Os melhores livros que li no mês de maio

Maio reuniu, sobretudo, leituras de autores de países da América Latina, desde os já consagrados (dentro e fora da ficção) até novos nomes da literatura. Dentre os melhores livros lidos ao longo do mês estão três romances, um livro de contos e uma reunião inédita de textos de Eduardo Galeano. Para além da América Latina, também se destaca a obra do estadunidense Robert Bloch que inspirou clássico do cineasta Alfred Hitchcock. Confira:

Estranhas criaturas noturnas (Jozias Benedicto)
A escrita crua e ácida de Jozias Benedicto apresenta personagens marginais, interessantes conflitos psicológicos e situações assustadoras, tudo isso de maneira bastante original e envolvente.

A contadora de filmes (Hernán Rivera Letelier)
O livro de Hernán Rivera Letelier é delicado e sombrio ao mesmo tempo. Narra a história de uma família pobre, que, incapaz de ir ao cinema, escolhe um dos filhos para assistir aos filmes e narrá-los para os demais moradores da casa. A escolhida é Maria Margarita, uma menina solitária, sensível e dona de uma imaginação incomparável. Em pouco tempo, suas narrativas passam a encantar todo o povoado e a chamar a atenção de pessoas mal intencionadas.

A asa esquerda do anjo (Lya Luft)
Confesso que tinha uma espécie de preconceito com a literatura da Lya Luft, pois, até então, o meu contato com sua escrita se limitava a algumas crônicas um tanto quanto “good vibes” escritas para jornais e revistas brasileiros.
Isso mudou recentemente, quando me deparei com um texto que definia os primeiros romances da autora como profundos, complexos e existencialistas. A asa esquerda do anjo é tudo isso e muito mais. É uma narrativa sensível, que transborda ao abordar relações amorosas e familiares, questões sociais e conflitos internos.

Dois rios (Tatiana Salem Levy)
Minha primeira experiência com a obra de Tatiana Salem Levy foi maravilhosa. A obra aborda o envolvimento amoroso de um irmão e uma irmã com uma francesa e chama a atenção pela eficiência da autora ao construir diferentes perspectivas e características estilísticas dos personagens-narradores.

Direito ao delírio (Eduardo Galeano)
O livro exclusivo da Biblioteca Básica Latino-Americana (BBLA) reúne diversos textos e entrevistas do intelectual uruguaio Eduardo Galeano, passando por tópicos como política, repressão, sociologia, literatura e jornalismo. Obra indicada para compreender melhor a história recente da América Latina e as complexas questões políticas da atualidade.

Psicose (Robert Bloch)
A história que deu origem a um dos maiores clássicos do cinema – dirigido por Alfred Hitchcock – é envolvente e tem personagens muito bem construídos. A leitura também vale para uma comparação entre a obra literária e o filme, já que existem algumas mudanças no enredo e nas características físicas e psicológicas dos personagens.

Bruno da Silva Inácio é jornalista, mestre em Comunicação e pós-graduado em Literatura Contemporânea, Política e Sociedade e Cultura e Literatura. Atualmente cursa quatro especializações (Cinema, Teoria Psicanalítica, Antropologia e Gestão da Comunicação) e reside em Uberlândia, onde trabalha como assessor de imprensa da Prefeitura.
É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto” e “Devaneios e alucinações”, participante de outras quinze obras literárias e colaborador da Tribuna de Ituverava e dos sites Obvious, Provocações Filosóficas e Tenho Mais Discos que Amigos. Também manteve, entre 2015 e 2019, a página “O mundo na minha xícara de café”, que chegou a contar com 250 mil seguidores no Facebook.