
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, concedeu uma entrevista exclusiva a O TEMPO na manhã desta quarta-feira (3/6). Durante a conversa, o parlamentar comentou sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas, revelou um conselho que deu ao ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) e avaliou o cenário eleitoral no estado. Desde segunda (1º/6), ele cumpre agendas em Minas Gerais, primeira visita ao estado durante a pré-campanha para as eleições de 2026.
Flávio voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao defender o endurecimento do combate ao crime organizado e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A O TEMPO, o parlamentar afirmou que a política de segurança pública do governo federal protege criminosos e associou o enfrentamento às facções à proteção das famílias brasileiras.
"Por que o Lula tem que proteger esses caras? Eu quero proteger o seu filho, e ele quer proteger os traficantes. Olha o ganho que podemos ter com esse combate. Essa luta precisa ser internacional, com troca de informações e tecnologia entre os países", declarou.
Na semana passada, Flávio se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, momento em que pediu que o país norte-americano classificasse as facções brasileiras como terroristas. O pedido foi atendido e terá validade a partir desta sexta-feira (5/6).
A O TEMPO, Flávio também defendeu que o Brasil siga o exemplo de outros países da região e reconheça formalmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. "O ganho real que já conseguimos foi avançar para que PCC e Comando Vermelho sejam declarados organizações terroristas. Argentina e Paraguai também já classificaram essas organizações dessa forma", disse.
Flávio culpou o presidente Lula pela tarifa de 25% que pode ser aplicada pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros. Nessa terça-feira (2/6), o governo dos Estados Unidos determinou que práticas comerciais do Brasil em seis áreas prejudicam empresas e interesses estadunidenses, após concluir uma investigação aberta contra o país em julho do ano passado. Como resposta, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs um novo tarifaço sobre bens importados do Brasil.
“Essa tarifa das empresas brasileiras é a tarifa do Lula, pelo seu comportamento, pela falta de habilidade. O Lula foi lá para fazer lobby para traficante do CV e do PCC e eu fui lá pedir para que eles fossem declarados terroristas, fui atendido. Eu pedi que as empresas brasileiras não fossem tarifadas porque as empresas brasileiras já são as mais tarifadas pelo Lula, já são muito penalizadas. Mas o Lula provoca, atiça o presidente dos Estados Unidos para que haja uma reação como essa para que ele, Lula, colha os frutos eleitorais para ficar no poder”, disse o senador.
Na linha do possível novo ‘tarifaço’, também entra o pix, alvo de investigações pelo governo norte-americano. Flávio afirmou que o Pix não corre risco e garantiu a não taxação da ferramenta de pagamentos, defendendo que o sistema de pagamentos instantâneos ampliou o acesso da população a benefícios sociais e reduziu a burocracia na transferência de recursos.
"O Pix é do Brasil, o Pix é do Bolsonaro. Foi criado em 2020, uma grande inovação que o Banco Central já vinha desenvolvendo, mas que foi implementada durante o governo Bolsonaro e foi uma forma de colocar menos Brasília e mais Brasil", afirmou.
Flávio Bolsonaro também deu detalhes sobre o primeiro encontro que teve com o ex-governador de Minas Romeu Zema após o mineiro criticá-lo em função do vazamento de mensagens do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na Megaleite, realizada nessa terça-feira (2/6), o parlamentar teria dado um conselho a Zema.
“Eu conversei com ele e falei: ‘Zema, vamos olhar para frente’. Eu bati no peito dele e disse para fazer o que coração dele mandar e não o que o marqueteiro mandar”, detalhou Flávio.
O senador não descartou uma composição com Zema, assim como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), durante as eleições, apesar da mágoa com o mineiro.
“Continuo achando que o Zema foi precipitado, mas não podemos colocar essa disputa de quem vai para o segundo turno à frente dos interesses do povo brasileiro. Tenho certeza que eles têm essa consciência. No que depender de mim vamos caminhar de forma respeitosa para que no segundo turno, se houver, vai que Deus resolva acabar com a eleição no primeiro turno. Se tiver, vamos estar juntos com certeza”, finalizou.
Para Flávio, lideranças como Zema e Caiado compartilham com ele a missão de construir uma alternativa ao governo Lula e promover a união da direita na próxima eleição presidencial.
"Nós três temos uma grande responsabilidade de unir forças contra o PT. A gente sabe que o Brasil não suporta mais um mandato do Lula e do PT. O país vai afundar de vez, vai mergulhar em aumento de impostos e acabar com as poucas oportunidades que o povo ainda tem", declarou.
A visita de Flávio Bolsonaro a Minas Gerais ocorre em meio às articulações do PL para formar um palanque ao pré-candidato no estado. Os liberais trabalham com duas possibilidades: lançar uma candidatura própria ou compor com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), cotado para disputar o governo de Minas.
Na entrevista exclusiva a O TEMPO, Flávio admitiu que Cleitinho lidera as articulações para receber o apoio do PL na disputa pelo governo de Minas em 2026. Apesar de reconhecer a força política do aliado no estado, Flávio afirmou que a definição sobre o palanque da legenda ainda depende de negociações e não tem prazo para ser anunciada.
"Eu gostaria de já ter essa decisão, de já estar com o martelo batido. É uma construção que está sendo feita. Mas é inegável a liderança do Cleitinho em Minas Gerais. Acompanho como ele faz política com coração defendendo o que acredita de verdade", afirmou.
A O TEMPO, Flávio disse ter “sangue de Bolsonaro”, mas afirmou que evita comparações com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele citou uma diferença de perfis: enquanto o senador “gosta mais de construir pontes e atuar para resolver problemas de forma prática”, o pai sempre foi uma pessoa “mais impulsiva e direta”.
Conforme Flávio, algumas pesquisas internas o colocam à frente na disputa ao Planalto, o que o faz entender que o povo brasileiro “quer um Bolsonaro com perfil mais próximo de Flávio que de Jair”.
“Eu não fico me comparando com meu pai. Imagina o filho do Pelé se comparando com o Pelé? É incomparável, não dá. Eu, como filho, tenho referência do meu pai na política, na vida, sempre vou admirar”, disse.
Flávio afirmou ouvir conselhos políticos de Jair Bolsonaro, inclusive para definir os rumos do PL em Minas.
“Vou ter que ir lá validar com ele o que vamos fazer em Minas Gerais. Ele é a pessoa que tem essa visão ampla de Brasil e da política. Pra mim, na minha visão, ele tem essa visão melhor que qualquer outra pessoa do Brasil. Por que eu vou abrir mão de consultar a pessoa do tamanho de Jair Bolsonaro?”, pontuou.
Durante a entrevista a O TEMPO, fez críticas a alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Para o senador, todos são inimigos de Jair Bolsonaro e foram escolhidos por serem “amigos do Lula”. Flávio disse ter “saudade da época em que ministro do Supremo falava só dentro dos autos”.
“Hoje, o ministro do Supremo vai fazer congresso fora do Brasil para falar de política, para falar o que o governo tem que ter, o que não ou não tem, que relação o Brasil tem que ter com que país do mundo. Quer dizer, quer ser político, sai do Supremo e se candidata. Não queira ser um ditador usando a caneta para tomar decisões no lugar do Congresso Nacional inteiro”, disparou.
Fonte : https://www.otempo.com.br/



