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Luciana Santos: Brasil pode ocupar liderança científica, tecnológica e industrial”

Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, e o presidente Lula inauguraram quatro novas linhas do acelerador de partículas Sirius, em Campinas (SP)

19 de maio de 2026 às 00:10
Luciana Santos: Brasil pode ocupar liderança científica, tecnológica e industrial”
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Ao destacar que “conhecimento também é soberania”, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, fez um importante discurso durante a inauguração nesta segunda-feira (18) das quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, em Campinas (SP).

A ministra e presidenta nacional licenciada do PCdoB esteve com o presidente Lula em visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde fica o Sirius, e destacou na sua fala a importância dos investimentos em ciência e tecnologia para colocar o Brasil no lugar de protagonista mundial.

Além da inauguração das linhas de luz síncrotron, a comitiva ainda visitou as obras do Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, financiado pelo Novo PAC. O local será inédito na América Latina e deverá pesquisar, conectado à luz síncrotron, os microrganismos mais perigosos e letais do mundo, pois terá instalações de máxima contenção biológica (NB-4) — grau máximo de proteção em laboratórios.

“O que celebramos aqui vai muito além das novas linhas do Sirius ou do avanço das obras do Órion. O que vemos aqui é a prova de que o Brasil pode ocupar o lugar de liderança científica, tecnológica e industrial no mundo. Durante muito tempo tentaram convencer o nosso povo de que as estruturas científicas de ponta pertenciam apenas às grandes potências. Mas o CNPEM ajudou o Brasil a romper essa lógica de dependência e mostrou que conhecimento também é soberania”, afirma Luciana.

Segundo a ministra, antes do Sirius, pesquisadores e pesquisadoras brasileiras dependiam de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em materiais, proteínas, vírus e tecnologias estratégicas. Isso atrasava pesquisas e limitava profundamente a capacidade do Brasil de produzir conhecimento em áreas fundamentais para o desenvolvimento nacional. No entanto, o Sirius mudou essa realidade e colocou o país em outro patamar científico e tecnológico.

“O Brasil passou a integrar um grupo extremamente seleto de países que dominam tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração. O Sirius é a mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e abriga um dos maiores aceleradores de elétrons do mundo. O que nos permite desenvolver pesquisas em medicamentos, vacinas, semicondutores, baterias e minerais estratégicos”, completa a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos.

Na ocasião, ainda foi lançada a pedra fundamental do polo de inovação em saúde do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. O primeiro polo do programa irá acelerar o desenvolvimento de tecnologias críticas para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Qualquer quantidade de milhões que colocarmos é muito pequena diante da quantidade de milhões que isso aqui vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira”, destaca Lula.

Na visão do presidente, é fundamental mudar a lógica para deixar de encarar como gasto os investimentos em educação e ciência.

“Quando se apresenta um projeto muito importante, seja para a área que for, a gente sempre fica dizendo ‘eu não tenho dinheiro’, ou muitas vezes que custa muito caro. E a gente nunca se pergunta: se custa caro fazer, quanto custa não fazer?”, questiona o líder brasileiro.

De acordo com o Planalto, a luz síncrotron “é um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante que se estende por um amplo espectro, isto é, ela é composta por diversos tipos de luz, desde o infravermelho, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta e chegando aos raios X. Com o uso dessa luz especial é possível penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica para a investigação de todo tipo de material.”

Ainda segundo o governo, as quatro linhas de luz síncrotron inauguradas e suas respectivas características são:

LINHA DE LUZ TATU – A linha permitirá investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, capazes de analisar estruturas em escala nanométrica. As pesquisas desenvolvidas na Tatu poderão contribuir para avanços em áreas como telecomunicações, computação e processamento de dados baseado na luz, além de ampliar as possibilidades de investigação em ciência de materiais e sistemas biológicos.

LINHA SAPUCAIA – A linha Sapucaia é voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, além de pesquisas no contexto da parceria científica entre Brasil e China.

LINHA QUATI – A linha Quati permitirá investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.

LINHA SAPÊ – As pesquisas realizadas na linha de luz Sapê terão impactos no desenvolvimento de materiais avançados, com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, bem como em materiais supercondutores e semicondutores, estes últimos, importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.

Fonte : https://vermelho.org.br/

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