Ituverava teve 155 postos de trabalho fechados em 2020

Resultado, referente ao período de janeiro a maio, reflete impactos do novo coronavírus para a economia

Fotos de arquivo do centro de Ituverava

O impacto da pandemia do novo coronavírus na economia tem sido devastador no mundo todo. No Brasil, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo Ministério da Economia nesta semana, 1.144.875 postos de trabalho foram fechados entre janeiro e maio de 2020, pior resultado desde 2010. Somente em maio foram 331.901 desligamentos.
Em Ituverava, os números também são negativos. De acordo com o Caged, de janeiro a maio – ocorreram 655 admissões e 810 desligamentos, o que resulta em 155 postos de trabalho fechados. Maio foi o pior mês: 49 admissões e 152 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 103 vagas. A situação é bem diferente da do ano passando, quando no mesmo período Ituverava teve um saldo de 122 novos postos de trabalho criados.
Das vagas fechadas em 2020, a maioria está concentrada no comércio (87 postos de trabalho deixaram de existir). Em seguida vêm serviços (34) e indústria (31). O setor de construção foi o menos afetado: apenas um posto de trabalho foi fechado.

Região
Orlândia, segundo maior município da microrregião, registrou um saldo negativo de 174, com 2.152 admissões e 2.326 desligamentos. No ano passado, no mesmo período, o saldo também era negativo: 120 postos de trabalho haviam deixado de existir.
Miguelópolis teve 447 admissões e 601 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 154. No ano passado, o saldo também havia sido negativo neste período, mas muito mais ameno: apenas três vagas excluídas.
Buritizal, que no ano passado gerou 127 novas vagas de emprego, nesse ano apresenta saldo negativo de 2 vagas, com 323 admissões e 325 desligamentos.

Cidades com saldo positivo
Há municípios, no entanto, que têm sido muito menos impactados pela crise. É o caso de São Joaquim da Barra. A maior cidade da microrregião gerou 310 novos postos de trabalho em 2020 (1.599 admissões e 1.289 desligamentos), número próximo ao do mesmo período do ano passado (389 novos postos de trabalho).
Guará é outro município com bons resultados: 281 novos postos de trabalho, com 642 admissões e 361 desligamentos. O saldo é ainda melhor que o de 2019, quando foram 43 novas vagas.
Aramina também apresenta saldo positivo, com 110 novos postos de trabalho criados, com um total de 195 admissões e 85 desligamentos. No ano passado, o número era 131.
Igarapava, que em 2019 teve 359 novos postos criados, agora tem 272, com 1.314 admissões e 1.042 desligamentos.
Jeriquara teve 43 novos postos de trabalho em 2020, com 194 admissões e 151 desligamentos. O número é próximo ao de 2019, quando obteve saldo de 56 vagas.

Ituverava em decadência

A situação de Ituverava é preocupante, pois a Tribuna de Ituverava tem alertado que, ao longo de anos, o município já vinha perdendo a capacidade de crescer em relação a região, e deixou o posto de referência da Alta Mogiana, como foi no passado.
Hoje, São Joaquim da Barra, cidade do mesmo porte que Ituverava, está bem à frente economicamente, com um comércio forte e maior renda, inclusive em número de habitantes. Um dos fatores que pode confirmar esta constatação é o saldo positivo de contratações da cidade vizinha, que praticamente é o mesmo anterior à pandemia.
Ituverava, este ano, não só deixou de criar novas oportunidades de emprego, como teve uma redução significativa no número de trabalhadores com carteira assinada.
Uma das desvantagens em relação a São Joaquim da Barra é que, apesar do comércio de Ituverava ser bem diversificado, onde se pode encontrar praticamente tudo que o consumidor necessita, enfrenta um prejuízo enorme causado pelo pedágio localizado às portas do município, com uma das maiores tarifas do Estado, em que as pessoas optam em fazer suas compras em outras cidades.

Franca e Ribeirão Preto também tiveram resultados preocupantes

Vista aérea de Ribeirão Preto

Ribeirão Preto e Franca estão entre as 24 cidades do país que mais fecharam postos de trabalho em 2020, segundo dados do Ministério da Economia.
Um ano depois de os municípios listarem entre os cinco do Estado de São Paulo que mais geraram oportunidades, 14.106 pessoas perderam o emprego entre janeiro e maio nas duas localidades, de acordo com os registros do Governo Federal.
Os déficits acumulados são piores que os de cidades como João Pessoa (PB), Niterói (RJ) e São José do Rio Preto (SP), por exemplo, e acima de municípios como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG) e Campinas (SP).
Somente no mês passado, o total de empregos com carteira assinada perdidos foi de 6.145. Os números resultam em baixas que variam entre 3,46% e 7,71% no estoque de vagas, ou seja, no total de pessoas que atualmente encontram-se empregadas nessas cidades.

