Pesquisa explica necessidade de lavar as mãos por 20 segundos

Considerada indispensável há pelo menos 170 anos e, mais recentemente evidenciada pela pandemia de Covid-19, a física da lavagem das mãos não é um tópico comum em pesquisas científicas. Mas um estudo publicado no periódico Physics of Fluids na última semana quebra esse vácuo e confirma as diretrizes atuais dos órgãos de saúde: é necessário gastar cerca de 20 segundos sob a torneira para eliminar vírus e bactérias nocivos.
A pesquisa, conduzida por cientistas da empresa Hammond Consulting Limited, no Reino Unido, simula a higienização das mãos e estima as escalas de tempo em que elementos como vírus e bactérias são removidos durante o processo. O modelo físico-matemático desenvolvido atua em dimensão dupla, com duas superfícies onduladas e ásperas entrecruzadas — que representam as mãos — e uma fina película de líquido entre elas.
As partículas ficam presas nas superfícies ásperas em “poços potenciais”: é como se elas estivessem presas no fundo de um vale e, para serem expulsas dali, a energia do fluxo de água deve ser alta o suficiente para fazê-las subir. Mas isso não acontece antes de 20 segundos de lavagem, conclui o estudo.
Fluxo
“Sem surpresa, as partículas permanecem presas, a menos que o fluxo conduzido pelo movimento da parede seja forte em comparação com a profundidade do poço de potencial de aprisionamento. Talvez menos óbvio seja que para muitas posições iniciais o processo de escape para grandes distâncias da parede ocorre ao longo de um grande número de períodos”, afirma o documento.
“Com estimativas razoáveis para os vários parâmetros dimensionais, os tempos de escape nesses casos são comparáveis em magnitude aos de lavagem recomendados nas diretrizes de lavagem das mãos”, escrevem os pesquisadores.
Mas não basta higienizar as mãos por 20 segundos se a lavagem não for “vigorosa”. Isso porque a força do líquido que flui depende da velocidade das mãos em movimento. Um fluxo mais forte, portanto, remove as partículas com mais facilidade.
“Se você mover as mãos muito suavemente e lentamente, as forças criadas pelo fluido não são grandes o suficiente para superar a força que mantém a partícula para baixo”, explica Paul Hammond, autor do estudo, em comunicado.

Modelo

Apesar de fornecer um modelo para pesquisas futuras sobre a mecânica da lavagem das mãos, o cientista considera que o padrão físico-matemático utilizado no estudo para medir as forças do fluido em uma partícula suspensa perto de uma parede rígida é “bruto”.
Ele considera que o padrão “deve ser melhorado para incluir as consequências da proximidade da parede e a inércia do fluido”.