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Campanha Agosto Dourado fortalece ações de incentivo à amamentação

A iniciativa reforça a importância do aleitamento materno para a saúde dos bebês e incentiva a doação de leite humano

10 de agosto de 2026 às 20:29
Campanha Agosto Dourado fortalece ações de incentivo à amamentação
Amamentar é o meio mais completo de cuidar da saúde do bebê e fortalecer o vínculo afetivo entre mãe e filho

Considerado alimento de ouro para o recém-nascido, o leite materno é rico em nutrientes essenciais para o desenvolvimento do bebê, incluindo proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, além de anticorpos, células-tronco e enzimas que protegem contra infecções.

É pensando nisso que o este mês ganha o nome de “Agosto Dourado”, para incentivar o aleitamento materno nos primeiros seis meses de vida e a amamentação até os dois anos ou mais.

O Agosto Dourado é uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que simboliza a luta pela promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.

A campanha é um chamado à conscientização coletiva sobre a importância da amamentação. Apoiar mães, incentivar o aleitamento materno e promover a doação de leite são gestos que nutrem o presente e sustentam o futuro.

Semana Mundial do Aleitamento Materno

A celebração do Agosto Dourado contempla a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), realizada anualmente entre os dias 1º e 7 de agosto em mais de 120 países, sendo considerada uma das principais estratégias globais de promoção da amamentação.

A mobilização conta com o apoio de organismos internacionais, secretarias estaduais e municipais de Saúde, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, de Hospitais Amigos da Criança, sociedades científicas e organizações da sociedade civil.

Esse ano, o tema oficial da 35ª SMAM é “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”.

Definido pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA), o foco em 2026 é avaliar o impacto da amamentação na nutrição, segurança alimentar e redução da pobreza, fortalecendo as redes de apoio em toda a sociedade.

Leite materno: alimento único e insubstituível

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), uma das maiores defensoras do aleitamento materno no país, recomenda que o bebê receba exclusivamente leite materno até os seis meses de vida – sem outro tipo de leite, água, chás ou outros alimentos.

Nessa fase, o leite materno é completo e suficiente para suprir todas as necessidades nutricionais e imunológicas da criança.

Após os seis meses, a SBP orienta a introdução gradual de alimentos saudáveis, mantendo o leite materno como principal alimento até um ano de vida e complemento até pelo menos os dois anos de idade, ou enquanto mãe e bebê desejarem.

Apesar dos benefícios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que apenas cerca de 48% dos bebês menores de seis meses recebem aleitamento materno exclusivo no mundo, percentual abaixo da meta global de 60% até 2030.

Benefícios

Para a criança, o aleitamento reduz infecções gastrointestinais, fortalece o sistema imunológico e melhora o desenvolvimento neurológico.

O leite materno reduz em 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos e diminui o risco de desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta.

Outro dado relevante – e talvez pouco conhecido – é que a amamentação reduz o risco de morte súbita do bebê.

Os benefícios também são significativos para a mãe: redução do risco de câncer de mama e ovário, recuperação pós-parto mais rápida e menor probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares.

Além disso, o aleitamento reforça o vínculo emocional entre mãe e bebê, essencial para o desenvolvimento infantil.

Amamentação também protege a saúde da mulher

Embora o foco normalmente esteja nos benefícios para o bebê, especialistas lembram que o organismo feminino também passa por mudanças importantes durante a lactação, uma vez que a produção de leite promove uma intensa renovação das células da mama.

Segundo o Ministério da Saúde, neste processo, a amamentação contribui para a recuperação do peso após o parto, reduz o risco de hemorragia pós-parto, fortalece o vínculo entre mãe e bebê e diminui as chances de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto e alguns tipos de câncer, como os de mama, ovário e endométrio.

Como doar leite humano

As mulheres interessadas em doar leite humano devem entrar em contato com o Banco de Leite Humano (BLH) mais próximo de sua residência.

A equipe fornecerá todas as orientações necessárias para o cadastro como doadora.

Após o cadastro, a doadora receberá orientações sobre a coleta e o armazenamento do leite humano, além do material necessário para a extração.

A coleta do leite é realizada na residência da doadora, em data previamente agendada pela equipe do Banco de Leite Humano.

Panorama estadual

De janeiro a junho deste ano, os bancos de leite humano do estado de São Paulo beneficiaram mais de 24,5 mil receptores (bebês) e receberam mais de 29,9 mil litros de leite humano.

Atualmente, São Paulo responde por 23% de toda a coleta de leite humano realizada no Brasil.

Além disso, dados preliminares deste ano indicam que 52% das crianças menores de seis meses acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde no Estado de São Paulo estavam em aleitamento materno exclusivo, percentual semelhante ao observado na média da região Sudeste e do país.

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