
BRASÍLIA – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, mandou suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel sobre a eleição presidencial de 2026 que mostrou queda nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro (PL) após vazamento de áudios do senador pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.
Nunes Marques atendeu a um pedido do Partido Liberal, que solicitou a suspensão da pesquisa sob o argumento de que o questionário foi construído para induzir respostas que prejudicaram seu candidato, extrapolando o papel de verificação da opinião pública. O ministro considerou que há suspeitas de indução ao eleitor. A decisão é liminar, ou seja, provisória.
Assim como apontado pelo PL, Nunes Marques disse haver contaminação das respostas, por causa, entre outras coisas, da divulgação de áudio de investigação contra crimes financeiros envolvendo Vorcaro e o Master. Mas o ministro ressaltou que a empresa terá a oportunidade de comprovar a regularidade metodológica do levantamento.
A liminar parcial suspende a divulgação, o impulsionamento, a republicação ou a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da AtlasIntel. Ou seja: outros meios podem continuar a citar os dados da pesquisa, que foi divulgada em 19 de maio e acabou referendada por levantamentos de outros institutos, divulgados dias depois.
Na pesquisa da AtlasIntel feita em abril, Lula e Flávio estavam tecnicamente empatados na simulação de segundo turno, com leve vantagem do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tinha 47,8%, enquanto o petista somava 47,5%. Em 19 de maio, a AtlasIntel mostrou Lula com 48,9% e Flávio com 41,8%.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com o questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, escreveu o ministro em sua decisão.
Nunes Marques lembrou que o CEO da AtlasIntel, em entrevista à “CNN” em 19 de maio, “reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados” e apontou o desgaste eleitoral que isso representava. Para o ministro, há indicativos de que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou o magistrado.
A decisão liminar deve ser levada a referendo na sessão colegiada do TSE desta terça-feira (9/5). Os demais ministros podem mantê-la ou derrubá-la. O ministro determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar que indique a regularidade da metodologia, especialmente em relação ao uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também terá um dia para se manifestar.
Fonte : https://www.otempo.com.br/



