Julho Verde reforça importância da prevenção do câncer de cabeça e pescoço

É importante que se faça exames precoces

De acordo com a OMS, o câncer de cabeça e pescoço é o nono tipo mais comum no mundo

O Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço é 27 de julho. Visando chamar a atenção para a prevenção desse tipo de câncer, que é responsável por cerca de 10 mil mortes a cada ano no país, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), que vem há 50 anos buscando o melhor para a prevenção e tratamento da doença, lançou a campanha Julho Verde.
A campanha foi iniciada em 2016 pela SBCCOP e o Inca, que centraliza a parte do controle oncológico no país, e acabou sendo um dos grandes propagadores da prevenção. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de cabeça e pescoço é o nono tipo mais comum no mundo.
O dia 27 de julho foi escolhido durante o 5º Congresso Mundial da Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço, realizado em Nova Iorque (EUA), em 2014. O evento reuniu especialistas de todo o mundo.

Conscientização
Especialistas e entidades médicas querem conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce. “Isso é o mais urgente, principalmente porque o medo do novo coronavírus levou muitas pessoas a parar de fazer a prevenção”, afirma o médico Bruno Albuquerque, da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e do Hospital Central da Aeronáutica.

Tipos de câncer
O Inca estima que, no total, devem ser diagnosticados 685 mil novos casos de câncer no Brasil no triênio 2020/2022, incluindo todas as áreas da doença. O câncer de cabeça e pescoço é o quinto mais incidente no país tanto em homens quanto em mulheres.
O médico Bruno Albuquerque afirmou que cânceres de cabeça e pescoço representam 8% e 10% do total, e abrangem a cavidade oral: língua e boca, laringe, faringe, seios paranasais, cavidade nasal, glândulas salivares, ossos da face, tireoide e pele.
O principal tipo de câncer nos homens é o de boca e, nas mulheres, o de tireoide. Para o câncer de boca, o principal é evitar tabagismo (fumo) e etilismo (álcool). Somados, os fatores aumentam em mais de 30 vezes a chance de ter câncer na cavidade oral.

Prevenção
“A melhor forma de evitar é eliminar o tabagismo e o etilismo e manter uma boa higiene na cavidade oral, evitando também a desnutrição, que é um dos fatores que podem desencadear mutações genéticas e desenvolver o câncer nessa região”, destacou o especialista.
Outra recomendação é evitar o uso de próteses dentárias mal adaptadas, que causam trauma crônico na região da boca e podem ter uma cicatrização viciosa. “Também podem ser fator de risco”.
O médico explica que, devido ao retardo no diagnóstico por desconhecimento da população, 70% dos pacientes já são diagnosticados em estado avançado e, por isso, os médicos não conseguem agregar nenhum tipo de tratamento curativo.
Qualquer lesão na boca e na garganta que dure mais de três semanas, segundo Albuquerque, merece uma investigação por parte do profissional que trata de saúde bucal. O mesmo ocorre em relação ao surgimento de qualquer caroço no pescoço, que também dure mais de três semanas. “São lesões suspeitas que vão necessitar de avaliação de especialista em cirurgia de cabeça e pescoço”.
Como cabeça e pescoço são áreas muito sujeitas à exposição solar, o médico recomendou que se evite, ao máximo, a exposição ao sol nos períodos de maior intensidade da radiação, principalmente pessoas com peles mais claras, que acabam tendo peles mais sensíveis para esse tipo de tumor. “O uso do protetor solar e a redução da exposição ao sol são medidas muito eficazes”, recomendou o médico.

Mitos
Albuquerque assegurou que a teoria que o uso de enxaguantes bucais provocaria câncer de boca e garganta é mito. Ele sugere, porém, que se evite enxaguantes bucais com base em álcool, porque o álcool pode causar danos na mucosa da cavidade oral, da orofaringe. Contudo, ressaltou que essa é apenas uma orientação e que não há comprovação científica que enxaguantes bucais com álcool provoquem câncer.
Em relação a cirurgias de retirada da laringe, o risco de a pessoa não voltar a falar vai depender da localização e da fase de envolvimento do tumor. “Hoje em dia, temos terapêuticas que são minimamente invasivas e que conseguem preservar a parte funcional. Mas, no geral, quando os tumores são detectados em uma fase mais avançada, não é possível haver a preservação da voz”, enfatizou Bruno.
De acordo com o médico, há opções de cirurgia com preservação funcional da laringe, as chamadas cirurgias parciais ou subtotais. “Além disso, há diversas formas de reabilitação que auxiliam na adequação do processo fonatório, mas a voz natural não existe mais”, disse o especialista.

Ações

A campanha terá, durante todo o mês de julho, uma série de lives, cursos, congressos, simpósios, reuniões, divulgação por panfletos e outras atividades. “O objetivo é orientar não só a população geral, mas os próprios profissionais de saúde a auxiliarem no processo de detecção precoce do câncer de cabeça e pescoço e, até mesmo, atuar na prevenção”, apontou Bruno Albuquerque.