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Cinco obras essenciais para você conhecer o cinema do movimento Giallo

25 de abril de 2026 às 16:56
Cinco obras essenciais para você conhecer o cinema do movimento Giallo
O filme “O Estranho Vício da Senhora Wardh”

Se você gosta de mistérios policiais, suspense psicológico e uma estética visual arrebatadora, precisa conhecer o Giallo.

O termo “Giallo” surgiu originalmente para descrever uma coleção de romances policiais de bolso que tinham capas amarelas vibrantes.

No cinema, o movimento floresceu na Itália entre os anos 60 e 70, criando um subgênero único que mistura o suspense de Alfred Hitchcock com elementos de terror, erotismo e uma estilização visual quase surrealista.

As marcas registradas são fáceis de notar: assassinos de luvas pretas de couro, mortes coreografadas de forma artística, trilhas sonoras experimentais e uma paleta de cores saturadas. Aqui estão cinco filmes essenciais para você mergulhar nessa atmosfera:

Seis Mulheres para o Assassino (Sei donne per l’assassino - 1964)

Dirigido por Mario Bava, este filme é considerado o “marco zero” da estética Giallo.

Ambientado em uma casa de moda, o filme estabeleceu os tropos visuais que definiriam o gênero: o uso de cores primárias fortes (especialmente o vermelho e o roxo) e a figura do assassino mascarado. É uma aula de fotografia e iluminação.

O Pássaro das Plumas de Cristal (L’uccello dalle piume di cristallo - 1970)

Esta é a estreia de Dario Argento na direção. O filme conta a história de um escritor americano em Roma que presencia uma tentativa de assassinato em uma galeria de arte.

O suspense gira em torno de um detalhe que ele viu, mas não consegue recordar. Foi um sucesso internacional e solidificou o Giallo como um fenômeno global.

O Estranho Vício da Senhora Wardh (Lo strano vizio della Signora Wardh - 1971)

Dirigido por Sergio Martino, este filme foca mais na intriga psicológica.

Estrelando Edwige Fenech, uma das maiores musas do gênero, a trama envolve um assassino que persegue uma mulher enquanto ela lida com relacionamentos complicados.

A trilha sonora é envolvente e o clima de paranoia é constante.

Prelúdio para Matar (Profondo Rosso - 1975)

Frequentemente citado como a obra-prima definitiva de Dario Argento.

Aqui, o Giallo atinge seu ápice técnico e artístico. A história segue um pianista de jazz que testemunha o assassinato de uma vidente.

A trilha sonora da banda Goblin é icônica e a cinematografia transforma a cidade de Turim em um cenário quase onírico e assustador.

Uma Lagarta no Corpo de uma Mulher (Don’t Torture a Duckling - 1972)

Dirigido por Lucio Fulci, este filme se destaca por levar o suspense para uma área rural da Itália, em vez dos centros urbanos sofisticados.

O filme aborda temas pesados como superstição, religião e segredos de uma pequena vila, mostrando que o Giallo também podia ser uma ferramenta de crítica social ácida.

BRUNO INÁCIO

Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).

É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.

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