Operação Sevandija: Ex-prefeita Dárcy Vera vira ré por chefiar esquema na Coderp

Segundo o Ministério Público, ex-chefe do Executivo de Ribeirão Preto comandou fraudes em licitações e contratações ilegais para garantir apoio na Câmara dos Vereadores

A Justiça aceitou nesta quinta-feira (2) a denúncia do Ministério Público (MP) contra a ex-prefeita de Ribeirão Preto (SP), Dárcy Vera (sem partido), acusada de chefiar um esquema de fraudes entre a Companhia de Desenvolvimento Econômico (Coderp) e a Atmosphera.

Com a decisão, Dárcy vira ré pela terceira vez no âmbito da Operação Sevandija. Procurada, a defesa informou que só vai se manifestar nos autos.

A ex-prefeita está em liberdade desde dezembro de 2019, quando obteve um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na mesma decisão que tornou Dárcy ré, o juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, alterou a medida cautelar que determina o comparecimento mensal dela à Justiça. Com isso, a ex-prefeita deverá se apresentar bimestralmente para informar e justificar suas atividades.

Acusações

A Promotoria aponta que, na gestão municipal de 2012 a 2016, Dárcy Vera comandou a organização criminosa que desviou R$ 105 milhões dos cofres públicos. O núcleo da terceirização atuava na dispensa indevida de licitações e na fraude de certames, além da contratação ilegal de apadrinhados políticos de nove vereadores da legislatura em vigor.

De acordo com o Gaeco, o dinheiro desviado nas fraudes financiou a “compra” de apoio político de parte da Câmara dos Vereadores. Em troca dos benefícios ilegais, os parlamentares do grupo deveriam aprovar projetos de interesse do Executivo.

O promotor Walter Alcausa Lopes afirma que várias conversas interceptadas com autorização da Justiça apontaram a atuação direta dela.

Ao longo da investigação, o Gaeco descobriu que a Atmosphera detinha vários contratos para terceirização de mão de obra com a Coderp. A empresa era usada como cabide de empregos dos parlamentares, e o dono dela, Marcelo Plastino, era beneficiado com as licitações fraudadas.

O empresário morreu em novembro de 2016. Em decorrência disso, a Justiça tornou extinta a culpabilidade dele, mas sequestrou os bens para ressarcimento aos cofres públicos.

Em outubro de 2019, a Justiça condenou à prisão 21 réus na ação do escândalo, entre eles os ex-presidentes da Câmara Walter Gomes e Cícero Gomes, os ex-secretários municipais Marco Antônio dos Santos, Layr Luchesi Junior e Ângelo Invernizzi, e o ex-superintendente da Coderp Davi Mansur Cury.

Dárcy não figurou como ré neste processo, mas foi condenada, em primeira instância, a 18 anos de prisão por participação em outro esquema de desvio de dinheiro público.

A fraude dos honorários advocatícios, segundo o Gaeco, consistiu na divisão de R$ 45 milhões entre a ex-prefeita, advogados, um secretário do primeiro escalão do governo e um sindicalista.

Fonte: www.g1.globo.com