A poesia não vai lhe salvar. Ela não salva ninguém. Na melhor das hipóteses, ela lhe guiará a um caminho – que pode lhe salvar ou fazer com que você se perca de vez.
A questão é que as soluções simplistas que insistimos em buscar são meramente ilusórias. No fundo, até sabemos disso, mas fingimos que não. Fingimos tão bem, que consumimos todos os tipos de manuais – palpáveis ou simbólicos. Manuais para o amor, para o sexo, para crises de desespero…
As fórmulas apontadas por esses manuais até surtem efeitos positivos em muitos casos, mas não em todos. E que bom isso, pois o contrário demonstraria que todo mundo ama do mesmo jeito e sente o mundo da mesma maneira.
Os manuais nos colocam à beira de um abismo. Parecem nos deixar com apenas duas opções: se jogar ou voltar. Na primeira, você salta rumo ao desconhecido em busca de respostas; na segunda, você encara e questiona tudo o que já lhe falaram. Ambas as saídas não são fáceis e não envolvem certezas…
Há ainda quem prefira uma terceira saída possível: a de ficar à beira do abismo e buscar ali algo para lhe salvar. E nesse momento, mais do que nunca, as pessoas se agarram a ideias prontas. Pensam que o divino ou o poético simplesmente as salvará.
A poesia não vai lhe salvar. Ela não salva ninguém. Mas ela convida a enxergar com outros olhos, a tocar novos mundos e a conhecer diferentes perspectivas.
Ela não é uma fórmula pronta e não sei se seria uma boa ideia confiar em alguém que a vendesse com essa imagem. A poesia é transformação, o convite para se jogar do penhasco ou descê-lo disposto a construir novas verdades.
Não precisamos de tantas padronizações ou fórmulas. Muito menos que nos deem saídas que pareçam fáceis, mas que na verdade não funcionam na prática. Precisamos é entender quem somos, e não simplesmente “sermos salvos”.
Bruno da Silva Inácio cursa mestrado na Universidade Federal de Uberlândia, é especialista em Gestão Cultural, Literatura Contemporânea e em Cultura e Literatura.
Ele Cursa pós-graduação em Filosofia e Direitos Humanos e em Política e Sociedade. É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto”, “Coincidências Arquitetadas” e “Devaneios e alucinações”, além de ter participado de diversas obras impressas e digitais.
É colaborador dos sites Obvious e Superela e responsável pela página “O mundo na minha xícara de café”.
