
As redes sociais passaram a fazer parte da rotina de crianças e adolescentes e influenciam muito mais do que entretenimento e comunicação.
Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube também exercem forte impacto sobre os hábitos alimentares, estimulando o consumo de determinados produtos, difundindo dietas sem respaldo científico e reforçando padrões estéticos que podem afetar a saúde física e emocional dos jovens. É o que mostra reportagem publicada pelo Âncora 1.
Segundo a nutricionista clínica e esportiva Ana Camila Mininel Liberador, membro da American Nutrition Association (ANA), da American Society of Nutrition (ASN) e da Academy of Nutrition and Dietetics, os algoritmos dessas plataformas fazem com que crianças e adolescentes sejam expostos continuamente a conteúdos relacionados à alimentação, aumentando a influência sobre suas escolhas diárias.
Ultraprocessados e dietas virais preocupam especialistas
Entre os principais impactos observados está o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, frequentemente divulgados por influenciadores digitais em conteúdos associados a diversão, popularidade e bem-estar.
Ao mesmo tempo, crescem vídeos que promovem dietas restritivas, desafios alimentares e padrões corporais difíceis de alcançar.
Segundo a especialista, essa combinação pode favorecer a substituição de refeições equilibradas por alimentos de baixo valor nutricional, além de estimular comportamentos alimentares inadequados e a busca por mudanças físicas sem acompanhamento profissional.
Padrões estéticos podem afetar autoestima
Outro ponto de atenção é a exposição constante a imagens e padrões de beleza idealizados, que podem aumentar a insatisfação com o próprio corpo e contribuir para o desenvolvimento de ansiedade, baixa autoestima e transtornos alimentares, especialmente durante a adolescência.
A nutricionista ressalta que dietas divulgadas por influenciadores, sem orientação técnica, também podem comprometer o crescimento e o desenvolvimento dos jovens, além de provocar deficiências nutricionais.
Família tem papel fundamental na educação alimentar
Para reduzir os impactos negativos, a especialista recomenda que pais e responsáveis acompanhem o conteúdo consumido pelos filhos e conversem sobre a diferença entre publicidade, opinião e informação baseada em evidências científicas.
Ela também destaca a importância de incentivar refeições em família, servir de exemplo com hábitos saudáveis e buscar informações produzidas por profissionais qualificados.
Segundo a nutricionista, as redes sociais também podem ser utilizadas de forma positiva, desde que o conteúdo consumido seja confiável e voltado à educação em saúde.



