
A Caixa Econômica Federal apresentou, na madrugada de quinta-feira, 17 de setembro, uma nova proposta para o plano de saúde dos bancários, para tentar acabar com a greve nacional da categoria.
A paralisação começou dia 10 de setembro, e continua, por enquanto, até segunda, 21 de setembro, quando deverá haver assembleia de funcionários.
O texto modifica pontos que vinham sendo alvo de impasse, especialmente no Saúde Caixa, e será submetido à avaliação dos trabalhadores.
Custeio do Saúde Caixa
Uma das principais alterações está no custeio do Saúde Caixa, a instituição propõe elevar, a partir de 2027, o limite de participação da empresa dos atuais 6,5% para 9% da folha de pagamento.
O plano também permanece no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com preservação do pacto intergeracional e do modelo solidário, sem diferenciação das mensalidades de acordo com a idade dos beneficiários.
Já no novo modelo previsto para vigorar a partir de janeiro de 2027, a contribuição do titular será de 3,7% da remuneração-base, enquanto o dependente direto terá mensalidade de R$ 560.
Para os demais grupos, a proposta estabelece mensalidade de R$ 660 para dependentes indiretos e filhos dentro da faixa prevista no regulamento, além de R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais e mães que permaneçam vinculados ao plano.
O teto de comprometimento para o grupo familiar formado pelo titular e dependentes diretos ficará limitado a 9% da renda. Em relação a última proposta, a telemedicina continuará sem cobrança de coparticipação.
Novo modelo de gestão
Outro ponto importante da proposta é a estruturação de um novo modelo de gestão para o Saúde Caixa, com prazo de até 60 dias para elaboração do projeto.
A medida prevê a revisão da governança, da estrutura e da prestação de contas do plano, além da avaliação de novas fontes de receita e de soluções para a aposentadoria dos empregados que ingressaram no banco a partir de 2018.
Alterações no Super CAIXA
A proposta também traz mudanças no Super CAIXA, entre os ajustes apresentados estão a individualização de indicadores, a ampliação da premiação para habilitação, mudanças no acompanhamento das informações e a criação de uma comissão para análise de situações individuais.
Para 2027, estão previstos ainda estudos para inclusão de novos produtos e revisão dos critérios utilizados para medir a satisfação dos clientes.
A Caixa manteve ainda o pagamento de R$ 3 mil por empregado, como reconhecimento pelo resultado do Índice de Eficiência Operacional (IEO) em 2026.
O documento apresentado na negociação prevê para 30 de setembro o pagamento do reajuste salarial, da PLR, dos valores do Super CAIXA e da premiação.
Compensação da greve
Em relação aos dias de mobilização, a proposta faz distinção entre a paralisação de 20 de agosto e os dias de greve.
A paralisação será abonada pela Caixa, sem qualquer desconto aos empregados.
Já os dias de greve em setembro deverão ser compensados no prazo de até 180 dias, contado a partir da aprovação da proposta pela categoria.
A proposta também prevê a preservação dos direitos dos empregados que atuam como caixa-minuto e tesoureiro por prazo, de modo a evitar prejuízos funcionais decorrentes da paralisação.
Greve na região
A adesão à greve na Caixa Federal foi total na base do Sindicato dos Bancários de Franca, com todas as agências fechadas.
Seguundo o Sindicato dos Bancários de Franca, o grande impasse nas negociações foi o Saúde Caixa.
“Desde o início das reuniões com o banco, a empresa tentava impor a maior parte do custeio para os funcionários, fazendo com que o custo do plano se tornasse inviável para os titulares e dependentes, devido ao seu alto valor”, disse.
“Com o início da greve, a Caixa recuou e apresentou uma nova proposta na assembleia do dia 11 de setembro, que novamente foi rejeitada em todo o país, mesmo com ameaças do banco em retirar direitos previstos no Acordo Coletivo e ajuizar dissídio na justiça do trabalho”, explica.
“A força da mobilização forçou o banco a retornar para a mesa de negociação, com a apresentação de uma nova proposta na madrugada do dia 17”.
“Agora a nova proposta será submetida a apreciação nas assembleias e os empregados e empregadas da Caixa decidirão se a aceitam ou continuam em greve”.
“Qualquer que seja a decisão da categoria, o Sindicato dos Bancários de Franca estará ao lado dos trabalhadores, oferecendo todo o suporte e apoio necessários para que a campanha seja vitoriosa”, finaliza o Sindicato dos Bancários de Franca.



