Janeiro Branco alerta sobre importância de cuidados com a saúde mental

É preciso cuidado com a saúde mental

A campanha chega a sua nona edição em 2022, com o slogam “O mundo pede Saúde Mental”

Um novo ano se inicia, e para tornar esse momento em um verdadeiro recomeço, o “Janeiro Branco” chega para reforçar a sensibilização da população sobre a importância dos cuidados com a saúde mental.
Criada em 2014, a campanha chega à sua 9ª edição em 2022 fazendo um alerta à humanidade: em tempos de prolongada pandemia, de crises sanitárias, sociais, políticas, ecológicas e econômicas em escala global: “O mundo pede Saúde Mental”. Com esse slogam, neste ano o movimento dará mais evidência ao assunto com ações educativas, preventivas e de conscientização.

País mais ansioso do mundo
De acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo (9,3%) e o segundo maior das Américas em depressão (5,8%).
A saúde mental representa mais de 1/3 da incapacidade total no mundo, com transtornos depressivos e ansiosos como maiores causas – os quais respondem, respectivamente, pela 5ª e 6ª causas de anos de vida vividos com incapacidade no Brasil.
Ainda segundo a OPAS, entre 35% e 50% das pessoas com transtornos mentais em países de alta renda não recebem tratamento adequado e, nos países de baixa e média renda, o percentual é ainda maior, ficando entre 76% e 85%.

Transtornos mentais
Existem diversos tipos de transtornos mentais, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), eles geralmente são caracterizados por uma combinação de pensamentos, percepções, emoções e comportamento anormais, que também podem afetar as relações com outras pessoas.
Entre os transtornos mentais, estão a depressão – doença que afeta 4,4% da população mundial, o transtorno afetivo bipolar, a esquizofrenia e outras psicoses, demência, deficiência intelectual e transtornos de desenvolvimento, incluindo o autismo.
No mundo, quase 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com transtorno mental. Entre elas, 3 milhões morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma a cada 40 segundos por suicídio. Essas mortes ocorrem, muitas vezes, por algum transtorno que a pessoa nem sabe que tem e a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, com os reflexos da pandemia, esses números devem piorar.

Pandemia de Covid-19 agravou casos de saúde mental
Durante a pandemia de Covid-19, a saúde mental da sociedade se tornou emergência pública em todo o mundo. O cenário acentuou o sofrimento psíquico na população provocado pelas restrições estabelecidas, isolamento, medo constante de contágio, risco de propagação da doença e suas possíveis consequências, principalmente em quem já tinha fatores preexistentes.
A redução de estímulos, perda de renda pela impossibilidade de trabalhar e alterações significativas na rotina também geraram forte impacto na vida das pessoas. Fatores que influenciam o impacto psicossocial estão relacionados à magnitude da epidemia e ao grau de vulnerabilidade em que a pessoa se encontra no momento.
Uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realizada no ano passado demonstrou que casos de depressão dobraram no período de quarentena e que ocorrências de ansiedade e estresse, tiveram aumento de 80%.
Os dados demonstram a relevância de se ampliar o debate e as estratégias para enfrentamento desse panorama, sendo também um desafio para a saúde suplementar.

Campanha
O Janeiro Branco foi criado por um grupo de psicólogos de Uberlândia (MG), em alusão às tradicionais comemorações das festas de fim de ano, quando as pessoas costumam realizar balanços das ações individuais e planejar, para o próximo ciclo de 12 meses, novas resoluções e metas.
De acordo com os idealizadores, de maneira simbólica, o primeiro mês do ano é reservado como uma “página em branco” para que novas práticas sejam reescritas, objetivando o bem estar da saúde mental.
A campanha tem o intuito de chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à Saúde Mental e Emocional das pessoas e das instituições humanas. Uma humanidade mais saudável pressupõe uma cultura da Saúde Mental no mundo.

Confira algumas recomendações:

Reconheça e acolha seus receios e medos, procurando pessoas de confiança para conversar;

Retome estratégias e ferramentas de cuidado que tenha usado em momentos de crise ou sofrimento e ações que trouxeram sensação de maior estabilidade emocional;

Invista em exercícios e ações que auxiliem na redução do nível de estresse agudo (meditação, leitura, exercícios de respiração, habilidades manuais);

Invista e estimule ações compartilhadas de cuidado, evocando a sensação de pertencimento social (como as ações solidárias e de cuidado familiar e comunitário)

Mantenha ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas;

Evite o uso do cigarro, álcool ou outras drogas para lidar com as emoções;

Busque um profissional de saúde quando as estratégias utilizadas não estiverem sendo suficientes para sua estabilização emocional.

Cuidados e recomendações

A Fiocruz lançou no ano passado uma série de cartilhas com recomendações para o enfrentamento dos desafios à saúde mental e atenção psicossocial no contexto da pandemia.
Nas publicações, destinadas a grupos específicos como trabalhadores dos serviços de saúde, gestores, psicólogos hospitalares, crianças, cuidadores de idosos, são descritas, por exemplo, reações comportamentais mais frequentes, danos psicológicos oriundos do confinamento e apresentam dicas sobre o uso de medicamentos e consumo excessivo de informações.