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Abril Lilás é o mês que alerta sobre o câncer de testículo

A doença é a neoplasia maligna mais frequente em homens com idade entre 15 e 35 anos

25 de abril de 2026 às 16:27
Abril Lilás é o mês que alerta sobre o câncer de testículo
O acompanhamento médico regular é fundamental para o diagnóstico precoce da doença

Abril Lilás é uma campanha de conscientização sobre o câncer de testículo, voltada principalmente para homens jovens entre 15 e 35 anos, faixa etária em que a doença é mais frequente.

Criada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a iniciativa busca quebrar tabus relacionados à saúde masculina, incentivar o diálogo sobre o tema e alertar para sinais e sintomas que muitas vezes passam despercebidos.

A campanha também reforça a importância do diagnóstico precoce, já que, quando identificado nas fases iniciais, o câncer de testículo apresenta taxas de cura extremamente altas, podendo chegar a 99%.

Grupo de risco

O câncer de testículo é a neoplasia maligna mais frequente em homens entre 15 e 35 anos. 95% dos casos afetam adultos jovens na faixa etária dos 15 aos 35 anos.

Ou seja, em um período de plena atividade produtiva e reprodutiva. Isso reforça a necessidade de informar a sociedade sobre a doença, que representa de 1% a 5% do total de casos de câncer entre os homens, no Brasil.

Casos no Brasil

Dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde mostram que entre 2014 e 2023 o câncer de testículo foi a causa da morte de 4 mil homens no país. De 2015 a 2024 foram realizadas 47 mil cirurgias por causa da doença.

Tumores bilaterais ocorrem em menos de 1% dos casos. Sendo assim, a necessidade de reposição hormonal e possível dano à função sexual são condições extremamente raras.

A doença

O câncer de testículo ocorre quando células do órgão passam a se multiplicar de forma descontrolada, formando tumores.

Esses tumores podem se originar nas células germinativas, responsáveis pela produção dos espermatozoides, ou no estroma, tecido que produz hormônios.

A doença é silenciosa e pode passar despercebida. Por isso, é preciso ficar atento a sinais e sintomas, como aumento de volume em um dos testículos; nódulo ou endurecimento do testículo; dor ou desconforto; inchaço ou sensação de peso no escroto e dor nas costas, abdómen ou virilha.

Em fases mais avançadas, sintomas e sinais de metástases podem estar presentes, como falta de ar, massa abdominal e emagrecimento.

Fatores de risco

Um dos principais fatores de risco está associado à atrofia testicular decorrente de um defeito na migração do testículo, ainda na fase fetal.

Os testículos se formam na cavidade abdominal e descem para a bolsa testicular antes do nascimento. Quando isso não ocorre de forma adequada, o risco de câncer de testículo aumenta.

Homens com criptorquidia (testículos posicionados fora da bolsa escrotal) possuem um risco 50 vezes maior de desenvolver câncer.

Outro grupo com maior incidência de câncer de testículo são os homens portadores de infertilidade. Nesses casos, a presença de tumor pode ser a causa da diminuição da produção de espermatozoides.

Autoexame

O autoexame testicular deve ser feito mensalmente, de preferência, após um banho quente, quando a pele do escroto está mais relaxada.

É uma forma simples e eficaz de detectar alterações precocemente.

Se perceber alterações, o homem deve procurar logo um urologista. Além de fazer o exame físico, o médico pode precisar de exames complementares.

Diagnóstico

Toda massa testicular encontrada na palpação, principalmente em adultos jovens, deve ser investigada como câncer, até que se prove o contrário.

O diagnóstico tardio é preocupante, uma vez que são neoplasias com rápida progressão, fazendo com que mais da metade dos pacientes com tumor testicular chegue ao médico já com doença metastática.

Esses pacientes apresentam possibilidade de cura em aproximadamente 75%, devido à resposta favorável desses tumores à quimioterapia e à radioterapia. O trauma local (por pancada) não tem relação de causa no câncer de testículo.

Tratamento

Essa doença tem até 95% de chance de cura quando diagnosticada precocemente. O tratamento correto consiste na retirada do testículo acometido. É raro a doença afetar os dois testículos.

Como a incidência é maior em homens jovens, muitos dos pacientes ainda não possuem uma família constituída. Desta maneira, o tratamento pode representar um grande impacto na fertilidade desses indivíduos.

Após quimioterapia ou radioterapia, quase todos os pacientes têm a função do testículo remanescente gravemente alterada por um período de aproximadamente dois anos, quando um pouco mais da metade desses apresentam melhora importante com possibilidade de gravidez.

Congelamento de espermatozoides

Por esse motivo, os pacientes sem família constituída podem ter a recomendação de congelamento de seus espermatozoides antes do tratamento definitivo, permanecendo assim a possibilidade de obtenção de gravidez por método de reprodução assistida.

Quanto ao aspecto estético, hoje são utilizadas próteses testiculares de silicone implantadas no ato da retirada do testículo sem deixar cicatrizes e imperceptíveis visualmente quando comparadas ao testículo normal.

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