Número de motoristas idosos cresce 75% em seis anos em Ituverava

Números mostram que idosos estão cada vez mais dispostos a dirigir

Número passou de 2.897 em junho de 2015 para 5.071 em junho de 2021, segundo o Detran.SP

Levantamento feito pelo Detran.SP comprova que a passagem dos anos não representa um obstáculo para que os motoristas com idades acima dos 60 anos mantenham firme o desejo de continuarem a dirigir.
Entre junho de 2015 e o mesmo período deste ano, o aumento no número de CNHs registradas para condutores dessa faixa etária foi de 45% no Estado de São Paulo, ao passar de 2.393 milhões para 3.474 milhões.
Em Ituverava, o aumento foi ainda mais significativo, chegando a 75%, ao passar de 2.897 motoristas com idades acima dos 60 anos em junho de 2015 para 5.071 em junho de 2021. O aumento mais expressivo ocorreu entre 2020 e 2021, quando o número passou de 3.812 para os atuais 5.071 (crescimento de 33%).
Com isso, Ituverava tem o terceiro maior número de motoristas idosos da microrregião, atrás apenas de São Joaquim da Barra (5.764) e Orlândia (5.365). Em seguida vêm Igarapava (3.325), Miguelópolis (2.455), Guará (2.231), Aramina (529) e Buritizal (409). As duas maiores cidades da região – Ribeirão Preto e Franca – têm, respectivamente, 86.348 e 48.883 motoristas com idades acima de 60 anos.

Cidades da microrregião

Um aspecto bastante relevante nesses números – levantados pelo Detran.SP a pedido da Tribuna de Ituverava – é que todas as cidades da microrregião tiveram um aumento no número de motoristas idosos maior que a média estadual entre junho de 2015 e junho de 2021.
O maior aumento foi registrado em Guará (180%, ao passar de 796 para 2.231), seguido de Aramina (120%, ao passar de 240 para 529), Miguelópolis (111%, ao passar de 1.162 para 2.455), Orlândia (101%, ao passar de 2.663 para 5.365), São Joaquim da Barra (94%, ao passar de 2.962 para 5.764), Buritizal (88%, ao passar de 217 para 409), Igarapava (85%, ao passar de 1.790 para 3.325) e Ituverava (75%, ao passar de 2.897 para 5.071).
As duas maiores cidades da região também tiveram crescimento acima da média. Em Ribeirão Preto, o número passou de 46.889 para 86.348, o que representa um crescimento de 84%. Já em Franca, o aumento foi de 122%, ao passar de 21.985 para 48.883.

Especialistas apontam motivos para aumento tão significativo

Especialistas apontam fatores culturais, econômicos e até mesmo de saúde como possíveis explicações para esse interesse dos mais velhos em permanecerem ativos como motoristas.
De acordo com José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho (Abramet), à medida que a Medicina avança na prevenção de doenças há um consequente aumento na expectativa de vida saudável da população e, como consequência, a participação de condutores idosos no universo da população de motoristas habilitados.
Márcia Menezes, diretora-executiva da Federação Nacional das Cooperativas de Trabalho dos Médicos e Psicólogos Peritos de Trânsito (Fenactran), destaca que os idosos de hoje são de uma geração proativa e mais independente se compararmos com pessoas da mesma faixa etária no passado.
“Essa população cresce em uma velocidade duas vezes maior que a geral. Eles chegam aos 60 anos de forma independente, o que se reflete no trânsito”, afirma.

Limite
De acordo com as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e válidas em todo o país, não há limite máximo de idade para que uma pessoa dirija. No entanto, a renovação da CNH deve ser feita a cada cinco anos para os motoristas com idade entre 50 e 69 anos e três anos para os motoristas com idade igual ou superior a 70 anos ou em período menor, de acordo com a avaliação médica.
“É animador verificar que as pessoas com mais de 60 anos estão cada vez mais ativas e dispostas a continuar dirigindo, desde que todas as condições de segurança e saúde sejam avaliadas com base nos critérios definidos pelo Contran”, ressalta o diretor-presidente do Detran.SP, Neto Mascellani.
Um exemplo de idoso que não abre mão de assumir o volante é o aposentado Miguel Guarino, morador no bairro do Morumbi, em São Paulo, que aos 86 anos ainda adora dirigir. “Gosto muito de dirigir, tanto que quero renovar minha carta este ano para poder fazer minhas coisas sozinho, ter liberdade depois da pandemia para ir ao mercado, comprar comida para os meus bichos (gato, peixes e tartaruga) e andar pelo bairro”, destaca.