
Nos últimos anos, uma mudança tem chamado minha atenção na prática médica. Em minha experiência pessoal como cirurgião, tenho operado atualmente mais pacientes com câncer colorretal do que com apendicite.
Essa é uma observação da minha própria casuística, e não deve ser interpretada como uma estatística da população, mas ilustra uma realidade que merece nossa atenção: o câncer de intestino faz parte cada vez mais do nosso cotidiano.
O câncer colorretal, que acomete principalmente o cólon e o reto, está entre os tumores mais frequentes na população.
Além disso, estudos de diferentes países vêm mostrando aumento da doença em adultos mais jovens, embora as razões para esse fenômeno ainda não estejam completamente esclarecidas.
Prevenção faz a diferença
A boa notícia é que estamos falando de um dos cânceres em que a prevenção pode fazer uma grande diferença.
Grande parte desses tumores se desenvolve lentamente a partir de pequenas lesões chamadas pólipos. Alguns tipos de pólipos podem sofrer alterações ao longo dos anos até se transformarem em câncer.
Quando identificamos e retiramos essas lesões durante uma colonoscopia, podemos interromper essa sequência antes que o câncer apareça.
Por isso, não devemos pensar na colonoscopia apenas como um exame utilizado quando já existe suspeita de câncer. Ela também pode ser uma importante ferramenta de prevenção.
Rastreamento
No Brasil, o rastreamento do câncer colorretal vem ganhando cada vez mais importância na saúde pública.
Para pessoas sem sintomas e de risco habitual, existem estratégias que utilizam a pesquisa de sangue oculto nas fezes, especialmente o teste imunoquímico fecal (FIT), encaminhando para colonoscopia aqueles que apresentam resultado positivo.
Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal ou determinadas doenças intestinais podem precisar iniciar a investigação mais cedo e seguir um acompanhamento diferente.
Também é importante não ignorar os sinais de alerta. Sangramento nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, anemia sem explicação, perda de peso não intencional e alterações persistentes na forma ou frequência das evacuações merecem avaliação médica.
Nesses casos, já não estamos falando simplesmente de rastreamento, mas da investigação de um possível problema.
Diagnóstico precoce
Quando diagnosticado precocemente, o câncer colorretal apresenta possibilidades de tratamento muito melhores. E, quando a cirurgia é necessária, os avanços das técnicas cirúrgicas e dos tratamentos oncológicos permitem atualmente abordagens cada vez mais individualizadas.
Minha atuação como cirurgião do aparelho digestivo e atuante na área de endoscopia/colonoscopia, permite acompanhar justamente diferentes etapas desse cuidado: desde a prevenção e investigação por meio da endoscopia e colonoscopia até o tratamento cirúrgico das doenças do aparelho digestivo e do câncer colorretal.
Mais importante do que tratar um câncer avançado é ter a oportunidade de encontrá-lo cedo. Melhor ainda é identificar e retirar uma lesão precursora antes que ela se transforme em câncer.
Prevenção não significa procurar uma doença. Significa criar a oportunidade de encontrá-la antes que ela cause problemas — ou até impedir que ela apareça.
O cirurgião do aparelho digestivo - Dr. Vinícius de Melo Barbosa (CRM e RQE 138123), atende na Clínica Prime, Santa Casa de Ituverava, AME e Centro de Saúde II.



