
Fontes do governo brasileiro avaliam que a ligação desta sexta-feira (21) entre Lula e Donald Trump mostra que há um canal aberto de diálogo entre os presidentes, apesar das divergências entre Brasil e Estados Unidos e também destacam a duração da conversa, de quase uma hora e meia, como um sinal dessa interlocução entre os dois presidentes.
Segundo uma das fontes, os dois falaram sobre uma variedade grande de temas e, se houvesse um clima ruim entre eles, a conversa não teria durado tanto nem sido tão abrangente. Integrantes do governo lembram também que, quando Lula se encontrou com Trump no início do ano em Washington, os dois conversaram por cerca de três horas.
“Todo mundo que apostava que as portas de diálogo entre os dois estavam fechadas quebrou a cara”, disse uma fonte à CNN.
A avaliação é que Lula conseguiu apresentar diretamente a Trump boa parte da posição brasileira durante a conversa. As fontes ponderam que Trump é muito volátil e pode mudar de posição de um dia para o outro, mas ressaltam que, ainda assim, é melhor ter um canal direto entre os dois do que não ter.
Integrantes do governo lembram ainda que Lula e Trump estarão em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU, o que abre espaço para um novo encontro entre os dois. A fala do Brasil antecede a dos EUA tradicionalmente e os líderes costumam se cruzar na antessala da Assembleia.
A nota divulgada pelo Planalto depois da conversa, no entanto, fala em encontros entre as equipes dos dois governos, sem mencionar uma visita ou um novo encontro entre os presidentes.
As fontes também admitem que Marco Rubio atrapalha a tentativa de aproximação entre Brasil e Estados Unidos, mas avaliam que o secretário de Estado não consegue estragar por completo a relação e o canal construído diretamente entre Lula e Trump.
Apesar da avaliação positiva sobre o canal entre os presidentes, as fontes fazem uma ressalva: Trump é imprevisível e muda de direção com frequência em relação a outros países e líderes internacionais. Eles lembram que essas mudanças nem sempre ocorrem em uma direção ruim.
A avaliação no governo é também que Trump deve ficar muito ocupado com as eleições legislativas americanas nos próximos meses e que, com isso, a atenção dedicada a temas como a relação com o Brasil pode diminuir.
Fonte : https://www.cnnbrasil.com.br/