Ribeirão Preto
Em maio, Ribeirão Preto perdeu 2.368 postos de trabalho, com quase o dobro de demissões – 6.011 – em relação às admissões, de 3.634.
No mesmo período do ano passado, até então considerado um dos piores da série histórica, a cidade acumulou saldo de 18 vagas.
Desde janeiro, a cidade fechou 7.523 postos de trabalho, contra 2.459 em 2019, o que repercute em uma baixa de 3,46% no estoque de pessoas empregadas, hoje com um total de 209.877.
O déficit de maio é inferior ao de abril, o pior desde o início do ano, que chegou a ter saldo de 1.292 vagas em fevereiro.

Franca
Em Franca, maio terminou com um déficit de 3.777 empregos, resultante de demissões – 4.971 – mais que quatro vezes maiores que as admissões, de 1.194. Em 2019, no mesmo mês, a cidade acumulou um saldo de 79 postos com carteira assinada.
No acumulado do ano, a cidade tem um déficit de 6.583 oportunidades, diante de 5.097 vagas abertas um ano antes. Com isso, Franca tem 78.747 pessoas empregadas, 7,71% a menos que no início de 2020. As perdas no mercado de trabalho estão abaixo das registradas em abril. Em janeiro, o município chegou a criar mais de 2 mil oportunidades.

Governo Federal afirma que país deve ficar esperançoso

Secretário especial de Previdência e Trabalho Bruno Bianco

Para o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, ainda que os números não sejam motivo de comemoração, o Brasil pode ficar esperançoso, uma vez que, segundo ele, as medidas tomadas pelo governo para minimizar os efeitos da crise do novo coronavírus têm sido “corretas”.
“Podemos ficar esperançosos porque o Brasil começa sua retomada. As medidas implantadas estão sendo corretas, bem focalizadas e estão trazendo os resultados que o Brasil precisa no enfrentamento da pandemia”, afirmou.
Para o governo, são positivas as comparações com os números de abril. Em maio, as contratações caíram 48% em relação ao mesmo mês de 2019, mas subiram 14% na comparação com abril. O crescimento mensal se deu em todos os setores, com destaque para construção (41,5%), agricultura (28%) e comércio (20,7%).
As demissões caíram 21% em relação a maio do ano passado e 31,9% na comparação com abril. A redução se deu especialmente no comércio (-36%), na indústria (-33,7%) e nos serviços (-33,1%).

Cinco regiões
As cinco regiões do país perderam vagas com carteira assinada em maio. Proporcionalmente, o pior resultado foi registrado no Sul, com redução de 1,1% — ou -78.667 postos de trabalho. No Sudeste, foram fechadas 180.466 vagas com carteira assinada (-0,92%).
Na sequência, vêm Nordeste (-0,82%, -50.272 empregos), Norte (-0,58%, -10.151 empregos) e Centro-Oeste (-0,39%, -12.580 empregos).
Dos 27 Estados, apenas o Acre abriu vagas em maio: foram 1.127 novos empregos. Entre os Estados com piores resultados estão Rio Grande do Sul (-32.106 empregos), Rio de Janeiro (-35.959 empregos), São Paulo (-103.985 empregos) e Minas Gerais (-33.695 empregos).

Informalidade atinge quase 30 milhões
A taxa de informalidade no Brasil subiu de 34,5% na última semana de maio para 35,6% na primeira semana de junho, atingindo 29,8 milhões de brasileiros. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Covid-19 divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O levantamento, feito com o apoio do Ministério da Saúde, é uma versão da Pnad Contínua que busca identificar os impactos do coronavírus no mercado de trabalho.
O IBGE também estimou que, na primeira semana de junho, 170 milhões de pessoas estavam em idade para trabalhar, mas somente 83,7 milhões estavam ocupadas. Na comparação com a última semana de maio, esses números permaneceram estáveis, e apontam que menos da metade (49,3%) estava trabalhando no início deste mês.
Além disso, caiu de 14,5 milhões para 13,5 milhões o número de pessoas ocupadas que estavam temporariamente afastadas do trabalho (em quarentena ou férias coletivas) devido ao isolamento social. Isso representa 16,1% do total de empregados do país.