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Inep prepara reformulação do Enem para entrar em vigor a partir de 2028

29 de setembro de 2026 às 14:21
Inep prepara reformulação do Enem para entrar em vigor a partir de 2028
Inep estuda mudanças no exame para as próximas edições do Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode passar por uma reformulação importante a partir de 2028.

Entre os pontos em discussão pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está uma mudança no modelo de redação, que hoje concentra a produção escrita em um único texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas.

Uma das propostas, de acordo com reportagem publicada no portal Terra, é substituir essa concentração por várias produções ao longo do exame. Nesse formato, então, o candidato teria de lidar com extensões e gêneros diferentes em momentos distintos da prova.

Entre as possibilidades apresentadas a educadores estão textos de 20, 10 e até 5 linhas. Essas atividades poderiam aparecer em diferentes áreas do conhecimento e não necessariamente ficariam vinculadas a uma única disciplina.

Entre os gêneros mencionados nas discussões estão carta de reclamação, artigo de opinião, editorial, manifesto, discurso público e resenha crítica. Com isso, a avaliação poderia observar se o estudante consegue ajustar a forma de escrever conforme a situação proposta e a função de cada texto.

Prova pode mudar a organização das questões

Outra frente em análise envolve os chamados testlets, conjuntos de perguntas que utilizam um mesmo texto ou contexto como base.

A proposta é reaproveitar um mesmo material em mais de uma questão. Dessa forma, o candidato teria contato com menos textos diferentes ao longo da prova.

“O modelo testlet, que começou a ser testado no ano passado, permite que você não mutile um texto, ou seja, não coloque apenas fragmentos de texto nas questões. Assim, o candidato não se desgasta tanto ao longo da prova”, afirma Filipe Couto, professor e diretor pedagógico do Colégio pH, em entrevista ao jornal O Globo.

BNCC deve orientar nova estrutura

Ademais, o Inep discute uma reorganização das quatro grandes áreas do conhecimento para aproximar o exame da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e da atual política do ensino médio.

Uma das ideias é trabalhar com quatro competências em cada área. Os enunciados podem trazer comandos como “identificar”, “analisar” e “avaliar”.

Esses verbos serviriam para indicar com mais precisão o tipo de tarefa mental exigida em cada item. Matemática e Ciências da Natureza também podem receber conteúdos transversais ligados a conhecimentos de matrizes africanas e indígenas.

“Hoje uma lei que coloca como obrigatoriedade, no ensino da educação básica, que devemos tratar de matrizes africanas e indígenas. Se decidimos como sociedade que isso é importante, então tem que aparecer no Enem também. Na Matemática, por exemplo, os alunos poderão ter que analisar os saberes matemáticos em matrizes indígenas ou africanas”.

“Nas Ciências da Natureza, os estudantes podem precisar analisar a contribuição desses saberes africanos e indígenas na construção de conhecimento científico e tecnológico”, explica Felipe Couto.

As mudanças devem ocorrer de forma gradual até 2032. Por enquanto, o novo formato ainda está em discussão.

O Inep pretende finalizar a proposta até o fim do ano e trabalha para que, em 2028, o exame já esteja alinhado à BNCC e à Política Nacional do Ensino Médio.

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