
Ao anunciar que estava cancelando ataques contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse: "Israel se une a mim neste compromisso".
No entanto, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ainda não se pronunciou -- e isso provavelmente não é surpreendente.
Netanyahu esteve no Salão Oval ainda na última terça-feira, 28 de julho, e talvez o líder esperasse ter convencido o volúvel presidente americano dos argumentos de Israel tanto em relação ao Irã quanto a Gaza. Mas o início da semana de trabalho em Israel encontra seu líder lidando com contratempos em ambas as áreas.
Netanyahu deseja desesperadamente que os EUA retomem sua campanha militar contra o Irã com força total.
Convencer Washington a iniciar uma grande guerra foi um triunfo para o líder israelense. Mas, na perspectiva de Netanyahu — e de grande parte do público israelense —, isso terminou prematuramente.
Israel está menos preocupado com os preços da energia e com a liberdade das empresas de transporte marítimo para retirar petróleo do Golfo Pérsico. Para Israel, o que importa é o programa nuclear do Irã e o regime por trás dele.
Ambos parecem seguros, e isso deixa Netanyahu vulnerável enquanto o país caminha para eleições gerais em menos de três meses.
Quanto a Gaza, o gabinete de Netanyahu já sinalizava preocupações antes da declaração de Trump, na noite de quinta-feira, de que o Hamas havia concordado em se desarmar — no que o líder americano chamou de "passo monumental em direção a uma paz e segurança duradouras".
Israel acredita que Washington tem pressa demais em obter uma vitória e está muito disposto a fazer acordos com o Hamas para esse fim. Netanyahu não quer restrições à liberdade de Israel de agir como quiser em Gaza e, nesse ponto também, a opinião pública israelense o apoia amplamente.
Netanyahu certamente tentará adiar — ou até mesmo inviabilizar, se puder — quaisquer esforços liderados pelos EUA para interromper ataques a Gaza ou promover retiradas significativas de tropas, mesmo que essas retiradas sejam apenas para posições ainda bem dentro do enclave.
Fonte : https://www.cnnbrasil.com.br/



