Preço de materiais escolares pode variar até 216% em Ituverava

É importante pesquisar preço

Levantamento feito pela Tribuna de Ituverava em quatro papelarias levou em conta cinco itens básicos

O preço do material escolar teve um aumento médio de 16% no início de 2022, se comparado ao ano anterior. Além do aumento, o consumidor pode se deparar com variações enormes de preços em livrarias espalhadas por todo o país. Em Ituverava, a situação não é diferente.
Levantamento feito pela Tribuna de Ituverava em quatro papelarias demonstra que a variação pode chegar a 216% no município. Para a consulta de preços, o jornal levou em conta cinco itens básicos: caneta esferográfica azul da marca BIC; lápis de escrever da Faber Castell; caixa com 24 lápis de cor da Faber Castell; cola Tenaz branca de 110 gramas e borracha Prima Mercur.
O valor total dos produtos mais em conta encontrado foi de R$ 35,55, enquanto o maior foi R$ 48,20 (variação de 35,5%). Entre esses dois valores os intermediários foram R$ 40,02 e R$ 41,10.
O item com maior variação observada entre esses cinco foi a borracha (216%, com preços entre R$ 0,60 e R$ 1,90), seguida pela cola (119,8%, com preços entre R$ 5 e R$ 10,99), lápis de cor (38,1%, com preços entre R$ 25,99 e R$ 35,90), caneta (26,2%, com preços entre R$ 0,99 e R$ 1,25) e lápis (20%, com preços entre R$ 1 e R$ 1,20).

Pesquisa
O levantamento demonstra a importância de pesquisar preços antes de escolher um local para fazer a compra. Prova disso é a caixa de lápis de cor, que é mais cara em uma das papelarias que todos os cinco itens em outra.

Franca
Alguns produtos que compõem a lista de materiais escolares apresentam uma diferença de preço de até 33,74%, nas lojas em Franca. É o caso de uma caixa de lápis de cor, com 24 unidades.
Uma pesquisa rápida entre três papelarias constatou que o mesmo produto pode ter uma diferença de R$ 15,15. Em um estabelecimento, a mesma caixa de lápis de cor, marca Faber Castell, custa R$ 29,80, em uma segunda loja o valor é de R$ 30 e numa terceira, R$ 44,95.
O caderno brochura, com 96 folhas, item obrigatório em todas as listas dos alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental, apresenta uma diferença de uma loja para a outra de 23%, variando entre R$ 10, R$ 11,95 e R$ 13 em três papelarias consultadas na cidade.
O diretor do Procon de Franca, Luís Antônio Murari, diz que a arma do consumidor é pesquisar, já que os produtos não são tabelados. “O Procon sempre realiza pesquisas na intenção de nortear o consumidor sobre os locais onde ele possa comprar o material mais em conta e, com isso, economizar. Considerando que o produto não é tabelado, uma das principais orientações do Procon é pesquisar”, lembra.
Outros itens presentes na lista de produtos escolares, como o tradicional lápis preto (Faber Castell), borracha (média) e cola líquida (pequena), apresentam diferença de R$ 0,50 entre o mesmo produto e marca no município vizinho.

Preços de materiais escolares em Ituverava

Papelaria 1
Borracha: R$ 1,08
Cola: R$ 6,12
Lápis de cor: R$ 26,10
Lápis preto: R$ 1
Caneta: R$ 1,25
Total: R$ 35,55

Papelaria 2
Borracha: R$ 0,60
Cola: R$ 9,50
Lápis de cor: R$ 35,90
Lápis preto: R$ 1,10
Caneta: R$ 1,10
Total: R$ 48,20

Papelaria 3
Borracha: R$ 1,90
Cola: R$ 5
Lápis de cor: R$ 31,90
Lápis preto: R$ 1,20
Caneta: R$ 1,10
Total: R$ 41,10

Papelaria 4
Borracha: R$ 1,05
Cola: R$ 10,99
Lápis de cor: R$ 25,99
Lápis preto: R$ 1
Caneta: R$ 0,99
Total: R$ 40,02

Material escolar pode variar até 381% entre lojas, diz Procon

O preço de uma caixa de massa de modelar de seis cores, de uma mesma marca, pode variar até 381,11% entre uma loja e outra na internet.
Isso é o que apontou uma pesquisa feita pela Fundação Procon de São Paulo em oito sites de compras no Brasil. Em uma dessas lojas analisadas pelo Procon, o produto custava R$ 2,70. Em outra, o mesmo produto era vendido por R$ 12,99.
A pesquisa foi feita entre os dias 7 e 10 de dezembro do ano passado e analisou os preços de itens como apontador, borracha, caderno, canetas esferográficas e hidrográficas, colas em bastão e líquida, giz de cera, estojo de lápis de cor, lápis preto, lapiseira, marca texto, massa de modelar, papel sulfite, refil para fichário, régua, tesoura escolar e tinta para pintura a dedo.
Para a comparação, foram analisados somente produtos que eram vendidos em, ao menos, três dos sites visitados. Os sites que foram analisados na pesquisa são Amazon, Americanas, Gimba, Kalunga, Lepok, Livrarias Curitiba, Magazine Luiza e Papelaria Universitária.
Em comparação com os preços que eram praticados entre os dias 17 e 19 de novembro de 2020, houve aumento médio de 15,96%, informou o Procon.

