
O Agosto Branco reforça, ao longo deste mês, a importância da prevenção, da identificação precoce e do tratamento adequado do câncer de pulmão.
No Brasil, a campanha ganhou reconhecimento oficial com a Lei 15.207/2025 e busca ampliar a conscientização sobre uma das doenças que mais causam mortes por câncer no mundo. Não é o mais frequente, nem em homens, nem em mulheres, mas é o mais letal.
Estimativas do INCA indicam que o país terá cerca de 35.380 novos casos de câncer do pulmão por ano no período 2026–2028, sendo aproximadamente 18.730 casos em homens e 16.650 em mulheres.
No que se refere à prevenção, evitar a exposição a todo tipo de cigarro (eletrônico ou não) é a primeira medida a ser considerada.
Em pacientes já expostos ao cigarro, a detecção precoce pode ser feita por meio de exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada de tórax, o exame mais sensível para esse fim.
Há sólidos estudos mostrando que esse procedimento (tomografia de tórax), aumenta a detecção da doença em estágios mais iniciais, tendo significativo impacto na redução da mortalidade pelo câncer de pulmão.
Fatores de risco
Em termos de agentes causadores do câncer de pulmão, o tabagismo possui um papel relevante. Cerca de 80% dos pacientes diagnosticados com tumores malignos do pulmão são tabagistas ou ex-tabagistas ativos.
Os demais podem ter sido tabagistas passivos, ter tido algum tipo de exposição a agentes cancerígenos na sua atividade profissional, ter ficado muito expostos à poluição ambiental, além de casos relacionados a questões genéticas do paciente.
Há ainda um número crescente de tumores dos pulmões em pacientes mais jovens e sem relação com tabaco.
Diagnóstico precoce
De modo geral, quanto mais localizado o câncer de pulmão (nódulo de pequenas dimensões e restrito ao pulmão) maiores as chances de cura.
Uma vez detectado um nódulo suspeito para câncer do pulmão, o paciente deve consultar um especialista (pneumologista, cirurgião torácico ou oncologista clínico) para avaliar a indicação de outros exames para confirmar ou excluir o diagnóstico, e avaliar a extensão da doença.
Nas lesões suspeitas e muito pequenas, o paciente pode ser considerado para ressecção cirúrgica, sem biópsias prévias, enquanto nas lesões maiores geralmente se indica biópsia para decidir sobre estratégias de tratamento, principalmente pela possibilidade de realização de testes genéticos moleculares nessas amostras.
As biópsias, quando indicadas, podem ser feitas por agulha guiada por tomografia ou ainda por endoscopia respiratória (lesões nos brônquios), a chamada broncoscopia.
Tipos de câncer de pulmão
Os tumores malignos do pulmão são divididos em dois grandes grupos. Os carcinomas de células não pequenas (85% dos casos) e os de pequenas células (15% dos casos).
Os carcinomas de células não-pequenas incluem dois subtipos principais, os adenocarcinomas e o carcinoma escamocelular (ou espinocelular).
Os de pequenas células ocorrem quase que somente em tabagistas, e majoritariamente são tratados com a combinação de cuidados sistêmico com quimioterapia e radioterapia, sendo muito excepcional a indicação de cirurgias para esses casos.
Prevenção ao câncer de pulmão
No que se refere à prevenção, não fumar é a primeira medida a ser considerada. Em pacientes já expostos ao cigarro, a orientação é interromper o tabagismo o quanto antes.
A detecção precoce pode ser feita por meio de exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada de tórax o exame mais sensível para esse fim.
Há sólidos estudos mostrando que programas de rastreio de câncer de pulmão aumentam a detecção da doença em estágios mais iniciais, tendo significativo impacto na redução da mortalidade pelo câncer de pulmão.
Tratamentos disponíveis
O tratamento do câncer de pulmão varia conforme o tamanho e a localização do tumor, o comprometimento dos linfonodos, a presença de metástases, as características moleculares da doença e as condições clínicas do paciente.
Nos casos iniciais, restritos ao pulmão, a cirurgia ou a radioterapia estereotáxica podem oferecer altas chances de cura.
Atualmente, mais de 90% das cirurgias para câncer de pulmão são realizadas por técnicas minimamente invasivas, principalmente por meio da cirurgia robótica.
Para pacientes que não podem ou não desejam se submeter ao procedimento, a radioterapia estereotáxica é uma alternativa de alta precisão.
Casos mais avançados
Em tumores maiores ou com comprometimento dos linfonodos, pode ser necessária a combinação de cirurgia com tratamentos sistêmicos, como quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo.
Já nos casos em que o tumor não pode ser retirado cirurgicamente, a estratégia pode envolver quimioterapia e radioterapia, com possível complementação por imunoterapia ou terapia-alvo.
Metástase
Quando há metástases para outros órgãos, o tratamento é baseado principalmente em medicamentos, definidos de acordo com as características moleculares do tumor.
Em todos os estágios, a definição da estratégia terapêutica deve envolver uma equipe multidisciplinar, e mesmo nos casos mais avançados, o tratamento pode ter objetivo de controle da doença e, em determinadas situações, de cura.
Conscientização
O Agosto Branco reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para aumentar as chances de sucesso no tratamento do câncer de pulmão.
Mais do que alertar sobre os riscos do tabagismo, a campanha busca estimular a informação, a atenção aos fatores de risco e a busca por avaliação médica sempre que necessário.



