O ano que me aproximou (ainda mais) dos livros

O ano de 2021 talvez tenha sido o que mais me senti próximo dos livros. Ao longo dos 365 dias foram 109 livros lidos, dezenas de primeiros contatos com novos autores e diversos reencontros com escritores já conhecidos. Foi o ano em que mais me atentei aos estilos literários e que me propus a conhecer assuntos relativamente novos para mim, sobretudo aqueles ligados à psicanálise.
Também foi o ano em que encontrei minhas próprias palavras, que amadureci a escrita literária e que busquei novos conhecimentos em oficinas com autores que tanto admiro, como Marcelino Freire (duas vezes premiado com o Jabuti), Adriana Falcão (roteirista de filmes como “O Auto da Compadecida” e de programas como “A Grande Família”), Xico Sá (renomado jornalista e cronista), Ricardo Aleixo (poeta e artista multimídia), Maria Valéria Rezende (premiada com o Jabuti) e Aline Bei (autora de “O peso do pássaro morto” e “Pequena coreografia do adeus”).
O resultado desse contato mais próximo com a literatura e dessa busca por uma escrita própria, precisa e pessoal veio por meio de duas boas notícias no fim de 2021: a assinatura de um contrato com a Editora Patuá (premiada com o Jabuti três vezes) para o lançamento de um livro no primeiro semestre de 2022 e a destinação de R$ 27 mil para o lançamento de outro livro (também em 2022), selecionado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Uberlândia (em breve conto detalhes sobre essas novidades).
Por fim, de tudo que mais tocou em 2021, um ano difícil em muitos aspectos, deixo algumas indicações para que nunca nos esqueçamos da força dos livros.

Para se divertir
Manual do paulistano moderno e descolado (Gustavo Piqueira)
Entrevista com a pedra e outros contos
(Nigel Goodman)
Mastigando humanos (Santiago Nazarian)
As intermitências da morte (José Saramago)
Saga Lusa (Adriana Calcanhotto)
Para sentir
A cachorra (Pilar Quintana)
Rostos na multidão (Valeria Luiselli)
Vermelho amargo (Bartolomeu Campos de Queirós)
A dedicatória (Botho Strauss)
As coisas (Arnaldo Antunes)

Para imaginar
2001: Uma odisséia no espaço
(Arthur C. Clarke)
A arte da ressurreição
(Hernán Rivera Letelier)
A confissão de Lúcio (Mário de Sá-Carneiro)
Pedro Páramo (Juan Rulfo)
Onde os velhos não têm vez
(Cormac McCarthy)
Para pensar as relações
Pequena coreografia do adeus (Aline Bei)
Há muitas formas de se fazer macarrão e outras brutalidades (Georgina Martins)
Meus queridos estranhos (Livia Garcia-Roza)
Nem sinal de asas (Marcela Dantés)
Triângulo das águas (Caio Fernando Abreu)

Para pensar a sociedade
Tornar-se Palestina (Lina Meruane)
Racismo estrutural (Silvio Almeida)
A América Latina existe? (Darcy Ribeiro)
Sobre a psicopatologia da vida cotidiana
(Sigmund Freud)
Instruções para se tornar um fascista
(Michela Murgia)

Bruno da Silva Inácio é jornalista, mestre em Comunicação e pós-graduado em Literatura Contemporânea, Política e Sociedade e Cultura e Literatura. Atualmente faz especializações em Cinema e em Filosofia e Direitos Humanos e reside em Uberlândia, onde trabalha como assessor de imprensa da Prefeitura.
É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto” e “Devaneios e alucinações”, participante de outras quinze obras literárias e colaborador da Tribuna de Ituverava e dos sites Obvious, Provocações Filosóficas e Tenho Mais Discos que Amigos. Também manteve, entre 2015 e 2019, a página “O mundo na minha xícara de café”, que chegou a contar com 250 mil seguidores no Facebook.