
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar 0,25 pontos percentuais da taxa básica de juros na noite desta quarta-feira (29/4). Dessa forma, a Selic passa a ficar em 14,50%, conforme esperado pelo mercado financeiro. Esse foi o segundo corte após nove meses de estabilidade em 15%.
De acordo com o grupo de especialistas do Banco Central, o corte foi pequeno porque o atual cenário exige cautela. Afinal, temos "ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais", justifica o Copom. Para o comitê, os riscos de inflação estão mais altos do que o normal, especialmente por conta dos impactos provocados pela guerra no Oriente Médio.
Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) já havia anunciado a manutenção da taxa de juros entre 3,5% e 3,75% na última reunião de Jerome Powell como presidente do órgão. Foi a terceira reunião consecutiva que os juros são mantidos, apesar da pressão exercida por Donald Trump para a redução da taxa.
"Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação. As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente", explica o Copom.
O corte de apenas 0,25 p.p. no Brasil, aliado à manutenção dos juros nos Estados Unidos, tendem a agradar o mercado financeiro. “A decisão de corte de juros pelo Copom e manutenção pelo Fed indica que o ciclo começa a entrar em uma fase mais construtiva, com sinais mais consistentes de desaceleração inflacionária. Ainda assim, é um movimento inicial e calibrado, mostrando que os bancos centrais seguem atentos a riscos que podem interromper esse processo", avalia Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.
De acordo com Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e co-fundador da Forum Investimentos, o comunicado mostra que mais cortes devem ser feitos no futuro, se o cenário permitir. "Sinalizando à frente, o Copom indica disposição para prolongar o ciclo de cortes, mas adotando tom mais gradualista e comprometido com a continuidade do ajuste monetário. Espero novo corte de 25 pontos base, com bastante dependência das variáveis externas (petróleo), manutenção da taxa de câmbio em patamares próximos ao atual e sensível às novas leituras do IPCA e principalmente da expectativas de inflação".
Setores produtivos querem mais cortes
O corte tímido na taxa de juros desagrada muitos setores produtivos, que pedem uma redução maior na Selic. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a decisão do Copom "tende a aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica, com impactos negativos sobre a geração de emprego e renda, especialmente em um ambiente ainda marcado por incertezas, tanto no cenário externo quanto no doméstico".
"A Fiemg reforça a importância de uma condução mais equilibrada da política monetária, capaz de conciliar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento econômico e ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional", reitera a entidade.
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte manifestou satisfação com a decisão do Copom. “A economia global vive um momento delicado, as pressões geopolíticas têm impactado a inflação e, no caso do Brasil, esse cenário foi prejudicado pelo longo ciclo de aumento da Selic. Essa segunda redução consecutiva nos traz a esperança de que o Banco Central cumpra seu compromisso de controle da inflação sem prejudicar o desenvolvimento econômico”, analisa Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH.
O que é a taxa Selic?
É a taxa básica de juros do Brasil, definida por um comitê de especialistas do Banco Central. Seja no crédito para fazer um empréstimo ou tomar um financiamento no banco, até o preço de mercadorias importadas e o mercado de trabalho, a taxa Selic exerce importante influência sobre uma série de variáveis no dia a dia de todas as pessoas. & É um instrumento para conter o consumo e, consequentemente, a inflação do país.
Fonte: https://www.otempo.com.br/



