
Além do Maio Roxo, que alerta sobre as doenças inflamatórias intestinais, neste mês também é desenvolvida a campanha Maio Vermelho, voltada à conscientização e prevenção do câncer de boca.
O câncer de boca (também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral) é um tumor maligno que afeta lábios, gengiva, bochechas, céu da boca (palato), língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua.
A doença faz parte do grupo de tumores de cabeça e pescoço e está fortemente associada a fatores de risco como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a infecção pelo HPV.
Panorama do câncer de boca no Brasil
No Brasil, o câncer de boca representa um importante problema de saúde pública: segundo estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 15 mil novos casos por ano, sendo mais frequente em homens.
A doença costuma ter diagnóstico tardio, o que compromete as chances de tratamento e cura.
Ainda de acordo com o INCA, a taxa de sobrevida em cinco anos pode ultrapassar 70% quando o câncer é identificado precocemente, mas cai significativamente em estágios avançados.
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, dor persistente e dificuldade para mastigar ou falar.
Conscientização
A campanha Maio Vermelho reforça a importância da prevenção, que inclui evitar o tabaco e o álcool, manter uma boa higiene bucal, realizar consultas regulares com dentistas e observar qualquer alteração na cavidade oral.
A detecção precoce continua sendo a principal estratégia para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Fatores de risco
No contexto da campanha Maio Vermelho, é fundamental compreender os principais fatores de risco, formas de prevenção e sinais de alerta do câncer de boca.
O risco da doença é significativamente maior entre pessoas que fazem uso de tabaco — incluindo cigarro, charuto, cachimbo, narguilé e outras formas — sendo que quanto maior o consumo, maior a probabilidade de desenvolvimento do câncer.
O consumo regular de bebidas alcoólicas também potencializa esse risco, especialmente quando associado ao tabagismo.
Outros fatores importantes incluem a exposição solar sem proteção (principalmente para câncer de lábios), o excesso de gordura corporal, a infecção pelo vírus HPV (relacionada a casos de câncer de orofaringe) e também a exposição ocupacional a substâncias como amianto, poeiras diversas, solventes e agrotóxicos, o que coloca alguns trabalhadores em maior vulnerabilidade.
Como prevenir
A prevenção está diretamente ligada a hábitos de vida saudáveis, como não fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter uma alimentação equilibrada rica em frutas, verduras e legumes, cuidar da higiene bucal e utilizar preservativo durante o sexo oral.
Além disso, a atenção aos sinais e sintomas é essencial para o diagnóstico precoce: feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas vermelhas ou esbranquiçadas, caroços no pescoço e rouquidão persistente são alguns dos principais indícios.
Em estágios mais avançados, podem surgir dificuldades para mastigar, engolir e falar, sensação de algo preso na garganta e limitação nos movimentos da língua, reforçando a importância de buscar avaliação profissional ao perceber qualquer alteração.
Fique atento a esses sinais e a mudanças na coloração ou aspecto da sua boca. No caso de anormalidades, procure um profissional de saúde.
Tratamento
Na grande maioria das vezes é cirúrgico, tanto para lesões menores, com cirurgias mais simples, como para tumores maiores.
A radioterapia e a quimioterapia são indicadas quando a cirurgia não é possível ou quando o tratamento cirúrgico traria sequelas funcionais importantes e complicadas para a reabilitação funcional e a qualidade de vida do paciente.
A cirurgia normalmente consiste na retirada da área afetada pelo tumor associada à remoção dos linfonodos do pescoço e algum tipo de reconstrução quando necessário.
Nas lesões mais simples, muitas vezes é necessário apenas a retirada da lesão.
Nos casos mais complexos, além do tratamento cirúrgico, é necessária realização de radioterapia para complementar o tratamento e obter melhor resultado curativo.
Em todas as etapas do tratamento é importante o aspecto interdisciplinar (com a participação de vários profissionais de saúde) visando a prevenir complicações e sequelas.
Diagnóstico do câncer bucal
O diagnóstico do câncer de cavidade oral normalmente pode ser feito com o exame clínico (visual), mas a confirmação depende da biópsia.
Esse procedimento, na grande maioria das vezes, pode ser feito de forma ambulatorial, com anestesia local, por um profissional treinado.
Alguns exames de imagem, como a tomografia computadorizada, também auxiliam no diagnóstico, e, principalmente, ajudam a avaliar a extensão do tumor.
O exame clínico associado à biópsia, com o estudo da lesão por tomografia (nos casos indicados) permitem ao cirurgião definir o tratamento adequado.
As lesões muito iniciais podem ser avaliadas sem a necessidade de exame de imagem num primeiro momento.
O diagnóstico inicial permite tratamento com melhor resultado funcional, visto que tumores diagnosticados em estágios mais avançados vão implicar em tratamentos mais agressivos, com maior chance de sequelas.
Além disso, a detecção precoce melhora as chances de recuperação.



