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Super El Niño vai gerar onda de calor com elevação extrema de temperatura nos próximos dias em seis estados do Brasil

Termômetros oscilam entre 30 °C e 40 °C em regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Sul durante o fim de semana

24 de setembro de 2026 às 21:59
Super El Niño vai gerar onda de calor com elevação extrema de temperatura nos próximos dias em seis estados do Brasil
Super El Niño está em ação. Imagem ilustrativa • Google/IA

O evento climático Super El Niño influenciará na primeira onda de calor da primavera de 2026 que deve começar neste sábado (26) e durar até a próxima segunda-feira (30) no Brasil. Em cerca de seis estados do país as temperaturas oscilarão de 30 °C e podem alcançar o marco de 40 °C.

Segundo o meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, o calor extremo dos próximos dias será uma combinação do fenômeno com as mudanças climáticas que, sozinhas, já tendem a elevar as temperaturas para valores acima do normal.

Caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico e Atlântico, que altera a circulação dos ventos e a formação das chuvas, o El Niño afeta todo o planeta, mas, no caso do Brasil, há uma variação de impactos entre as diferentes regiões do país.

Em geral, o El Niño "trava" as frentes frias mais ao sul e os ventos predominantes de norte proporcionam temperaturas mais altas. Além disso, temos o efeito das mudanças climáticas que, por si só, já mantém as temperaturas mais altas.

Quais serão as áreas afetadas pelo calor?

Nesta quinta-feira (24) o INMET (Instituto nacional de Meteorologia) emitiu aviso vermelho para onda de calor nas seguintes regiões:

Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, em todo o território;

Cenrto e do sul de Mato Grosso, incluindo a capital, Cuiabá;

Centro, do sul e do oeste do Rio de Janeiro, incluindo a capital;

Sul e no sudeste de Minas Gerais, em áreas próximas aos municípios de Passos, Poços de Caldas, Varginha, Maria da Fé e Lavras.

Como o El Niño influencia no clima?

As alterações na circulação atmosférica, causadas pelo El Niño, modificam a trajetória das frentes frias e a distribuição das áreas de chuva e de ar seco. Com isso, frentes podem ficar estacionadas mais ao sul e provocar chuvas volumosas, enquanto o ar quente avança para áreas mais ao norte, favorecendo temperaturas elevadas e dificultando a formação de nuvens em algumas regiões.

Mesmo permanecendo "mais no Sul", isso não significa, necessariamente, que o frio permanecerá sobre todo os estados dessa região do Brasil. Isso ajuda a explicar por que o Paraná, por exemplo, aparece entre as áreas sob alerta de calor, enquanto outras partes da região podem registrar a atuação de frentes frias e períodos de chuva. A influência do fenômeno também não significa que toda a região permanecerá quente durante o período da primavera.

"No Centro-Norte do país elas já vem ocorrendo de forma forte e persistente e continuam assim. No Sul, em SP, no Rio e no Centro-Oeste vão ocorrer mais vezes, mas elas [ondas de calor] serão sempre curtas e intercalam com períodos de muita chuva. Ou seja, 4-5 dias quentes, intercalando com 4-5 dias de muita chuva e pouco calor", ressalta o meteorologista.

Calor intenso pode causar desidratação e mortes

Segundo uma projeção publicada na revista Climate Impact Lab, ligada a pesquisadores da Universidade de Chicago, o calor extremo pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação a um ano normal.

Com o aumento da temperatura média Global, isso representa 44% de dias a mais de calor intenso do que seria esperado em um ano normal. Segundo o relatório, as condições devem se aproximar de temperaturas que seriam esperadas apenas nas próximas duas décadas.

O que é o El Niño?

O El Niño acontece quando há um aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o que altera a circulação dos ventos e a formação das chuvas. Todo esse processo afeta o planeta, mas, no caso do Brasil, há uma variação de impactos entre as diferentes regiões do país, que vão desde excesso de chuva e alagamentos até secas intensas e falta de água nos reservatórios.

Normalmente, os ventos no Pacífico sopram de leste para oeste, ou seja, da América em direção à Oceania e à Indonésia. Isso faz com que as águas mais quentes sejam deslocadas por essas correntes de ar, mantendo as áreas próximas à América do Sul com águas mais frias.

O fenômeno altera o equilíbrio entre ventos, pressão e umidade devido ao aumento da temperatura no Oceano Pacífico. Quando isso acontece, há aumento na evaporação, os ventos ficam mais fracos e a água quente que normalmente fica próxima à Oceania se espalha, aquecendo as águas próximas à América do Sul, que são geralmente mais frias. Isso causa desequilíbrios com consequências em escala global.

"O fenômeno de agora em diante já é considerado muito forte e vai continuar esquentando, podendo atingir níveis históricos e recordes nos próximos meses. Isso é o que caracteriza o fenômeno, ou seja, as condições de temperatura na região do Pacífico Equatorial Central".

Fonte : cnnbrasil.com.br

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