Março Lilás alerta sobre o câncer de colo de útero

Mês de março conscientiza sobre o câncer de colo uterino

Todo ano, são aproximadamente 570 mil novos casos no mundo, sendo que mais de 16 mil são apenas no Brasil

Terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina, o câncer de colo de útero é o foco da campanha “Março Lilás”. O objetivo é conscientizar as mulheres sobre a importância de fazer o exame de prevenção, mais conhecido como papanicolau, e de se vacinar contra o vírus HPV.
Mesmo o câncer não tendo uma cura definitiva, esse tipo é totalmente evitável, mas muitas das vezes os cuidados preventivos são deixados de lado. Até por isso, todo ano, são registrados aproximadamente 570 mil novos casos no mundo, sendo mais de 16 mil no Brasil.
Quando se fala em mortalidade, a doença ganha ainda mais importância, isso porque, só no ano de 2019, 6 mil mulheres acabaram perdendo a vida por esse tipo de câncer, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer).
A ginecologista e especialista em reprodução humana Dra. Rayana Campos faz uma análise geral sobre a enfermidade e ressalta a importância das medidas preventivas.
“O câncer de colo uterino, na grande maioria das vezes, é decorrente da infecção pelo vírus HPV, um vírus sexualmente transmissível que pode demorar até 5 a 10 anos para desenvolver uma lesão maligna”, destaca a médica.
“Por isso, a melhor forma de controle do câncer de colo uterino é a prevenção. Isso pode ser feito por algumas formas simples: o uso de preservativo nas relações sexuais para evitar o contágio pelo vírus, vacina para o HPV e realização do exame citopatológico do colo uterino (o conhecido Papanicolau ou exame de prevenção)”, ressalta.
“A prevenção pode detectar lesões pré-cancerígenas para que possamos tratá-las antes que vire um câncer, e pode detectar lesões malignas muito iniciais, proporcionando uma taxa de cura muito elevada nesses casos”, observa a doutora.

Causas
Entre as comorbidades que podem facilitar o surgimento das células cancerígenas, Dra. Rayana apontou a infecção pelo vírus HPV. “Por isso é tão importante o uso do preservativo e a vacina. Existem outros fatores de risco como o tabagismo e estados de imunossupressão (que favorecem inclusive o desenvolvimento do vírus), mas o principal é realmente a infecção pelo vírus HPV”, destaca.

Vacina é o melhor caminho
Mesmo com a devida importância, obviamente, com toda a campanha de vacinação focada na vacina contra o coronavírus, há um plano de vacinação muito amplo que contempla a do HPV.
A vacina conta HPV está disponível na Rede Pública para meninas de 9 a 14 anos de idade e para meninos de 11 a 14 anos. A procura, porém, ainda é baixa. Entre 2013 e outubro de 2019, 61,9% do público alvo feminino buscou a imunização.
Apesar de toda a polêmica que a vacina trouxe na época, é essencial que se tenha essa imunização na cartela de vacinas, já que é um importante método de prevenção, além de outras medidas.

Rede Particular
“Na rede particular, a vacina é encontrada para as demais idades, em 3 doses. Existem estudos que comprovam que mesmo pacientes que já tiveram contato e tem a infecção pelo HPV devem tomar a vacina, pois essa reduz a chance desse vírus desenvolver uma lesão cancerígena e se manifestar. Outra mudança de hábito importante é o uso de preservativos nas relações sexuais. Além disso manter uma vida saudável, com realização de atividades físicas e cessar o tabagismo”, orienta a especialista.
Exame preventivo
Para quem já passou das idades indicadas e não tomou a dose da vacina, o exame preventivo ajuda a identificar lesões precursoras. “Essas lesões não apresentam sintomas. Quando não são tratadas adequadamente, podem evoluir para o câncer invasor de colo uterino”, informa a responsável técnica distrital de ginecologia oncológica da Secretaria de Saúde (SES), Indara Braz.

Papanicolau
O rastreamento pelo papanicolau deve ser feito pelas mulheres entre 25 e 64 anos de idade que já iniciaram a vida sexual. A recomendação é que esse procedimento seja realizado a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos normais.

Atenção primária
O rastreamento, na Rede Pública, é feito pela atenção primária. No caso de ser encontrada uma lesão precursora, a mulher deve procurar o ambulatório de colposcopia para avaliação. “Sendo encontrado um câncer invasor, a paciente é encaminhada para o ambulatório de ginecologia oncológica para avaliação de qual tratamento será indicado”, explica Indara Braz.

Importância da conscientização
A especialista em reprodução humana ressaltou o valor de se ter um mês de conscientização sobre o câncer de colo de útero. “É extremamente importante por vários motivos. O primeiro é que, infelizmente, apesar de ser um câncer prevenível e evitável, o câncer de colo uterino ainda acomete e mata muitas pacientes”, afirma Dr. Rayana.
“É realidade que poderíamos mudar com ações simples: usando preservativo, tomando a vacina, realizando o Papanicolau com a periodicidade adequada. Segundo, porque, infelizmente, ainda temos uma cobertura vacinal muito pequena, precisamos conscientizar as mães a levarem seus filhos a vacinar”, salienta.