios

Em decorrência da greve, o Procon-SP, vinculado à Secretaria da Justiça e Cidadania, elaborou algumas orientações importantes para o consumidor se precaver.
Por exemplo, o consumidor que contratar serviços dos Correios, como a entrega de encomendas e documentos, e não forem prestados, tem direito a ressarcimento ou abatimento do valor pago. Nos casos de danos morais ou materiais pela falta da prestação do serviço, cabe também indenização por meio da Justiça.
Em casos de ter adquirido produtos de empresas que fazem a entrega pelos Correios, elas são responsáveis por encontrar outra forma para que os produtos sejam entregues ao consumidor no prazo contratado. Empresas que enviam cobrança por correspondência postal são obrigadas a oferecer outra forma de pagamento que seja viável ao consumidor, como internet, sede da empresa, depósito bancário, entre outras.
Faturas e boletos
Não receber a fatura, boleto bancário ou qualquer outra cobrança, não isenta o consumidor de efetuar o pagamento. Em caso de não recebimento de boletos e faturas, por conta da greve, o consumidor deve entrar em contato com a empresa credora, antes do vencimento, e solicitar outra opção de pagamento, a fim de evitar a cobrança de eventuais encargos, negativação do nome no mercado ou ter cancelamentos de serviços.
O consumidor que tiver dúvidas ou quiser fazer uma reclamação, deve procurar o Procon de sua cidade. Em Ituverava, o Procon está localizado à Rua Cel. Irlandino Barbosa Sandoval, 10 – Centro.