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Tecnologia e serviços de ponta norteiam avanço de Ituverava

Município tem se desenvolvido cada vez mais em setores como Saúde, Educação e Agronegócio

23 de junho de 2026 às 11:10
Tecnologia e serviços de ponta norteiam avanço de Ituverava
Vista aérea da cidade de Ituverava, que tem se desenvolvido em vários setores

Aqueles que passaram por Ituverava há décadas, dificilmente a reconheceria hoje.

Isso porque a cidade tem se desenvolvido a passos largos e hoje tem uma economia bastante diferente daquela existente no passado.

Em reportagem especial, a Tribuna de Ituverava destaca algumas das mudanças mais relevantes ocorridos nos últimos anos.

É comum ouvir no interior paulista que “se o campo não planta, a cidade não janta”. Embora a máxima carregue uma verdade histórica sobre a força do agronegócio na Alta Mogiana, a realidade econômica medida em números mostra um cenário muito mais complexo e diversificado.

A análise detalhada da composição do Produto Interno Bruto (PIB) de Ituverava, com base nos dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que o verdadeiro coração financeiro da cidade bate na zona urbana: o setor de Serviços se consolidou como o principal gerador de Valor Adicionado Bruto (VAB) do município.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em uma cidade durante o ano.

Em Ituverava, quando essa riqueza é fatiada por setores — Agropecuária, Indústria e Serviços —, o comércio e a prestação de serviços urbanos se destacam.

Esse fenômeno acontece porque Ituverava funciona como um importante polo regional de atração para cidades vizinhas de menor porte (Guará, Miguelópolis e Jeriquara).

Estrutura robusta

O município concentra uma estrutura robusta de serviços médicos – com destaque para a Santa Casa, o Hospital e Maternidade de Ituverava – São Jorge, a Unimed Norte Paulista e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) –, clínicas especializadas, agências bancárias, além de ser um tradicional centro educacional, com oferta de ensino técnico e superior que atrai estudantes de toda a região, graças à Fundação Educacional de Ituverava.

A força do setor de Serviço

Mas como explicar a força dos Serviços em uma região cercada por canaviais? A resposta está na interdependência dos setores.

A riqueza gerada dentro das fazendas não fica restrita ao campo; ela escoa para a cidade e irriga o comércio local.

Quando o produtor rural tem uma safra rentável, ele investe na manutenção de maquinários em oficinas urbanas, contrata escritórios de contabilidade e advocacia locais, compra insumos em distribuidoras da cidade e consome no varejo ituveravense.

Portanto, o setor de Serviços cresce tanto porque se especializou em atender e dar suporte às demandas do próprio agronegócio e de seus trabalhadores.

Tecnologia

Se o tipo de cultivo de rotação está mudando, a forma de plantar e colher passou por uma verdadeira revolução digital. O uso de dados já faz parte da rotina das fazendas de Ituverava.

O monitoramento por drones para identificar falhas de plantio e pragas, sensores de umidade no solo para otimizar sistemas de irrigação e maquinários agrícolas guiados por GPS já não são exclusividade de grandes usinas.

A tecnologia de ponta chegou às propriedades de médio porte, garantindo maior produtividade por hectare e reduzindo o desperdício de insumos químicos e combustíveis.

Enquanto as grandes usinas mantêm contratos de longo prazo e alta escala na cana-de-açúcar, são os médios proprietários e a agricultura familiar que lideram a flexibilização do campo em Ituverava.

Através de cooperativas regionais, esses produtores ganham força de barganha para comprar insumos mais baratos e acessar mercados que antes seriam inacessíveis individualmente.

MEIs desempenham importante papel para a economia da cidade

O mapa econômico de Ituverava, aliás, está passando por uma transformação silenciosa, mas visível a cada esquina longe do centro.

O crescimento no registro de Microempreendedores Individuais (MEIs) e microempresas nos últimos anos mostra que diversos bairros da cidade se tornaram verdadeiros celeiros de novos negócios.

Cruzando os dados do Painel do Mapa de Empresas com os saldos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), fica claro: o ituveravense está empreendendo mais.

Se antes o morador dos bairros mais afastados precisava se deslocar até o centro para serviços básicos — de um corte de cabelo a um conserto de roupas, de um autopeças a uma mercearia —, hoje ele encontra tudo a poucas quadras de casa.

O fenômeno da descentralização comercial ganhou força diante da necessidade de gerar renda e da busca dos consumidores por conveniência e atendimento local.

Setores como os de estética e beleza, confecção e varejo de moda, e alimentação para consumo imediato (como marmitarias, hamburguerias e docerias gourmet) lideram as aberturas de MEIs no município.

Dados do CAGED

A análise dos dados do CAGED revela uma dinâmica interessante em toda a Alta Mogiana: em períodos de oscilação do emprego formal (com carteira assinada), o ritmo de abertura de CNPJs costuma acelerar. Isso aponta para o chamado “empreendedorismo por necessidade”.

No entanto, o mercado local já começa a registrar a consolidação desses negócios, que deixam de ser apenas uma alternativa ao desemprego para se tornarem a principal fonte de crescimento familiar e, eventualmente, geradores de novas vagas de trabalho formal.

Formalização

Estar formalizado como MEI trouxe para o trabalhador autônomo de Ituverava garantias previdenciárias e, principalmente, acesso a crédito bancário com juros diferenciados para investir em máquinas, insumos e fachadas.

Contudo, entidades de apoio ao comércio local alertam que o grande gargalo pós-formalização ainda é a gestão financeira.

Muitos novos empresários dominam a atividade técnica (o fazer), mas encontram dificuldades em separar as contas pessoais das contas da empresa.

Agronegócio se tornou ainda mais moderno, abrangente e eficiente

Historicamente conhecida pela força de seus canaviais, a paisagem agrícola de Ituverava e dos municípios vizinhos está ganhando novos contornos.

Os dados mais recentes do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) e do Censo Agropecuário do IBGE revelam um movimento consistente: para mitigar riscos econômicos e climáticos, o produtor ituveravense está apostando na diversificação de culturas e na tecnologia de precisão.

O regime de chuvas cada vez mais instável e as ondas de calor que atingiram o interior paulista nos últimos anos ligaram o alerta nas propriedades rurais. Depender de uma única commodity tornou-se um risco alto para o médio produtor e para a agricultura familiar.

Como resposta, áreas que antes eram exclusivas de monocultura começam a abrir espaço para a rotação de culturas — como a introdução da soja e do milho safrinha —, além do fortalecimento da hortifruticultura voltada para o abastecimento do comércio local e de centros maiores como Franca e Ribeirão Preto.

Essa rotação não apenas protege o caixa do produtor contra a queda de preços de um único produto, mas também recupera os nutrientes do solo.

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