Inteligência artificial pode prever novas tendências em alimentação

Todos os dias, bilhões de pessoas fazem escolhas sobre alimentação. Uma decisão aparentemente simples gera padrões que formam uma cultura alimentar — diferente em cada país, região e até mesmo em bairros de uma mesma cidade. É nessas tendências que a Spoonshot, empresa de inteligência e inovação no setor de alimentos está interessada.
Presente nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, a companhia indiana usa inteligência artificial para identificar novas necessidades em alimentação, mapear movimentos, desenvolver conceitos e transformar dados em oportunidades de inovação.
“A inovação em alimentação é diferente de qualquer outro tipo de inovação. Tem que ser experimentada, tem que ser provada em termos de sabor. Há muito tempo e energia gasto em fórmulas, testes de saúde e segurança, controle de qualidade, produção. Todos esses fatores coisas devem ser levados em conta”, afirma o CEO e co-fundador da Spoonshot, Kishan Vasani.
A empresa, que tem entre seus clientes gigantes como o McDonald’s, criou um sistema de inteligência artificial que ganhou o nome de “food brain”, ou “cérebro da comida”. O sistema é baseado em 28 mil fontes de dados. “Para dar um exemplo, o que vemos nas redes sociais é uma dessas fontes”, explica Kishan.

Food brain
Além disso, a Spoonshot também abastece seu food brain (alimentos que contribuem para o bom funcionamento do cérebro, dando mais energia no dia a dia e reduzindo os riscos de doenças neurodegenerativas. ) com informações de fóruns, blogs, notícias, receitas, cardápios, produtos, estudos sobre o agronegócio, artigos científicos, notícias sobre legislação e pesquisas de mercado. “Tudo o que for de domínio público e que esteja relacionado a alimentos e bebidas será rastreado e analisado”, diz o CEO.
Depois que as informações são computadas e organizadas, já é possível ter alguns insights (discernimento) . É na próxima etapa que entra a inteligência artificial. A empresa conta com um time de especialistas em alimentação que trabalham junto com os cientistas de dados para ajudar os algoritmos a aprenderem tudo sobre o mundo da comida, dos hábitos de alimentação à química dos ingredientes.

Sistema
“Depois, o sistema junta os pontos: um post no Twitter com um vídeo do YouTube, com uma receita em um site, com um comentário no Instagram, com um artigo de pesquisa em outro site. É dessa maneira que chegamos às grandes tendências”, afirma Kishan.
Em qualquer mercado onde entram, contam com especialistas em alimentação local para ajudar a compreender os dados. Isso determina o nível de profundidade que o sistema terá e, consequentemente, aumenta as chances de acerto dos insights, reduzindo a taxa de erro nos processos de inovação das empresas.
A Spoonshot tem em seu sistema 57,7 milhões de menus, 4,23 milhões de receitas e 5,3 milhões de artigos de pesquisa, além de 2,4 bilhões de interações em redes sociais, entre outros dados.

Tendência
A tendência, diretamente relacionada à saúde, foi fortemente influenciada pela pandemia de Covid-19, segundo relatório da Spoonshot. O conceito se refere à maneira como a interação entre nutrientes originários de diferentes alimentos aumentam (ou, em alguns casos, diminuem) a absorção desses nutrientes pelo organismo.
Segundo a empresa , depois que estudos preliminares mostraram que pessoas com melhor imunidade estavam menos sujeitas a sofrer efeitos severos da Covid-19, houve um aumento de interesse por alimentos com vitamina C. Também aumentou o foco em alimentos que oferecem a combinação entre zinco e vitamina C, já que essa sinergia alimentar aumentaria ainda mais a imunidade do organismo.

Leites vegetais
O interesse dos consumidores por leites vegetais aumentou em 9% neste ano, na comparação com o ano passado (no caso das empresas, a taxa foi de 22%). A Spoonshot acredita que, no futuro, os leites vegetais poderão vir também de outros grãos, como a cevada, por exemplo, que hoje é mais utilizada na produção de cervejas.
Nos mercados onde a empresa atua, o principal leite vegetal é à base de amêndoa, seguido de aveia, soja, castanhas de caju e coco. A empresa também aposta que a diversificação dos grãos utilizados na produção de leite vegetal pode reduzir o preço desses produtos, tornando-os mais acessíveis a uma parcela maior da população.

Reaproveitamento

Por definição, Up-cycling é o reaproveitamento ou reutilização de objetos, produtos, matérias-primas e outros componentes.
No caso do setor de alimentação, as empresas vão procurar maneiras cada vez mais sustentáveis de utilizar seus subprodutos (aquilo que “sobra” dos processos de manufatura), para aplicá-los em outros processos ou até mesmo fabricar novos produtos. A empresa dá como exemplo a CaPao, uma marca de alimentos que resgata sobras das cascas do cacau — que seriam consideradas “resto” e jogadas fora — para produzir um biscoito doce.