Dicas

Para economizar na compra do material escolar, a recomendação do Procon é que o consumidor procure reaproveitar materiais que tem em casa ou que faça uma pesquisa de preços antes da compra.
Além disso, o Procon recomenda que seja promovida uma troca de livros didáticos entre os alunos.
“A diferença de preço chega a ser escandalosa, o consumidor precisa pesquisar antes de fazer sua compra. Mais do que nunca é preciso unir forças e quando os pais se juntam, o poder de compra aumenta muito. Com isso é possível negociar melhores valores e todo mundo sai ganhando”, disse Fernando Capez, diretor do Procon-SP.
“Não aceite preços abusivos, busque outros estabelecimentos, faça compras online, mas não pague além do que a média praticada pelo mercado. A pesquisa que realizamos serve justamente para ajudar o consumidor nessa missão de encontrar os produtos com os melhores preços”, conclui Fernando Capez.
Segundo o Procon, o consumidor também deve estar atento: a lista de material escolar não pode incluir a compra de material de uso coletivo, como de higiene ou de limpeza, por exemplo.

Especialista dá seis dicas para economizar na compra dos itens

A alta no preço do material escolar aconteceu, sobretudo, por quatro fatores: alta do dólar, encarecimento dos combustíveis, inflação e desabastecimento pontual das cadeias produtivas. Diante disso, existem algumas saídas para economizar na hora da compra. Confira:

Pesquise muito antes de comprar
O Procon-SP analisou os preços cobrados por oito grandes lojas (Amazon, Americanas, Gimba, Kalunga, Lepok, Livrarias Curitiba, Magazine Luiza e Papelaria Universitária), de 7 a 10 de dezembro de 2021.
Uma mesma caixa de massinha de modelar custava, naquele período, R$ 2,70 em um site e R$ 12,99 em outro – uma diferença de 381,11%.
“Hoje em dia, não é preciso nem ‘bater perna’ para pesquisar preços. Os pais podem consultar a internet antes para escolherem qualquer material escolar”, orienta Fábio Gallo, professor de finanças da FGV-EAESP.

Junte-se a outras pessoas e compre no atacado
Comprar 24 lapiseiras, em vez de duas, provavelmente fará com que o preço unitário caia. É claro que ninguém precisa de tantos itens iguais em casa. Por isso, a dica é reunir outros pais de alunos da mesma escola e fazer compras em grandes quantidades, dividindo os custos.
“Mesmo que sejam crianças de séries diferentes, há alguns produtos que são de uso comum para todas as idades, como lápis e borracha”, afirma o professor da FGV.

Organizar feirinhas de troca de material
Reaproveitar livros – seja do irmão mais velho ou de um vizinho – é uma ótima forma de economizar nos gastos com material.
Há escolas que organizam pontos de troca ou de venda (a preços reduzidos) de volumes usados, por exemplo.
Fábio Gallo dá mais uma ideia: para quem mora em condomínio ou cidade pequena, é possível falar com o síndico ou vizinhos e montar uma “feirinha” de livros didáticos (ou, quem sabe, já organizar tudo pelo grupo do Whatsapp).
Durante o ano, os alunos devem cuidar bem das obras, evitando riscá-las com caneta. Assim, no ano seguinte, poderão ser doadas, trocadas ou vendidas em bom estado.

Evitar cadernos e mochilas ‘da moda’
“Se der para controlar o choro da criança, é bom evitar aqueles cadernos com capa de personagem ou as mochilas ‘da moda’”, brinca o docente da FGV.
“Em geral, são produtos que não têm nenhuma vantagem nas funcionalidades, mas que custam mais caro”, lembra.

Não deixar para a última hora
Comprar o material escolar só no fim de janeiro pode fazer com que os pais enfrentem lojas mais cheias; encontrem vendedores menos dispostos a negociar descontos, já que os estoques estarão reduzidos e tenham um leque menor de produtos para escolher pela internet, porque só poderão comprar opções com entrega rápida.
Quanto antes começarem a adquirir os materiais, maiores serão as chances de economizar.

Prestar atenção à reputação do site

É aquela história de “o barato sair caro”. Se for comprar pela internet, é preciso analisar a reputação do site (se é confiável e cumpre os prazos de entrega, por exemplo).
“Hoje em dia, no marketplace (sites que vendem produtos de diferentes varejistas), você nem sabe direito de quem está comprando”, afirma Fábio Gallo.
“Às vezes, sem perceber, escolhe itens de 4 vendedores diferentes, coloca todos no carrinho e paga 4 fretes. Precisa ver se vale a pena”, completa.